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Ribeirão Preto

Assoreamento prejudica transporte e afeta geração de energia no Tietê

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O assoreamento no rio Tietê, em Barra Bonita (267 km de SP), pode paralisar o transporte na hidrovia mais importante do país, a Tietê-Paraná, responsável pelo escoamento de mais de 6 milhões de toneladas de grãos.

A paralisação do transporte é apontada por pesquisa da Unicamp (Universidade de Campinas). Segundo o mesmo estudo, a geração de energia também pode ser afetada.

Desenvolvida desde 2010, a pesquisa detectou que, no trecho que compreende o reservatório da usina de Barra Bonita (267 km de São Paulo), a profundidade do rio já diminuiu 12 metros em menos de cinco anos.

Segundo o orientador da pesquisa e professor de engenharia da Unicamp, Tiago Zenker Gireli, o local onde está o assoreamento é conhecido como área de volume útil. Lá, a água é acumulada, o que favorece a geração de energia.

"Com o assoreamento, essa parte do reservatório perde a capacidade de armazenar água, e consequentemente, gera menos energia', disse Gireli, que é engenheiro civil e eletricista.

A diminuição na profundidade do rio já está afetando a passagem das barcaças. De acordo com o departamento hidroviário do Estado, a capacidade de cada barcaça era de quatro chapas. Agora, carregam apenas uma de cada vez.

Divulgação
Vista da barragem no rio Tietê, em Barra Bonita (SP); pesquisa aponta que assoreamento pode paralisar o transporte na hidrovia
Vista da barragem no rio Tietê, em Barra Bonita (SP); pesquisa aponta que assoreamento pode paralisar o transporte na hidrovia

"A quantidade de grãos escoada não diminuiu porque as barcaças estão fazendo maior número de viagens. Mas o custo aumentou", disse Casemiro Tercio, diretor do departamento hidroviário de São Paulo, vinculado à Secretaria de Estado dos Transportes.

O assoreamento é resultado de substâncias domésticas, industriais e da construção civil trazidas pelo rio. Por ser um lago, a velocidade da água diminui ao chegar no reservatório, assim os sedimentos se acumulam no fundo. Barra Bonita é a primeira das cinco barragens do Rio Tietê, em São Paulo.

Por isso, recebe o maior número de depósitos de sedimentos. O projeto do governo prevê a dragagem desse depósito que está no fundo do rio, tornando o trecho mais raso.

Para o pesquisador da Unicamp, esse trabalho é um risco para o ambiente. "São lixo e metais pesados que estão no fundo do rio há pelo menos dez anos, parados. Mexer nisso, pode poluir a água", afirmou Gireli.

Segundo ele, além desse problema, a dragagem é uma solução paliativa. "Daqui a dois anos, será necessária uma nova limpeza."

A profundidade mínima exigida na hidrovia é três metros. "Nesse trecho [Barra Bonita], a hidrovia só funciona de forma plena seis meses por ano, na época das chuvas, e a tendência é que isso piore com o aumento do assoreamento", afirmou Gireli.

Em comparação com o transporte rodoviário, a hidrovia otimiza custos. Um comboio de quatro chapas pode transportar o equivalente a 180 caminhões.

Editoria de Arte/Folhapress

INVESTIMENTO

Uma obra de R$ 20 milhões que espera uma licença ambiental para começar deve resolver o problema do assoreamento na barragem de Barra Bonita, segundo Casemiro Tercio, diretor do departamento.

"Esse investimento prevê desassorear totalmente o reservatório de Barra Bonita e fazer um trabalho de manutenção, uma prevenção antes que o assoreamento recomece", disse o diretor.

A licitação deve ser lançada ainda neste mês. Se a licença ambiental for concedida, a obra começa no segundo semestre.

O assoreamento, segundo o diretor, foi percebido em 2009, quando os técnicos começaram a dimensionar o problema e projetar a solução. "De 2009 até agora o volume de assoreamento já foi multiplicado por dois", disse.

São três trechos na barragem, chamados de Botucatu, Anhembi e Concha.

As obras de desassoreamento começarão, segundo o departamento hidroviário, no segundo semestre, no Anhembi, o mais prejudicado. Projetos para Botucatu e Conchas já estão sendo elaborados com orçamento de R$ 2,5 milhões.

A alternativa que está sendo testada agora pelos pesquisadores da Unicamp é diminuir o assoreamento futuro, evitando que não aconteça dentro do canal de navegação.

"Os sedimentos ficariam às margens do canal. A limpeza poderia ser feita com uma retroescavadeira, das margens do rio, sem a necessidade de embarcações flutuantes", disse o pesquisador.

Segundo ele, essa limpeza tem custos menores que a feita atualmente, e vida útil maior. "Poderia ser repetida de 15 em 15 anos", disse.

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