Texto engana ao associar lista sobre transmissão da Covid-19 a órgão de saúde dos EUA

O Center for Disease Control and Prevention não fala em números de partículas virais necessárias para o contágio

São Paulo

Um post que circula nas redes sociais engana o leitor ao associar uma lista de circunstâncias e ambientes mais ou menos propícios à transmissão do novo coronavírus ao Center for Disease Control and Prevention (CDC; centro para controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos). Nenhuma das informações que aparece na tabela foi publicada pelo órgão de saúde norte-americano.

A postagem –que viralizou com o título “O Center for Disease Control do governo dos EUA oficializou as evidências científicas emergentes sobre a transmissão do coronavírus”–, verificada pelo Projeto Comprova, também distorce informações ao dar a entender que há uma referência categórica na avaliação de risco de determinadas ocasiões sociais, como casamentos. Para isso, usa como referência a medição de partículas virais de SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Segundo pesquisadores, ainda não há estudos suficientes para embasar esse tipo de conclusão.

Lavar as mãos continua entre as principais recomendações contra o novo coronavírus - Robin Utrecht/ANP/AFP

O CDC afirma que a principal forma de contágio é de um indivíduo para outro e que o risco é maior entre pessoas que estão a menos de 1,8 metro de distância, pelas gotículas de saliva dispersadas quando uma pessoa infectada fala, espirra ou tosse. No entanto, o órgão não fala em números de partículas virais necessárias para o contágio e nem divulgou uma tabela com essas informações.

Segundo o Comprova apurou, as informações da lista que viralizou na internet brasileira vieram de um post no blog de Erin Bromage. O biólogo trabalha como professor associado do Departamento de Biologia da da University of Massachusetts Dartmouth, nos Estados Unidos, e não tem ligação com o CDC. Em entrevista a CNN norte-americana, Bromage contou que criou o blog para “dar conselhos tangíveis para amigos e familiares sobre os riscos com que deviam se preocupar e o que era desperdício de energia mental”. Procurado, ele não respondeu até o fechamento desta verificação.

A apuração foi feita porque o Comprova investiga conteúdos que, como esse, apresentam informações suspeitas sobre a pandemia e alcançam um grande número de pessoas nas redes sociais.

A investigação desse conteúdo foi feita por Estadão e SBT e publicada na quarta-feira (17) pelo projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus. Foi verificada por Folha, UOL, Jornal do Commercio, Piauí, A Gazeta e Gazeta do Sul.

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