GILBERTO YOSHINAGA
WILLIAM CARDOSO
EMERSON VICENTE
DO "AGORA"

Cerca de mil pessoas procuraram nesta sexta (12) a unidade do Hospital Dia Rede Hora Certa da Penha (zona leste de SP), em busca da vacinação contra a febre amarela. De acordo com moradores locais, a fila se iniciou na madrugada e, pela manhã, a espera média era de quatro horas –às 16h30, o prazo tinha caído para duas horas e meia, segundo um funcionário.

"Moro em uma região onde há muito mato e lá a vacinação não começou. Não quero correr riscos e, por isso, vim para cá", contou o auxiliar administrativo Gabriel Garcia, 47, morador de Itaquaquecetuba (Grande SP), que tinha a senha de número 874.

"O governo diz que o risco de contrair a doença está só em determinadas regiões, mas não acredito. Essa doença é perigosa e mata muito rápido."

Febre Amarela

Com viagem marcada amanhã para Ubatuba (a 226 km de SP), a dona de casa Magda Mendes Conceição, 41, chegou à unidade perto das 17h com o marido, o professor Manoel Messias Conceição Júnior, 36. "Disseram que não estamos em grupo de risco e, por isso, temos que pegar receita em uma AMA [Assistência Médica Laboratorial] para conseguir a vacina", contou a mulher.

"Fico indignada com o desencontro de informações. Em cada lugar há um procedimento diferente", prosseguiu Magda. "Em Guarulhos, minha amiga não precisou de receita, só do RG. Inclusive, vamos para lá?", perguntou ela ao marido, antes de ambos se retirarem da fila –ainda sem a garantia de conseguirem a vacina.

MORTES

A febre amarela já provocou a morte de 21 pessoas no Estado de São Paulo desde o ano passado, segundo o balanço mais recente da Secretaria Estadual da Saúde, divulgado nesta sexta. Entre esses casos, cinco tiveram como origem a Grande São Paulo, todos na cidade de Mairiporã.

Segundo a secretaria sob a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Mairiporã contabilizou oito casos confirmados de pessoas que contraíram a febre amarela nos limites do município.

Também na sexta, a Secretaria Municipal da Saúde de Mairiporã disse, em nota, que há 42 casos suspeitos de contaminação na cidade, à espera da confirmação. Durante a semana, a cidade pediu ajuda ao governo estadual para combater a doença no município, com grande parte da área na serra da Cantareira.

A secretaria diz que, desde julho de 2016, foram encontrados 2.491 macacos mortos no Estado, sendo que 617 animais estavam infectados pelo vírus da febre amarela. O macaco infectado serve de alerta para as autoridades de que o vírus da doença está circulando na região. O animal não transmite a doença.

CAPITAL

A morte do comerciante Adilson Tadeu Esteves Cipriano, 48, na última terça-feira, ainda não aparece entre as confirmadas na sexta pela secretaria estadual, embora a família da vítima tenha afirmado que ele apresentou os primeiros sintomas após passar o fim de ano na casa da irmã, na serra da Cantareira, na zona norte.

O Hospital Leforte, onde Cipriano morreu, atestou que ele teve o diagnóstico confirmado de febre amarela.

A secretaria estadual leva em consideração na estatística apenas o local onde a vítima foi contaminada pelo vírus. Por esse motivo, Guarulhos também está fora da lista oficial de mortes da secretaria, embora o comerciante Roberto Francisco, 69, seja morador da cidade e tenha morrido em decorrência da doença no dia 25 de dezembro.

Ele foi infectado em uma chácara na divisa entre Mairiporã e Nazaré Paulista (63 km de SP), e ficou em tratamento em hospital na capital.

A autoridades da Saúde afirmam que não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942.

Crédito: Editoria de Arte/Folhapress

NO RIO

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) do Rio de Janeiro confirmou nesta sexta a primeira morte por febre amarela no Estado neste ano. A vítima foi um morador de Teresópolis, na região serrana. Um outro paciente, da cidade de Valença, está internado, mas a secretaria não informou seu estado de saúde.

Os dois casos foram confirmados após exames laboratoriais realizados pela Fundação Oswaldo Cruz, na quinta (11), segundo a pasta.

A secretaria também informa que a cobertura da vacina em Teresópolis e Valença é superior a 80%. "A SES já disponibilizou doses suficientes para vacinar 100% da população das duas cidades e recomendou às prefeituras que intensifiquem a vacinação, especialmente nas áreas de mata", diz a nota.

Desde julho do ano passado, 92 cidades do Estado foram incluídas na área de recomendação da vacina e a campanha de vacinação permanece. De acordo com a secretaria fluminense, foram diagnosticados 27 casos de febre amarela no Estado em 2017, com nove mortes.

"A secretaria iniciou a criação de cinturões de bloqueio, recomendando a vacinação contra a febre amarela principalmente em municípios de divisa com Espírito Santo e Minas Gerais, áreas de risco para a doença", diz a pasta.

A campanha de vacinação fracionada no Rio será de 19 de fevereiro a 9 de março.

300 MIL

Mais de 300 mil pessoas já participaram da campanha de vacinação contra a febre amarela na capital paulista desde o início do ano, segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Há um mês, apenas a zona norte participava da campanha de vacinação na capital, por ter a população mais exposta aos riscos de contaminação. Já são quase 1,3 milhão de pessoas vacinadas somente na região, sendo 109 mil só neste ano.

Na zona sul, a campanha teve início apenas em 21 de dezembro e, até o dia 29 do mês passado, mais de 107 mil pessoas já tinham sido vacinadas. Com a volta do feriado, entre 3 de janeiro e esta sexta, foram aplicadas quase 190 mil vacinas nos postos de saúde da região.

A zona oeste foi a última entre as três a entrar na campanha de vacinação da prefeitura, com apenas três postos, em 26 de dezembro. Desde o início do ano, 25.419 receberam a dose contra a febre amarela na região.

PLANTÃO

A prefeitura da capital vai abrir hoje 17 postos de vacinação contra a febre amarela nas zona norte, sul e oeste.

Na zona norte, onde a campanha de vacinação começou em outubro, os postos ficarão abertos das 8h às 17h. Nas outras duas regiões, quem estiver em busca da vacina poderá procurá-la das 7h às 19h, de acordo com a gestão de João Doria (PSDB).

Na Grande São Paulo também haverá vacinação, em Mairiporã –que concentra os casos confirmados de morte em decorrência da doença na região. A prefeitura diz que 90% já foram vacinados na cidade.

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