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3 dias em Salvador: veja roteiro para aproveitar a capital baiana

Cidade é inesgotável em atrações, mas poucos dias já dão dimensão de sua natureza, arte, história e gastronomia

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Salvador

A Folha estreia nesta quinta (11) '3 Dias em’, nova seção de reportagens que propõe roteiros turísticos de 72 horas por cidades brasileiras e internacionais. A curadoria da programação contempla uma variedade de experiências —históricas, culturais, gastronômicas e na natureza— que sintetizam o espírito dos destinos selecionados.

A capital baiana já pede atenção logo que o turista deixa seu aeroporto e cruza uma estrada abraçada por uma espécie de túnel criado por um bambuzal. Este é quase um anúncio de uma cidade que é feita de muitos estímulos —as cores do mar, do céu e das construções, a música que preenche as ruas, os temperos da rica culinária, o peso de um lugar que carrega o que há de melhor e pior da história do Brasil.

Ilha de Maré, que fica a cerca de 40 minutos do centro de Salvador
Trecho da Ilha de Maré, que fica a cerca de 40 minutos do centro de Salvador - Laura Lewer/Folhapress/Laura Lewer/Folhapress

É possível acessar parte disso em poucos dias e sabendo bem onde circular —e essa é a ideia desta série, que cria um roteiro para aproveitar ao máximo lugares turísticos em 72 horas— mas vale o alerta de que a capital baiana é inesgotável e vale muito mais do que isso. Confira, a seguir, dicas para viver um pouco de tudo em Salvador.

DIA 1

Sua manhã pode começar na simpática Mimu, cafeteria que fica logo na entrada do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, o Muncab —próxima atração deste roteiro sugerido.

Lá dentro, é possível experimentar cafés e comidinhas como a quiche de carne seca com banana e a torta de pernil, que aparecem em um menu rotativo. Para a sobremesa, vale apostar no munguzá ou nos bolos da casa.

Com a barriga forrada, siga para o museu dedicado à identidade e história negra. Atualmente, o Muncab sedia a mostra "Um Defeito de Cor", que usa o livro de Ana Maria Gonçalves como fio condutor para expor obras de uma centena de artistas negros, além de deixar à mostra seu acervo que ajuda a contar a história do tráfico de pessoas negras escravizadas, dos quilombos, das revoltas, da culinária, das festas populares e da religiosidade.

O museu está a uma caminhada de menos de cinco minutos do Elevador Lacerda, que fica na praça Thomé de Souza —dá para fazer uma paradinha para apreciar a vista para a Baía de Todos-os-Santos. De lá, duas opções são possíveis.

A primeira é descer pelo elevador e andar pelos corredores do Mercado Modelo, com centenas de lojas de lembrancinhas e comida. Outra é seguir direto para o Pelourinho, a poucos metros da praça, e passear pelas ladeiras, lojinhas, igrejas, restaurantes e a Casa do Carnaval da Bahia —se decidir conhecer a última, acompanhe a visitação guiada, que contextualiza os objetos expostos.

Para regar o passeio por um dos cartões-postais da cidade, pare no Cravinho e pegue uma garrafa da bebida que dá nome ao bar inaugurado em 1989 —esta versão leva cachaça, cravo, mel e limão, mas há outras opções de misturas, como as com casca de jatobá ou gengibre.

É bom caminhar sem rumo pelas ruas de pedra, mas há alguns pontos que pedem atenção especial. A Escola Olodum e a Fundação Casa de Jorge Amado, inaugurada na década de 1980 para preservar os acervos do escritor baiano, são exemplos.

A visita é gratuita e garante uma bela vista de cima da região —logo ao lado fica a varanda na qual Michael Jackson gravou o clipe de "They Don’t Care About Us", marcada por um boneco de papelão do cantor.

0Fundação Casa de Jorge Amado no Pelourinho, bairro da cidade de Salvador, na Bahia
Fundação Casa de Jorge Amado no Pelourinho, bairro da cidade de Salvador, na Bahia - Michel Martore/Michel Martore/Photo Press/Folhapress

Ali também está a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, fundada em 1685 por negros escravizados. Se estiver em Salvador numa terça-feira, vale chegar cedo para assistir à missa das 18h, que incorpora elementos da cultura africana e do candomblé.

Se também for a última terça do mês, siga em direção à Escadaria do Passo, a dez minutos de caminhada, para assistir a um show clássico da paisagem da capital soteropolitana. Num palco aos pés de vários degraus que viram arquibancada estará Gerônimo, dono da canção "É d'Oxum", que garante um delicioso começo de noite na cidade.

Cantor e compositor Gerônimo Santana se apresenta no Sesc Pompeia neste sábado
Cantor e compositor baiano Gerônimo, que toca na Escadaria do Passo - Tassia Catarina/Divulgação/Tassia Catarina/Divulgação

Logo ao lado, o bar A Marujada tem programação de rodas de samba e festas. Também dá para seguir a noite no Samba do Lázaro, mais distante, que acontece às sextas e começa às 22h.

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) - R. das Vassouras, 25, Centro Histórico, Instagram @muncab.oficial. Ter. a dom., das 10h às 17h (entrada até 16h30). R$ 20. A cafeteria funciona no mesmo horário

Mercado Modelo - Pr. Visc. de Cayru, s/n, Comércio, Instagram @mercadomodelobahia. Seg. a sáb., das 9h às 18h, e dom. e feriados 9h às 14h

Casa do Carnaval da Bahia - Pça. Ramos de Queirós, s/n° - Pelourinho, Instagram @casadocarnavaldabahia. Ter. a dom., das 10h às 18h (entrada até 17h). R$ 20 (meia-entrada para moradores, estudantes e idoso). Grátis às quartas-feiras

O Cravinho - Lgo. Terreiro de Jesus, 3, Pelourinho, Instagram @cravinhobar. Seg. à sex., das 11h às 20h. Sáb. e dom., das 11h às 19h

Escola Olodum - R. das Laranjeiras, 30, Pelourinho

Fundação Jorge Amado - R. das Portas do Carmo, 49/51, Instagram @casadejorgeamado. Seg. a sex., das 10h às 18h. Sáb., das 10h às 16h. Grátis

Missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Instagram @irmandadedoshomenspretos. Ter., às 18h

Gerônimo na Escadaria do Passo - Ladeira do Carmo, 24, Pelourinho, Instagram @geronimosantanaoficial. Últimas terças-feiras do mês

A Marujada - r. do Passo, 37, Carmo, Instagram @amarujada. Qua. a dom., a partir das 18h

Samba de São Lázaro - Lgo. de São Lázaro, Federação, Instagram @samba_do_sl. Às sextas, a partir das 22h

DIA 2

Chegue de manhã no Bar da Mônica, pertinho do Museu de Arte Moderna da Bahia, e garanta uma mesa com vista para o mar no píer de cimento —dá para ir a pé pela comunidade da Gamboa de Baixo ou em um barquinho (R$ 10 no dinheiro ou no Pix) na praia da Gamboa.

Bar da Mônica, em Salvador, que tem moqueca e vistas famosas na Gamboa
Bar da Mônica, em Salvador, que tem moqueca e vistas famosas na Gamboa - Divulgação/Divulgação

A dica é passar o dia inteiro por lá, revezando entre os petiscos, cervejas geladas (a partir de R$ 8) e mergulhos no mar —o acesso para a água é feito por uma escadinha, como numa piscina.

A moqueca é a prata da casa e aparece em preços a partir de R$ 19,90 e versões com banana-da-terra, polvo, camarão, lagosta ou peixe. Para beliscar, há porções como as de carne de sol (R$ 34,90) e peixe frito (R$ 29,90).

Vale ver o sol se pondo do bar, mas se quiser variar a paisagem uma ótima opção é voltar para a Gamboa e pegar outro barco, dessa vez em direção à prainha do Mam —cuidado para não perder a hora, pois o local costuma ser interditado quando escurece.

À noite, dedique algumas horas para explorar o charmoso Santo Antônio além do Carmo, com lojinhas e opções gastronômicas. Fãs de música encontram o paraíso em pontos como o Caveira Discos, loja recheada de LPs que guarda pérolas da música baiana e de terreiro e que dificilmente são achadas em outros cantos do Brasil.

Nero di sepia com vieiras seladas com molho beurre blanc de limão-siciliano, que sai a R$ 182 no restaurante Lafayette, em Salvador
Nero di sepia com vieiras seladas com molho beurre blanc de limão-siciliano, que sai a R$ 182 no restaurante Lafayette, em Salvador - Elder Almeida/Folhapress/Elder Almeida/Folhapress

Não vá embora sem passar pela lanchonete Travessa’s, que serve o que é conhecido como o melhor hot dog de Salvador por R$ 6. Se estiver com dinheiro, no entanto, pegue um carro em direção ao restaurante Lafayette e experimente, com vista para o mar e sob a árvore iluminada do lado de fora, pratos feitos com frutos do mar frescos.

Boas pedidas são o saboroso polvo à la gallega (R$ 118), com batatas, páprica, limão-siciliano e aioli e a massa nero di sepia com vieiras seladas em ponto perfeito com molho beurre blanc de limão-siciliano, que sai a R$ 182.

Bar da Mônica - R. Barbosa Leal, 31, Gamboa de Baixo, Instagram @bardamonica. Diariamente, das 9h30 às 18h

Prainha do Mam - av. do Contorno, s/n, Comércio

Caveira Discos - R. Direita de Santo Antônio, 119, Santo Antônio Além do Carmo, Instagram, @caveiradiscos. Ter. a dom.

Travessa’s Lanchonete - Tv. dos Perdões, 65 - Santo Antônio Além do Carmo

Restaurante Lafayette - Av. Lafayete Coutinho, 1.010, Comércio, Instagram @restaurantelafayette; Seg., das 12h às 15h30; Ter. e qua., de 12h às 15h30 e 17h às 22h30. Qui. a sáb., de 12h às 23h30; Dom., des 12h às 22h

Praia da Gamboa de Baixo, ao lado do Museu de Arte Moderna da Bahia é novo point dos soteropolitanos
Praia da Gamboa de Baixo, ao lado do Museu de Arte Moderna da Bahia, é point dos soteropolitanos; dali parte o barquinho para o Bar do Mônica e prainha do MAM - Franco Adailton

DIA 3

É o fim da viagem para Salvador e você pode passá-lo explorando mais de sua culinária e pontos turísticos ou aproveitando para conhecer uma das ilhas que formam a Baía de Todos-os-Santos.

Se a primeira ideia lhe agradar mais, não deixe de experimentar a culinária do Dona Mariquita, no Rio Vermelho. O restaurante tem um cardápio criado a partir de uma pesquisa profunda da culinária baiana e serve porções bem feitas do que chamam de cozinha patrimonial.

A poqueca do restaurante Dona Mariquita, em Salvador
A poqueca do restaurante Dona Mariquita, em Salvador - Divulgação/Divulgação

Aposte em opções como o mini acarajé com vatapá de inhame e vinagrete (R$ 50, com quatro unidades) para a entrada e prove a poqueca —uma moqueca assada na folha— com acaçá de leite (R$ 200) ou o ipeté, um bobó de camarão com creme de inhame (R$ 180). Os dois pratos servem duas pessoas. Para molhar o bico, experimente caipirinhas de sabores como tamarindo e seriguela por R$ 25.

Outro restaurante que vale a visita é a Cantina do Jullius, que há duas décadas serve a criação salame de polvo (R$ 81,90) —lâminas do molusco temperadas e servidas com pães.

Depois, passeie por pontos como a Basílica do Senhor do Bonfim, o mirante da Ponta do Humaitá e do Forte de Monte Serrat, a praia de Boa Viagem e termine o dia experimentando o famoso sorvete de coco verde na Sorveteria da Ribeira.

Se quiser passear por locais mais distantes, a Ilha de Maré é destino imperdível —mas o trajeto demanda tempo. A visita começa na praia de São Tomé de Paripe, de onde saem barcos em direção à ilha que cobram cerca de R$ 8 para cada parte do trajeto.

Vinte minutos depois, chega-se a praias como a das Neves e de Itamoabo, de águas cristalinas e tranquilas, que tem barraquinhas que servem caranguejos, peixes e pratos para o almoço. Coma por lá e fique até o fim do dia para se despedir de Salvador num pôr do sol visto do barco.

Dona Mariquita - R. do Meio, 178, Rio Vermelho, Instagram @donamariquita. Ter. a dom., das 12h às 17h

Cantina do Jullius - r. da Galiléia de Cima, 96, Roma, Instagram @cantinadojullius. Qua. e qui., das 12h às 17h. Sex. a dom., das 12h às 18h

Basílica do Senhor do Bonfim - Lgo. do Bonfim, s/n

Ponta do Humaitá e Forte de Monte Serrat - R. da Boa Viagem, 56

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