Descrição de chapéu Coronavírus

Estados começam a fazer compras emergenciais de testes de coronavírus

SP comprará 20 mil unidades, e Ceará importará 10 mil dos EUA; governo promete 2,3 milhões de kits

Brasília

Para ampliar os estoques de testes do novo coronavírus, estados deram início a operações de compras emergenciais de kits.

Em São Paulo, o plano é adquirir 20 mil unidades. No Ceará, 10 mil devem ser importadas dos Estados Unidos. O governo de Mato Grosso do Sul anunciou também que vai abrir processo para compra de 5.000 kits e poderá ampliar o volume.

No caso de São Paulo, os kits ainda estão em fase de compra. A ideia é ampliar o número de testes do tipo laboratorial —PCR (reação em cadeia da polimerase). O estado tem o maior número de casos confirmados de coronavírus no país: 396.

Após a iniciativa, mais estados aderiram ao plano. Em Mato Grosso do Sul, a primeira remessa de kits enviada pelo Ministério da Saúde foi de 240 testes. Pouco mais de cem já foram usados. Outros 240 deverão chegar até o fim desta semana.

Até quinta-feira (20), o Ceará havia recebido 240 kits do Ministério da Saúde. "Nós achamos pouco", disse o governador do estado, Camilo Santana (PT). Outros 240 testes estavam previstos em uma nova remessa do governo federal para o estado até o fim desta semana. Há 55 casos confirmados de pacientes com Covid-19 no estado.

Mulher de máscara cirúrgica e touca branca, segura, com luvas, uma bandeja com pequenos recipientes em laboratório
Funcionária da startup Hi Technologies, em Curitiba, trabalha em testes para diagnosticar a Covid-19 - Rodolfo Buhrer - 19.mar.20/Reuters

No pacote de medidas anunciadas nesta semana, o governador do estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), disse que abrirá um processo de compra emergencial de 5.000 kits laboratoriais. Empresas estrangeiras poderão participar da concorrência.

"O problema é a falta de fornecedores para entregar, com a velocidade que precisamos. O Ministério da Saúde e nós sabemos que todos estão com essa dificuldade", disse o secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende.

Mesmo com a ampliação dos kits disponíveis, o estado planeja continuar realizando os testes moleculares limitados a pacientes com quadro grave. O Ceará também pretende seguir a recomendação do Ministério da Saúde.

A pasta recomenda que o teste seja realizado apenas quando o paciente apresentar sintomas mais agudos, apesar de a OMS (Organização Mundial da Saúde) defender uma ampla política de checagem da população.

Ainda não há previsão para que os lotes a serem comprados pelos governos regionais cheguem aos estados.

O Ministério da Saúde pretende comprar mais 2,3 milhão de kits para testes do novo vírus. A expectativa é que esse pacote seja distribuído pelo país em três meses. O governo considera a estratégia, anunciada na quinta, adequada com base nas projeções de casos graves.

Técnicos estaduais de saúde estão preocupados com o ritmo de avanço do vírus no país e a capacidade de aquisição de insumos (principalmente os importados) para a realização de testes.

Até hoje, o ministério distribuiu cerca de 18 mil testes aos laboratórios centrais de todos os estados —aqueles que analisam amostras da rede pública e fazem a contraprova de laboratórios privados não habilitados. São Paulo recebeu mais de 2.600.

Do total de kits (18 mil), cerca de 2.500 já foram usados no país.

Segundo Geraldo Resende, o estado do Mato Grosso do Sul, que tem nove casos confirmados de coronavírus, vai avaliar novas compras, inclusive de testes rápidos.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu aval na quarta-feira (19) para que esses tipos de testes possam ser oferecidos no mercado —no caso, a laboratórios, hospitais e governos.

Oito produtos, de seis empresas diferentes, ganharam registro da agência. A maioria dos produtos é importada ou será feita com matéria-prima de outros países, em especial Coreia do Sul, China e Estados Unidos.

Uma dessas empresas é a MedLevensohn, distribuidora brasileira especializada em saúde, que encomendou 1 milhão de testes rápidos, fabricados pela farmacêutica chinesa Biotest. O primeiro lote —de 200 mil— deve desembarcar na primeira semana de abril.

A MedLevensohn ainda não informa o preço final do produto, porque, segundo a empresa, isso depende da demanda, câmbio e custos de importação, por exemplo, mas aposta que o preço será abaixo do teste molecular (R$ 98).

Os testes usados atualmente (chamados de laboratorial) analisam amostras de muco e saliva, por meio de uma técnica chamada de RT-PCR, que verifica a presença de material genético do vírus.
Já os populares testes rápidos observam a presença de anticorpos e antígenos.

Responsável pelo fornecimento para o Ministério da Saúde, o laboratório de Bio-Manguinhos, da Fiocruz, afirma que vai expandir a produção de testes moleculares.

Segundo o laboratório, há expectativa de redução do preço desses kits (R$ 98) quando houver ganho de escala e com o fim da condição de emergência, que encarece os custos de aquisição dos principais insumos envolvidos na produção. Esta redução pode ser de até 20%.

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