Descrição de chapéu desmatamento

Em janeiro, Amazônia tem queda de cerca de 70% nos alertas de desmate

Janeiro faz parte do periódo chuvoso no bioma, no qual há menos destruição; Defesa associa queda à ação de militares

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São Paulo

O desmatamento na Amazônia em janeiro teve queda de cerca de 69,5%, segundo dados do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que dá alertas de desmate praticamente em tempo real.

A considerável redução ocorre, contudo, sobre o recordista janeiro de 2020, com mais de 280 km² de desmate. O Inpe registrou cerca de 85,7 km² de destruição em janeiro de 2021, o menor valor desde 2017.

O janeiro na região Amazônia faz parte da estação chuvosa do bioma, o que dificulta a derrubada e queima de mata, que têm aumento considerável especialmente no período entre junho e outubro.

Em nota, o Ministério da Defesa, associa a redução à ação do Conselho Nacional da Amazônia Legal via Operação Verde Brasil 2. Porém, os militares estão em ação na Amazônia desde maio de 2020. Nesse período, o desmatamento continuou elevado, inclusive com dados recordes, como no próprio mês de maio e junho.

Quedas no desmate no período se deram sobre alguns meses de recordes, como julho de 2019, no qual foi registrado mais de 2.000 km² de destruição.

Além disso, mesmo com a presença do exército na floresta nos meses críticos de destruição do segundo semestre de 2019 e do primeiro de 2020, o desmatamento na Amazônia voltou a ser recorde na década, com 11.088 km² devastados. O registro de desmate pelo Inpe é feito de agosto de um ano até julho do ano seguinte.

À Reuters, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, disse que a explicação mais plausível para a queda são chuvas na região, não a atuação do Exército.

Recentemente, Hamilton Mourão, vice-presidente e chefe do Conselho da Amazônia, anunciou o fim da Operação Verde Brasil 2 a partir 1º de maio. De 15 de maio de 2020 a 30 de janeiro deste ano, a operação custou cerca de R$ 400 milhões, valor muito superior ao orçamento do Ibama para fiscalização ambiental em todo o país.

Segundo Mourão, ao longo da ação dos militares, verificou-se a concentração de crimes ambientais, como desmate ilegal, em um conjunto de municípios. O vice-presidente não informou quais. Os dados disponibilizados semanalmente pelo Inpe permitem a verificação dos municípios com maiores taxas de desmatamento.

Especialistas consideram positiva a retirada dos militares das ações de fiscalização na Amazônia, considerando o custo e a efetividade questionável da mesma. Além disso, destacam que a atividade de fiscalizar cabe os órgãos ambientais que já possuem experiência na área.

O Exército, de toda forma, poderia ser usado para dar apoio a determinadas ações em campo.

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