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Grandes filantropos brasileiros investirão até R$ 5 mi em ONGs

Grupo liderado por Elie Horn irá selecionar 50 entidades para receber aportes

Patricia Pamplona
São Paulo

Liderado pelo bilionário filantropo brasileiro Elie Horn ao lado de Eugenio Mattar (Localiza), Luciano Huck e Rubens Menin (MRV Engenharia), o Movimento Bem Maior é lançado nesta quinta-feira (2) com uma meta ousada: dobrar o volume de colaborações em relação ao PIB brasileiro em dez anos.

"Eles são empresários que dão exemplo como pessoa física e eles gostariam que o exemplo deles fosse movimentar mais gente", explica a presidente Carola Matarazzo, em entrevista exclusiva à Folha.

No último World Giving Index (conhecido como Ranking da Solidariedade), em 2018, o país caiu 47 posições, e, hoje, as doações representam 0,23% do PIB nacional. "Eu não acho que o brasileiro não seja um povo solidário", afirma a presidente. "É um problema de descrença [no terceiro setor]."

Para mudar essa cultura, ela explica que o movimento, fundado como organização social, irá trabalhar com campanhas, engajamento de influenciadores e eventualmente financiamento de eventos relevantes.

Além de editais para financiar organizações da sociedade civil, como o anunciado nesta quinta, que fará um aporte de até R$ 5 milhões para 50 entidades. Os projetos irão receber até R$ 100 mil cada e, para participar, devem se inscrever até 24 de maio, pelo site.

"Pretendemos trabalhar com matching também, onde a população possa se envolver nos projetos e os empresários fazerem um matching do que falta para poder viabilizar."

O que é o movimento Bem Maior? O Movimento Bem Maior foi fundado no começo deste ano por quatro empresários: Elie Horn, Eugênio Mattar, Rubens Benim e Luciano Huck. O seu Elie tinha uma vontade de montar um grande movimento que pudesse chacoalhar o terceiro setor.

Eles montaram esse movimento com a intenção de mexer com a cultura de colaboração no país, em que eles pudessem reunir empresários que são grandes filantropos e, com o exemplo deles, chamar mais gente para esse grupo.

[O objetivo é] Movimentar o setor através de filantropia, investimento social privado e conscientização da necessidade da organização da sociedade civil, em que a gente possa falar do engajamento das pessoas, da corresponsabilidade das pessoas para a transformação social do país.

Por que esses três pilares? Temos estudado bastante a filantropia no país e temos visto a necessidade de comunicar para a sociedade que não dependemos só do governo. Segundo porque a necessidade do aumento das doações no país para poder ajudar as pequenas e médias entidades sociais é iminente.

E terceiro porque, com a força que esses empresários têm de mídia, de networking, eles podem realmente fazer no Brasil um grande movimento. Ondas de engajamento, de conscientização, trazer modelos de fora. É um movimento aberto para todas as causas. Temos 11 causas que abarcam praticamente todas.

Quando falamos de filantropia e investimento social privado, vamos apoiar projetos escolhidos através de edital. Nosso primeiro edital sai agora quinta-feira.

O que é esse edital? O Luciano Huck vai fazer o chamamento do edital pelas mídias sociais dele. É um edital que visa, nesse primeiro momento, olhar para pequenas entidades sociais ou coletivos de pessoas que façam um trabalho extremamente relevante para o país, de alto impacto, mas que não tenha luz, que não tenha sido ainda olhado e eventualmente melhorado pela sua eficiência.

Quantas organizações serão selecionadas? Nesse primeiro momento são 50. Estamos querendo usar esse primeiro edital como um protótipo. São projetos pelo Brasil inteiro, e temos uma régua de avaliação, de monitoramento para entender qual a maior demanda por região, fazer um levantamento de dados.

Pretendemos trabalhar com matching também, onde a população possa se envolver nos projetos e os empresários fazerem um matching do que falta para poder viabilizar.

Por que o valor de até R$ 100 mil por entidade? São valores que entendemos que, para pequenos projetos, podem fazer a diferença. Estamos falando de coletivos, de projetos que realmente estão no sertão profundo do Brasil, distante de capitais, que fazem a diferença naquelas comunidades locais e não têm acesso a crédito, financiamento, editais.

O edital tem um manual bastante transparente para ajudá-los na formulação das propostas e vamos selecionar cem projetos que vão para voto popular. E vamos mandar material para essas entidades escolhidas para que elas possam fazer a divulgação nas suas redes, nas suas comunidades locais.

Aí temos realmente um início de um controle social da comunidade, olhando para o projeto e mostrando que aquele projeto é relevante naquele lugar.

Qual a estratégia do movimento para dobrar o volume de doações? Temos uma régua de estratégias. Estamos estudando como viabilizar isso, desde campanhas nacionais, mídias digitais, engajamento de influenciadores e até eventualmente financiamento de eventos relevantes para o setor.

É uma meta de médio a longo prazo, uma vez que estamos falando de uma mudança de cultura, de posicionamento de uma sociedade civil. É uma meta ousada, mas que a gente vai persegui-la.

Na sua opinião, por que o brasileiro doa pouco, em sua opinião? Eu acho que são vários os fatores. O primeiro, a falta de confiança nas ONGs e no terceiro setor até por falta de conhecimento, falta de informações de qualidade, da relevância do setor para o país.

Segundo, falta, sem dúvida nenhuma, incentivos fiscais, mecanismos eficientes, menos burocráticos para que as doações possam realmente, as maiores principalmente, ser efetivas. Eu não acho que o brasileiro não seja um povo solidário. É extremamente solidário, principalmente nas classes mais baixas.

É um problema de descrença, de achar que é uma obrigação só do governo. São muitas variáveis, mas eu diria principalmente a descrença até por falta de conhecimento da relevância que esse setor tem para o país.


raio-x

Carola Matarazzo

Presidente do Movimento Bem Maior, é formada em administração de empresas e trabalha há 20 anos no terceiro setor. Nos últimos oito anos, presidiu a Liga Solidária

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