Bolsonaro nomeia militar para segundo maior cargo do ministério da Educação

Tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira era assessor especial no FNDE

São Paulo e Brasília

Um militar foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para ser o “número 2” do MEC (Ministério da Educação). O cargo de secretário-executivo será ocupado por Ricardo Machado Vieira. 

Ricardo Machado Vieira, novo secretário-executivo do Mec
Ricardo Machado Vieira, novo secretário-executivo do Mec - Reprodução/Linkedin

A nomeação de Vieira foi publicada na edição desta sexta-feira (29) do Diário Oficial da União. A posição estava vaga desde o dia 13 deste mês.

O novo "número 2" do MEC ocupava até fevereiro deste ano a função de assessor especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão também ligado ao ministério da Educação é responsável, entre outras funções, pela aquisição de livros didáticos para as escolas públicas. 

Vieira é tenente-brigadeiro. Na carreira militar, já chegou a ocupar o posto de chefe do Estado-Maior da Força Aérea Brasileira (FAB).

Sua nomeação para a secretaria-executiva ocorre em um momento de disputa entre grupos de militares, técnicos e ideológicos, como seguidores de Olavo de Carvalho, considerado o guru da nova direita no país. 

Nos ataques, alguns olavistas têm atacado diretamente os militares por uma suposta perseguição a eles. Por outro lado, a ala militar em torno da cúpula do governo busca retomar espaços no MEC. A confirmação do nome de Vieira, assim, representaria um aceno às demandas do grupo, que tenta levar adiante os planos traçados antes da nomeação de Vélez como ministro.

O nome do militar foi o quarto anunciado pelo governo de Jair Bolsonaro nos três primeiros meses da nova gestão para a segunda maior posição no MEC, pasta imersa em uma crise institucional.

Indicado por Olavo, o ministro da Educação sofre um período de desgaste desde o primeiro mês de governo. Em janeiro, o ministro recuou sobre mudanças em edital de compra de livros que suprimia o compromisso com a agenda da não violência contra mulheres e permitia obras sem referências e com erros.

Em fevereiro, o MEC enviou carta a escolas com slogan da campanha de Bolsonaro e pedido de filmagem de alunos cantando o hino. O episódio causou grande desgaste e provocou novo recuo. Um novo capítulo da crise começou no dia 8 deste mês, com uma dança de cadeiras e críticas de Olavo no Twitter ao ministro e integrantes do MEC.

Primeiro a ocupar o posto de secretário-executivo na nova gestão, Luiz Antonio Tozi permaneceu no cargo até 12 de março, e acabou demitido por Jair Bolsonaro quando tentou enfrentar os olavistas. Na ocasião, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse que Tozzi deixou a pasta em um "processo de reestruturação".

Depois de Tozi, Vélez chegou a anunciar em uma rede social o nome de Rubens Barreto da Silva, o que não se concretizou. Iolene Lima foi a terceira opção do ministro para o cargo, mas acabou demitida oito dias depois de ser anunciada também por uma rede social.

CRISE INSTITUCIONAL

O processo de desgaste de Ricardo Vélez Rodríguez à frente do MEC ganhou força nesta quarta (27) após o presidente Jair Bolsonaro admitir que as coisas “não estão dando certo” no MEC.

“Temos que resolver a questão da educação. Realmente não estão dando certo as coisas lá, é um ministério muito importante”, afirmou o presidente em entrevista à TV Bandeirantes.

Nesta quinta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que Vélez "tem problemas" por ser "novo no assunto" e que não teria "o tato político" necessário para o posto. 

A saída do ministro seria uma questão de tempo. O nome mais forte até agora é do senador ​Izalci Lucas (PSDB-DF), que tem apoio do bloco cristão desde o ano passado.

 Apesar da movimentação, há certa cautela nas apostas dada a imprevisibilidade do presidente Bolsonaro e a influência sobre ele de Olavo e seus discípulos. Uma reunião entre Vélez e Bolsonaro está prevista para esta sexta.

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