Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Papa Francisco telefona e conversa com mãe de Marielle Franco

Pontífice também tentou contato com a filha da vereadora

Grande foto de Marielle Franco é colocada em muro de escadaria no Rio
Grande foto de Marielle Franco é colocada em muro de escadaria no Rio - Rahel Patrasso-21.mar.18/Xinhua
São Paulo

O papa Francisco conversou por telefone com a mãe da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14. A informação foi divulgada na página do Twitter da Fundación Alameda, liderada por Gustavo Vera, amigo pessoal do pontífice. 

De acordo com a postagem, o papa procurou os familiares de Marielle após Vera encaminhar-lhe uma carta da filha da política, Luyara.

Em um primeiro momento, ele tentou contato com a jovem, sem sucesso. Contudo, conseguiu encontrar Marinete, mãe da vereadora, e falou com ela por ele telefone.  

 

Investigação

Na terça-feira (20), milhares de manifestantes participaram de um ato multirreligioso em frente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro em memória à Marielle e ao motorista Anderson Gomes, assassinada no dia 14. 

A cerimônia contou com a presença de lideranças religiosas como Iyá Wanda de Omolu, frei Leonardo Boff, o rabino Nilton Bonder e o pastor Mozart Noronha. O evento encerrou uma passeata que partiu de ato em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, e engrossou as manifestações em homenagem à vereadora que ocorreram no país todo na última semana.

Marielle foi morta por volta das 21h30 do dia 14 no bairro do Estácio, no centro do Rio, após deixar um encontro com mulheres negras. O veículo em que ela estava foi alvejado por tiros disparados de outro carro. O motorista da vereadora, Anderson Gomes, 39, também morreu.

Os criminosos fugiram sem roubar nada, indício de que o crime foi premeditado. Segundo o chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, a morte pode ter sido uma "execução", mas a investigação segue sob sigilo.

A apuração já concluiu que a munição utilizada no assassinato da vereadora e do motorista foi comprada pela Polícia Federal em 2006 e pertence ao mesmo lote encontrado na maior chacina da história do estado de São Paulo, em 2015. O ataque deixou 17 mortos nas cidades de Barueri e Osasco.

A morte da vereadora ocorreu dois dias antes de a intervenção federal na segurança pública do Rio completar um mês. A medida, inédita, foi anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro, com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe dos forças de segurança do estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado. 

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente no ano passado 134 policiais militares foram assassinados no estado.

Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu –estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.

Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros estados com patamares ainda piores.

No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

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