Descrição de chapéu Coronavírus

Escolas internacionais se preparam para terminar ano letivo a distância

Com calendário americano ou europeu, colégios tem apenas dois meses para fim do período

São Paulo

A menos de dois meses de encerrar o ano letivo, colégios internacionais de São Paulo, que seguem o calendário escolar americano ou europeu, se preparam para fazer nas próximas semanas provas online ou buscar outras estratégias de avaliação dos alunos, com a impossibilidade de retomar as atividades presenciais por causa da pandemia do coronavírus.

Apesar do receio de parte dos pais de que os filhos avancem para o próximo ano sem ter aprendido todo o conteúdo previsto, a direção das escolas avaliou que estender a duração do ano letivo prejudicaria o próximo calendário, a troca de professores e a entrada de novos alunos. Por isso, preferiram buscam formas de contabilizar a presença dos alunos e de avaliação, conforme prevê a legislação brasileira.

“Ainda estamos otimistas e contamos com a possibilidade de encerrar o ano letivo, ainda que com pouco tempo disponível, de forma presencial. Mas, como há muita incerteza, é preciso buscar estratégias para enviar a documentação oficial necessária para finalizar o período”, contou Louise Simpson, diretora da St. Paul’s School. A escola, que fica no Jardins, segue o calendário britânico.

Atividade na escola Avenues, no Morumbi, cujo ano letivo se encerra em junho
Atividade na escola Avenues, no Morumbi, cujo ano letivo se encerra em junho - Ana Mello

Na unidade, o ano letivo termina em 17 de junho e Louise admitiu que com as atividades a distância não foi possível cobrir todo o conteúdo previsto e garantir o aprendizado esperado para o período a todos os 1.100 alunos. “É possível que, quando voltarmos, possa haver lacunas no aprendizado. Mas essas crianças têm anos e anos para recuperar e alcançar. O conteúdo não é o mais importante, mas o desenvolvimento de habilidades e isso elas continuaram tendo”.

Na Avenues, escola localizada no Morumbi, a opção também foi por seguir o planejamento inicial e concluir o ano no final de junho. Como o colégio tem outras duas unidades em Nova York e Shenzhen, na China, a mobilidade de professores e funcionários poderia ser prejudicada. A entrada de novos alunos, que em geral vêm de outras escolas internacionais com a mesma organização de calendário, também seria um problema.

Cristine Conforti, uma das diretoras da Avenues, disse que a escola está fazendo uma avaliação processual dos alunos com as atividades que têm feito em casa, mas também considera que parte da aprendizagem prevista para esse ano terá que ser reprogramada. “Quando voltarmos, seja em maio, junho ou até mesmo agosto, vamos recolher as pontas soltas, as experiências incompletas, os conhecimentos que ficaram defasados. E, então, vamos nos reprogramar, refazer o planejamento”, disse.

Em um vídeo enviado aos pais, a Graded, também no Morumbi, destacou a necessidade de seguir o calendário previsto por causa dos alunos que estão no último ano. Richard Boerner, superintendente da escola, explicou haver uma troca de 25% do corpo estudantil a cada novo ano escolar.

“Precisamos nos comprometer a finalizar esse ano, seja presencialmente ou a distância. O que podemos assegurar é que, seja qual for o modelo possível nesse momento, nossos professores vão entregar a melhor educação possível aos seus filhos”, disse Boerner, que também destacou aos pais ser mais importante aos alunos manter o desenvolvimento de habilidades e não apenas aprender o conteúdo escolar.

Apesar de seguirem calendário e currículo de outros países, essas escolas ainda precisam seguir a legislação brasileira. Com a aprovação da flexibilização dos 200 dias letivos, previstos em lei, elas podem contabilizar as atividades a distância para o cálculo da carga horária mínima obrigatória.

Gestores educacionais alertam que as autoridades precisam também flexibilizar a frequência escolar. Eles argumentam que, com as aulas a distância, será difícil aferir a presença dos alunos para garantir que tenham o mínimo de 75%, condição necessária para a aprovação.

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