Quero que meninas vejam que é possível chegar a posição de destaque, diz Manu Buffara

Paranaense foi eleita a melhor chef mulher do continente pelo Latin Americas 50 Best Restaurants

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A chef paranaense Manoella Buffara fez sua Curitiba natal ganhar atenção na gastronomia nacional desde que abriu seu restaurante, o Manu, em 2011. Agora, coloca sua cidade —e sua cozinha criativa— no foco de toda a América Latina.

Recém-eleita a melhor chef mulher do continente, segundo a premiação do Latin America’s 50 Best Restaurants, Manu, como é conhecida, está prestes a espalhar seu nome também pelo mundo.

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A chef paranaense Manoella Buffara - Divulgação

De presenças em eventos e simpósios no mundo todo a um menu para um hotel de luxo nas Maldivas, ela é a chef brasileira com maior representatividade internacional na atualidade.

A abertura de um novo restaurante em Nova York (o Ella deve ser inaugurado no segundo semestre de 2023) e o lançamento de um livro sobre seu restaurante pela famosa editora Phaidon são prova dessa projeção global.

"Há muito, muito trabalho por trás disso tudo", afirma a chef. "São longas horas em pé tentando achar o ponto certo de cada cozimento", garante.

Manu tem duas filhas, Helena e Maria, e diz querer mostrar a elas que é possível chegar a posições de destaque.

A chef diz que há um descompasso no reconhecimento de chefs mulheres. "Não devia fazer diferença se sou mulher ou homem", afirma. E garante que se posicionar no mercado é, também, uma forma de garantir maior equilíbrio. "Trabalho para que isso deixe de ser um assunto".

Leia abaixo a entrevista que a chef concedeu para a Folha.

Como é ser reconhecida como a melhor chef mulher da América Latina?

Esse prêmio é, para mim, uma janela para falarmos da importância de conhecer o alimento local, buscar ingredientes frescos, de qualidade, que cresçam perto de onde você vive. Meu trabalho é sobre isso, e ganhar esse prêmio é poder usar esse megafone para chamar a atenção para a qualidade do que temos perto de nossa casa, da maneira como devemos ver e cuidar do nosso entorno.

Fico muito feliz de receber esse prêmio e que minhas filhas e todas as meninas e mulheres vejam que é possível chegar a uma posição de destaque. Ganhei esse palco dos 50 Best e quero usá-lo para ser exemplo para muitas mulheres, meninas e toda sociedade, de que através da alimentação podemos mudar uma nação.

Ganhar o prêmio de melhor chef mulher tem um valor diferente no mundo da cozinha em que as oportunidades ainda não são tão iguais?

Sei que as oportunidades não são tão iguais, mas em muitas outras áreas também sofremos com isso. Então, para eu chegar aqui é fruto de muito trabalho, perseverança, longas horas em pé tentando achar o ponto certo de cada cozimento. Não acho que o esforço, a busca pelo melhor, é algo ligado a um gênero.

Não devia fazer diferença se sou mulher ou homem. Sim, há um descompasso no reconhecimento de chefs mulheres, mas a nós cabe fazer nosso trabalho, dar o nosso melhor. Quem criou essa confusão que trate de acertar esses ponteiros.

Eu seguirei fazendo o meu melhor e torcendo para que haja mais equilíbrio na premiação de chefs mulheres e homens, e que isso deixe de ser um assunto.

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Manoella Buffara, escolhida melhor chef mulher da América Latina - Divulgação

Acredita que a América Latina está ganhando representatividade perante a gastronomia mundial?

Claro! Cada vez mais ganhamos mais representatividade no mundo, aumentamos o interesse por nossos produtos, por nossos chefs. Acredito que temos um futuro incrível pela frente. Seja em Nova York ou nas Maldivas, estamos indo para mostrar nossa cultura e nossa comida.

Quero contar minha história através do meu trabalho. Muitos chefs da América Latina já estão abrindo suas portas na Europa. Estados Unidos e Ásia também e isso é ótimo.

Como fazer a gastronomia latino-americana ganhar mais valor?

Através das nossas pessoas, através de cada chef e cozinheira que temos no nosso continente, que é tão rico. Temos ainda muito o que mostrar e fazer, não apenas com a gastronomia, mas também com o turismo, com arte e com cultura, porque tudo isso está intrinsecamente ligado à alimentação

Como vê a importância para a cozinha brasileira de ganhar um prêmio como esse?

Tenho certeza de que este prêmio é para todos os brasileiros que, assim como eu, acreditam no nosso país, não só pela gastronomia que temos, mas por tudo o que ela envolve. Acredito muito no Brasil, no seu potencial e todos os cozinheiros, cozinheiras, produtores, nossos produtos. Somos maiores juntos.

Temos que voar e, para fazer esse voo ser perfeito, precisamos de muitas andorinhas porque, como dizem, uma só faz verão.

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