Descrição de chapéu Obituário Maria do Carmo Murano (1961 - 2020)

Mortes: Artista do riso, interpretou a vida com intensidade

Maria do Carmo Murano integrou o grupo Os Parlapatões

São Paulo

Maria do Carmo Murano era pequenina, mas carregava em si grandeza na irreverência, alegria e na generosidade. O lado intenso e temperamental dava o equilíbrio perfeito a quem veio ao mundo com a missão de encantar e se divertir.

Espontaneidade a representava bem. Não se calava quando sabia ser dona da razão e falava o que tinha vontade.

Se algo a irritava, dizia “já deu, né?” e permanecia brava. Ela era debochada, engraçada e dona de um humor ácido. Vivia rodeada de amigos. Carmo tinha o dom de fazer com que as pessoas sentissem vontade de estar ao seu lado.

Ela interpretou a vida com intensidade. Distribuiu e roubou gargalhadas dos amigos e da família.

Maria do Carmo Murano (1961-2020)
Maria do Carmo Murano (1961-2020) - Arquivo pessoal

Paulistana, era a mais nova de cinco filhas. Morou em bairros como Butantã e Pinheiros (zona oeste). Carmo nasceu atriz e optou por se especializar na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP.

Talentosa, encantou multidões nos teatros por onde passou. Carmo integrou o grupo Os Parlapatões, que trabalha com a comédia, o circo e teatro de rua.

Fora dos palcos, dominava o artesanato. Sabia pintar e restaurar móveis, fazia colagens e imãs de geladeira. Sua casa era um escritório de criatividade.

Na cozinha, libertava a feiticeira que se abrigava em meio aos seus múltiplos talentos. Conhecia temperos, aromas e condimentos. Pães eram sua especialidade.

Foi Carmo quem apresentou o mundo atrás das cortinas de um teatro à sobrinha, a jornalista Bia Murano, 41.

“Minha tia é atriz. Como eu tinha orgulho de dizer estas palavras desde pequenininha. A Carmo me apresentou um mundo mágico, o mundo dela, o mundo das artes. Quantos ensaios eu acompanhei, em quantas coxias me sentei enquanto ela se apresentava. Conheci aquele clima festivo dos camarins e aprendi que falar “merda” era pra dar sorte”, conta Bia.

Carmo mostrou a simplicidade da vida com humor. Boa de narrativa, sabia contar histórias para divertir as pessoas.

Maria do Carmo Murano morreu dia 24 de junho, aos 58 anos, de câncer no pulmão. Deixa quatro irmãs, sobrinhos e sobrinhos-netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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