Mundo
18/04/2008 - 09h34

Análise: Seja McCain, Obama ou Hillary, tropas dos EUA sairão do Iraque

Publicidade

PETER GRAFF
da Reuters, em Bagdá

Os pré-candidatos democratas, Hillary Clinton e Barack Obama, defendem que querem retirar as tropas norte-americanas no Iraque o mais rápido possível. O provável candidato republicano John McCain diz que manterá os soldados lá por quanto tempo for necessário.

Em relação ao Iraque, isso faz pouca diferença.

"Eles [candidatos] não estão tão separados, não importa o que digam", defende o professor Gerd Nonneman, professor de políticas do Oriente Médio na Universidade de Exeter.

"Todos querem uma retirada e não vêem um compromisso dos EUA além dos acordos normais de assistência que o país tem com muitos países ao redor do mundo", diz.

Quem poderá ser mais afetado por uma retirada rápida das tropas norte-americanas do Iraque são os líderes iraquianos apoiados pelos EUA. Mas eles dizem que não estão alarmados pelo prospecto de um democrata na Casa Branca.

"Não importa quem estiver na Casa Branca, haverá um ajuste na estratégia, uma modificação, mas não uma mudança revolucionária ou uma distorção completa do que tem sido feito lá", diz o ministro de Relações Exteriores no Iraque, Hoshiyar Zebbari, à Reuters.

A força da tropa "será decidida pelos comandantes em campo, será um processo guiado pelas condições locais e não promessas eleitorais", afirma Zebbari.

Os iraquianos estão preparados até para aceitar o calendário de retirada de Obama --o mais explícito com um pedido de remoção de quase todas as forças de antiterrorismo até o meio de 2010-- desde que seja feito gradualmente, disse o porta-voz do governo iraquiano Ali al Dabbagh.

"Se a retirada for organizada e feita perante consenso, então não representará nenhum problema", disse Dabbagh à Reuters.

Queda nos números

Os números das tropas norte-americanas no Iraque já estão diminuindo e é improvável que voltem ao nível do ano passado, quando uma leva de tropas extras foi enviada ao país.

As Forças Armadas dos EUA estão em um ponto fundamental. Washington tem agora 160 mil soldados no Iraque, número que deve cair para 140 mil em julho, quando 5 em cada 20 soldados voltam para casa.

O comandante das forças norte-americanas no Iraque, general David Petraeus, disse, em recente audiência no Senado, que não vê possibilidade de uma retirada antes de setembro.

Mesmo depois destas tropas voltarem para casa, ainda restarão 15 brigadas de combate no Iraque, mais 2 no Afeganistão.

Especialistas militares dizem que, para providenciar treinamento e descanso adequado aos soldados, Washington precisa cortar a missão do Iraque para cerca de 12 brigadas.

"Não importa a estratégia de quem estiver na Casa Branca, nós vamos sair, simplesmente levados pelas condições militares", afirma o major Robert Scales, ex-comandante do colégio militar.

"O único ponto de discussão é o tempo no qual esta retirada será feita", completa.

O plano militar dos EUA no Iraque sempre foi devolver gradualmente o território às forças iraquianas, retirando as tropas norte-americanas para uma posição de "vigilância", da qual eles poderiam oferecer conselhos, apoio e suporte aéreo, mas não se envolver nas patrulhas diárias.

Metade das 18 Províncias iraquianas foram devolvidas. Em regiões sunitas, onde as forças norte-americanas são mais ativas, comandantes dizem querer pressionar para novas transferências.

Anbar, que já foi a Província mais violenta no Iraque, poderia tornar-se a primeira Província sunita devolvida aos iraquianos.

O chefe das tropas dos EUA em Bagdá disse à Reuters que os comandantes esperam transferir o controle da capital para os iraquianos dentro de um ano.

Mesmo que as tropas saiam do país, não importa quem será o novo presidente, um fato de consenso entre os militares é que a agenda de Obama para a retirada está muito além de seus planos reais.

"Ninguém está esperando um cenário tão otimista que permita a retirada total daqui a 16, 18 meses", disse um militar norte-americano em Bagdá. "As pessoas que esperam muito do Iraque tendem a se surpreender, e não de um bom jeito", conclui.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca