Descrição de chapéu Obituário José Ruy Sampaio (1936 - 2020)

Mortes: Respeitável cirurgião, adotou o codinome Zé do Vinho

Médico e degustador, abriu importadora de vinhos no Brasil dos anos 1970

São Paulo

Até 1990, quando houve uma grande flexibilização nas importações, era muito difícil, no Brasil, beber bons vinhos estrangeiros, num mercado dominado por poucas marcas e vinhos baratos de grande volume.

Uma pioneira exceção a este quadro surgiu em 1975, quando o médico ortopedista José Ruy Sampaio uniu-se ao amigo José Eduardo Solari (com a adesão, anos depois, do arquiteto Miguel Juliano) para abrir a importadora Maison du Vin, dedicada exclusivamente a grandes vinhos.

Imagem de José Ruy Sampaio, de paletó e camisa social, com adega ao fundo e duas taças de vinho sobre a mesa
José Ruy Sampaio, mais conhecido como Zé do Vinho - Reprodução/YouTube

“Sempre tive a impressão de que vendiam vinhos apenas para atingir volumes que justificassem a importação para eles mesmos”, diz Ciro Lilla, industrial que anos mais tarde faria algo parecido, ao especializar a importadora Mistral em vinhos de qualidade.

“Brilhante degustador, talentoso cozinheiro amador, colaborador das revistas gastronômicas Gula e Gosto, que editei, era uma figura maravilhosa”, diz o jornalista J. A. Dias Lopes, lembrando ainda de um artigo em que o médico relatou uma degustação inesquecível —a do Livadia Muscat Branco 1905, que pertenceu à adega do último czar da Rússia, Nicolau 2º (1868-1918).

Nascido em Rio Claro (SP) em 1936, Sampaio estudou medicina na Federal do Rio de Janeiro e especializou-se em cirurgia de coluna (fez mais de 2.000). No blog Zé do Vinho, contou que, nas viagens profissionais pela Europa, América do Norte e Ásia, preencheu “os pequenos tempos vazios” com seu “hobby favorito, buscas constantes das riquezas das gastronomias locais, envolvendo necessariamente seus vinhos”.

Nos últimos anos o Sampa (como o chamavam os amigos), já afastado da rotina diária dos hospitais onde militou (começando pela residência na Santa Casa de São Paulo, em 1962), dava palestras sobre vinhos, além de um curso no YouTube, no canal Zé do Vinho.

“Também não faltava aos almoços de sexta-feira com os amigos, e a ver os netos, aos quais estava cada vez mais ligado”, conta a filha Patrícia, que lembra como o alegrava receber os frequentes emails de pacientes relatando seu bom estado de saúde mesmo décadas depois de operados.

Após uma vida quase inteira sorvendo belos vinhos e cultivando amigos e de três semanas do hospital sob ataque da Covid-19, Sampaio morreu na sexta (10), aos 83. Deixa a mulher com quem viveu 46 anos, Ana Maria, os filhos, Luis e Patrícia, e quatro netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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