Guedes diz que isenção para armas no meio da pandemia causou 'interpretações infelizes'

Ministro afirma que custo anual da medida, de R$ 200 milhões, é baixo e não viola ações da pasta

Brasília

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta sexta-feira (11) que a isenção do imposto de importação sobre armas de fogo, anunciada pelo governo nesta semana, gerou ‘interpretações infelizes’, com questionamentos sobre a necessidade da medida enquanto o país precisa de vacinas contra o novo coronavírus.

De acordo com o ministro, ao zerar a tarifa de importação para armas, o governo deixará de arrecadar R$ 200 milhões por ano. Para ele, o valor é muito baixo e não ameaça as contas públicas.

“O momento dá interpretações infelizes, sim. Você fala 'pô, na hora que estão precisando de vacina, você está facilitando arma'”, disse. Ele, no entanto, defendeu a medida.

Guedes coloca a mão esquerda na cabeça
Paulo Guedes, ministro da Economia - Pedro Ladeira/Folhapress

Guedes explicou que o presidente Jair Bolsonaro tem uma pauta, desde a campanha eleitoral, contra o desarmamento da população. Segundo ele, a medida não viola ações do Ministério da Economia, porque a pasta é a favor da redução de tarifas e também baixa os impostos de importação de outros produtos, como o arroz.

Em mensagem nas redes sociais ao anunciar a redução, Bolsonaro disse que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) zerou nos últimos meses impostos para a importação de 509 produtos, entre eles arroz, soja, milho e produtos médicos relacionados ao combate ao novo coronavírus e ao câncer.

A isenção do imposto de 20% para importação de armas foi alvo de críticas de entidades de pesquisadores da área da segurança pública.

Em geral, os especialistas criticam a falta de estudos técnicos que embasam a medida e o fato de o governo federal abrir mão de receitas em meio à crise provocada pela pandemia da Covid-19.

O Ministério da Economia, em nota, disse que a proposta "visa a atender aos objetivos das políticas nacionais de comércio exterior, de forma a ampliar a oferta e a diversidade de produtos no país, além de aumentar a concorrência no mercado interno."

O Instituto Sou da Paz afirmou que vê a isenção de impostos com enorme preocupação, dada a situação econômica do país. “A flexibilização ao acesso a armas de fogo é apenas uma prioridade e um compromisso pessoal do presidente que em nada contribui para o enfrentamento da crise sanitária. Quem ganha certamente não é a população, mas outros interesses que se beneficiam de tamanha flexibilização”, diz a entidade.

A fabricante brasileira Taurus, que é impactada pela medida, comunicou ao mercado que “lamentavelmente essa medida irá acelerar o processo de priorização de investimentos nas fábricas nos EUA e na Índia, em detrimento aos investimentos que iriam gerar empregos e riqueza no Brasil”. A empresa ressaltou que o mercado nacional representa menos de 15% das vendas.

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