Descrição de chapéu The New York Times

EUA confirmam primeiro paciente infectado com coronavírus chinês

Doença já matou seis pessoas; OMS decidirá se trata surto como emergência internacional

Roni Caryn Rabin
Nova York | The New York Times

Uma pessoa no estado de Washington está infectada com o coronavírus Wuhan, o primeiro caso confirmado nos Estados Unidos de uma misteriosa infecção respiratória que matou pelo menos seis pessoas e adoeceu centenas na Ásia.

O paciente, que foi hospitalizado com pneumonia na semana passada, havia viajado recentemente para Wuhan, na China, onde o surto parece ter se originado, de acordo com autoridades federais.

Os investigadores testaram amostras do paciente em busca do vírus; os resultados positivos para a infecção foram recebidos no fim de semana. Os funcionários se recusaram a identificar o paciente, que estava bastante doente.

Mulher com máscara passa em frente a mercado de frutos do mar em Wuhan, onde surgiram os casos de infecção pelo novo coronavírus
Mulher com máscara passa em frente a mercado de frutos do mar em Wuhan, onde surgiram os casos de infecção pelo novo coronavírus - Noel Celis-12.jan.20/AFP

As notícias do primeiro caso nos Estados Unidos vêm em meio a crescentes evidências de que o vírus se espalha de pessoa para pessoa, embora não esteja claro com que facilidade.

O surto, que começou no mercado de frutos do mar e aves em Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes, está se espalhando: pacientes foram identificados em Pequim, Xangai e Shenzhen, além de Taiwan, Japão, Tailândia e Coréia do Sul.

Na terça-feira, as autoridades chinesas confirmaram que seis pessoas morreram da infecção em Wuhan. Quase 300 casos foram relatados até o momento na China. Muitos dos pacientes moravam ou viajavam para Wuhan.

A Organização Mundial da Saúde se reunirá amanhã para decidir se declarará o surto uma emergência internacional de saúde pública. Mas as informações sobre o novo vírus ainda são escassas e não está claro se ou quantos americanos estão em risco.

"Ainda há mais perguntas sem do que com respostas", disse William Schaffner, professor de medicina preventiva e doenças infecciosas da Universidade Vanderbilt, em Nashville. “Por exemplo, qual é a fonte? Nós não sabemos exatamente. A localização provavelmente era o mercado de animais vivos, mas não conhecemos o animal em particular."

Segundo o especialista, há uma questão mais premente e urgente: "Quão frequente é a transmissão de humano para humano?"

Em um caso, um paciente parece ter infectado 14 profissionais de saúde em um centro médico, mas esse indivíduo pode ter sido um "super espalhador", disse o pesquisador. “As pessoas com infecções leves podem transmitir esse vírus de pessoa para pessoa? Tudo isso ainda está sob investigação."

Desde segunda-feira, o Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, mudou seus procedimentos para que todos os pacientes que chegam ao hospital, pronto-socorro ou clínica com febre ou sintomas respiratórios sejam questionados sobre presença recente na China ou contato com alguém que viajou recentemente para o país.

Segundo Schaffner, hospitais de todo o país provavelmente estão adotando medidas semelhantes em um esforço para identificar rapidamente os pacientes infectados e colocá-los em isolamento, para que possam ser tratados com segurança e para que amostras possam ser coletadas para testes.

Schaffner diz que quem viaja para a China deve evitar visitas a mercados de animais vivos e manter distância de todos os animais. Pessoas que visitarão a China devem ter muito cuidado com a higiene das mãos e fazer o possível para evitar quem estiver tossindo ou espirrando, disse o especialista.

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