Ato contra aumento da tarifa de transporte tem violência na av. Paulista

Confronto com a PM ocorreu ainda na concentração; manifestante e fotógrafo ficaram feridos

Mariana Zylberkan
São Paulo

A segunda manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo teve confronto com a polícia ainda na concentração na praça do Ciclista, na avenida Paulista, no fim da tarde desta quarta-feira (15).

No total, 14 pessoas foram detidas durante e após o ato. Todas foram encaminhadas ao 2º DP, onde as ocorrências foram registradas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ainda durante a manifestação, a polícia encontrou com um casal que resistiu à abordagem e que portava bombas caseiras, um coquetel molotov, uma garrafa de vidro e pedras. 

Ainda de acordo com a polícia, outras cinco pessoas foram detidas por porte de entorpecente, e sete por desobediência. De acordo com o Major Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, depois do fim do protesto, um grupo de cerca de 60 pessoas teria dado os braços e fechado a rua da Consolação. Os policiais só conseguiram deter sete, que foram encaminhados à delegacia. 

Segundo a SSP,  três pessoas - o casal e um terceiro detido - foram indiciadas por desobediência, resistência e posse de artefato explosivo. Elas foram encaminhadas à audiência de custodia. Os demais detidos foram liberados sem acusações. 

Quando os policiais tentavam deter o homem que portava um coquetel molotov, também segundo o Major Massera, ele teria resistido e entrado no meio da multidão, o que motivou o uso de balas de borracha e bombas de gás por parte da PM. Um dos disparos atingiu o fotógrafo Daniel Arroyo, do site Ponte Jornalismo, na perna. 

"A gente lamenta muito que ele tenha sido ferido. O trabalho da imprensa não só é valorizado, mas é protegido, por isso lamentamos o que aconteceu", diz o porta-voz. 

Policial dispara contra integrantes do Movimento Passe Livre, em protesto contra o aumento da tarifa na av. Paulista - Taba Benedicto/Folhapress

Os manifestantes relataram terem sido alvos de bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha da PM antes da passeata. “Estávamos sentados no chão, no começo do jogral, quando fomos agredidos”, disse uma das líderes do movimento Gabriela Dantas. 

No primeiro ato contra o aumento, no dia 10 de janeiro, os líderes do movimento queriam terminar a protesto na praça do Ciclista, mas o comando da Polícia Militar fez um cordão de isolamento e impediu que seguissem.

O protesto terminou em vandalismo, com duas agências bancárias da Caixa Econômica e uma do Itaú com as vidraças depredadas na avenida. Em jogral, os manifestantes prometeram que, em represália, iriam começar o próximo protesto na praça do Ciclista.

Nesta quarta, os oficiais também não deixaram o ato prosseguir pela avenida Paulista. A manifestação, então, desceu a rua da Consolação e se dispersou cerca de duas horas depois na praça Roosevelt. 

Assim com no protesto do dia 10, três oficiais da PM foram destacados para mediar o trajeto do ato com líderes do MPL. “A violência no começo do ato mostra que essa mediação é apenas midiática. Não há diálogo. Mas vamos continuar a protestar contra esse aumento abusivo”, disse Gabriela. 

A Polícia Militar afirmou que as abordagens e técnicas policiais utilizadas seguiram os protocolos internacionais para o controle de multidões. 

"Em relação às denúncias contra a ação dos PMs, policiais do batalhão da área foram até o local da manifestação para colher depoimentos e adotar as providências necessárias ao esclarecimento do caso", afirmou nota da Secretaria de Segurança Pública.

A Folha tentou por duas vezes falar com um dos mediadores, o capitão Luciano, na quarta, mas não foi atendida. 

Segundo o Movimento Passe Livre, o ato reuniu cerca de 1.000 pessoas. A PM não fez uma estimativa. Eles criticam os índices de reajuste usados pelos governos municipal e estadual, além de defenderem o fim da cobrança de tarifas para usar o transporte público.

No fim do ano passado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou o aumento da tarifa do transporte municipal de R$ 4 para R$ 4,30. 

No início deste ano foi a vez do governador João Doria (PSDB) determinar o mesmo reajuste para a passagem nos trens da CPTM e do metrô.

De acordo com a prefeitura, o índice de aumento, de 7,5%, ficou acima da inflação registrada em 2018, de 3,5%, devido ao congelamento da tarifa nos dois anos anteriores.

Em 2017, o governador Doria estava em seu segundo ano a frente da prefeitura paulistana e já era cotado para representar o PSDB na disputa eleitoral pelo governo de São Paulo.

Em 2016, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) aumentou a passagem de R$ 3 para R$ 3,20 o que não absorveu a inflação no período, segundo a atual gestão tucana. 

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