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Corrida por vacina contra Covid-19 já tem 24 delas na fase de testes em humanos

Mais de cem tipos estão em estudo; duas das mais avançadas serão testadas no Brasil

São Paulo

Mais de cem vacinas contra a Covid-19 estão em estudo, e 24 delas já são testadas em seres humanos. Somente quatro se encontram na fase mais avançada —a 3—, e duas delas serão testadas, entre outros lugares, no Brasil.

Uma dessas imunizações no estágio mais avançado foi desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. No começo de junho, foi anunciado que ocorreriam testes no Brasil, através de parceria com o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e com o Instituto D’Or (Idor).

Devem participar da fase 3 do estudo cerca de 2.000 profissionais de saúde na linha de frente no combate à Covid-19 (portanto, mais expostos à doença), sendo 1.000 em São Paulo, onde o teste tem auxílio financeiro da Fundação Lemann, e 1.000 no Rio de Janeiro. Com a aprovação da Anvisa, o chamamento de voluntários começou ainda em junho.

O outro teste na fase 3 que ocorre no Brasil é o do laboratório chinês Sinovac, em parceria de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan, que pode vir a produzi-la em larga escala. A primeira dose da vacina já foi aplicada no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Pessoa com roupa protetora branca observa lâmina em microscópio
Cientista trabalha em laboratório do Instituto Butantan, em São Paulo; instituto deve produzir vacina da Sinovac caso ela seja aprovada - Divulgação

Conheça as vacinas que já estão, em diferentes fases, em fase de testes em humanos:

Autorizada para Uso

A vacina desenvolvida pela empresa CanSino Biologics e pelo Instituto de Biotecnologia de Beijing recebeu, no fim de junho, aprovação para uso limitado em militares chineses, pelo período de um ano.

A imunização da CanSino usa um adenovírus como vetor, em abordagem similar à que empresa havia empregado no desenvolvimento de uma vacina contra o ebola.

Basicamente, o adenovírus geneticamente modificado carrega o material genético que contém o código para produzir a proteína S (de “spike” ou espícula, gancho molecular usado pelo Sars-CoV-2 para se ligar a células humanas).

Com isso, os pesquisadores esperam que se inicie a produção da proteína S, o que deverá desencadear uma reação de defesa do organismo que produza anticorpos.

Os vírus conseguem “entregar” ativamente a informação genética da imunização, o que, em tese, pode ser mais eficaz do que o material genético “solto” (o que ocorre em vacinas de RNA, por exemplo). Por outro lado, há mais riscos de efeitos colaterais.

Fase 3

Sinovac - CoronaVac

A vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac é feita a partir de vírus inativados. A ideia é modificar o vírus (no caso, o Sars-CoV-2) de modo que ele não consiga infectar as pessoas. Diversas vacinas atuais são feitas dessa forma, como a contra sarampo e pólio.

Esse tipo de vacina, porém, necessita de grandes testes de segurança. No Brasil, segundo a Sinovac, a fase 3 do estudo (que investiga a eficácia da proteção em larga escala) pretende recrutar 9.000 profissionais de saúde em locais de atendimento de Covid-19, em 12 regiões, já a partir de julho.

A primeira dose da vacina, inclusive, já foi aplicada, no dia 21 de julho, no Hospital das Clínicas de São Paulo. A voluntária a recebê-la foi a médica Stefania Teixeira Porto, 27.

Entre as fases 1 (para testar segurança) e 2 (para testar eficácia) de testes, os pesquisadores aplicaram a vacina em 743 pessoas com idades de 18 a 59 anos. Segundo a empresa, após 14 dias, foi observada presença de anticorpos em 90% das pessoas, após duas aplicações da imunização.

A empresa afirma que outros braços de fase 2 de testes visam idosos e crianças e adolescentes, e que deve concluir essa fase ate o fim deste ano.

Universidade de Oxford/AstraZeneca - Vacina ChAdOx1 nCoV-19

A vacina de Oxford usa um vírus para levar material genético do Sars-CoV-2 para dentro das células. Trata-se do adenovírus ChAdOx1, que causa gripe comum em chimpanzés, geneticamente modificado e enfraquecido.

A ideia novamente é expor o organismo humano à proteína S e, dessa forma, quando a pessoa entrar em contato com o vírus real, seu corpo já ter um sistema de defesa.

Os resultados da fase 1/2 da vacina foram publicados no dia 20 de julho na renomada revista científica The Lancet.

As fases 2 e 3 do estudo de Oxford pretendem recrutar mais de 10 mil pessoas só no Reino Unido. Na fase 2, os pesquisadores querem avaliar o efeito protetivo da imunização em diferentes faixas etárias. Já a fase 3 contará somente com pessoas acima de 18 anos.

As duas fases terão randomização para recebimento de uma ou duas doses da ChAdOx1 nCoV-19 ou de uma outra vacina (grupo que será usado como controle para o estudo).

Sinopharm e Wuhan Institute of Biological Products e também com Beijing Institute of Biological Products

Vacinas produzidas na China que se utilizam de vírus inativados em busca da imunização. Ambas as fases 1/2 são randomizadas, duplo-cegas e com grupo controle.

Fase 2

Vacina da Moderna/NIAID

Primeira vacina contra a Covid testada em humanos, foi desenvolvida em parceria entre o governo dos EUA, o Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente (EUA) e a empresa de biotecnologia Moderna. Usa trechos de RNA (molécula “prima” do DNA) do vírus que têm a receita para a produção da proteína S, que prepara o organismo para se proteger do vírus real.

A técnica é relativamente segura, mas resta demonstrar sua eficácia —até hoje, nenhuma vacina de RNA foi liberada para uso comercial. Os testes começaram em 16 de março, na fase 1 (que mede a segurança). A fase 2, que investiga a eficácia mais diretamente, pode começar em poucos meses, se tudo der certo.

Segundo a empresa, o recrutamento da fase 2 do estudo foi finalizado no último dia 8.

Inovio Pharmaceuticals

A empresa de biotecnologia americana Inovio Pharmaceuticals começou sua fase 1 em 6 de abril. O método tem semelhanças com a vacina de RNA, com a diferença de que o genoma do vírus, na parte correspondente ao código da proteína S, foi adaptado para uma molécula de DNA.

Para injetar a vacina na pele ou nos músculos dos voluntários, os pesquisadores da empresa usam uma tecnologia que emite um breve pulso elétrico, facilitando a entrada do material genético nas células por meio da abertura de pequenos poros.

Em junho, a empresa anunciou a expansão dos participantes da fase 1 (chegou a 120 pessoas) e espera que as fases 2/3 tenham início em julho ou agosto —há pendências regulatórias e de financiamento.

Cadila Healthcare Limited

A empresa usa trechos de DNA para produção da proteína S e posterior reconhecimento, pelo corpo, de invasores. O início das fases 1/2, com 1.048 pessoas randomizadas e com grupo controle, aguardam aprovação, e a empresa espera resultado em 3 meses.

Novavax - NVX-CoV2373

Fase 1, randomizada e com grupo controle, começou em maio e deve ter os primeiros resultados em julho. A fase 2 deve ocorrer em vários países, com 130 pessoas entre 18 e 59 anos.

A vacina é baseada na aplicação direta de proteínas (ou fragmentos) do novo coronavírus. Testada com sucesso para Sars em macacos, esse tipo de vacina costuma precisar de adjuvantes, moléculas que estimulam o sistema imune, e múltiplas doses.

Pfizer/BioNTech/Fosun Pharma - BNT162b1

As empresas anunciaram recentemente resultados positivos das fases 1/2 de sua pesquisa com vacina, baseada em trechos de RNA.

A BioNTech afirmou que os testes de duas dosagens de seu medicamento BNT162b1 em 24 voluntários saudáveis mostrou que, após 28 dias, eles desenvolveram níveis mais altos de anticorpos para Covid-19 do que os normalmente observados em pessoas infectadas.

A mais alta entre as duas doses —ambas administradas por meio de duas injeções com intervalo de três semanas— foi seguida por uma febre curta em três de quatro participantes após a segunda aplicação. Uma terceira dosagem, testada em uma concentração mais alta em um grupo separado, não foi repetida após a primeira aplicação devido à dor da injeção.

Resta saber se os anticorpos encontrados geram resposta imune para prevenir a doença.

A próxima fase deve ser iniciada em julho, com expectativa de participação de cerca de 30 mil pessoas —por ora, nos EUA e na Alemanha.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, em 21 de julho, os testes com a vacina da Pfizer no Brasil. Segundo a agência, 5.000 pessoas, em São Paulo e na Bahia, participarão do estudo.

CanSino Biologics/Instituto de Biotecnologia de Beijing

A vacina desenvolvida pela empresa CanSino Biologics e pelo Instituto de Biotecnologia de Beijing, mesmo já aprovada para uso restrito em militares chineses, encontra-se ainda na fase 2 de estudos.

Anhui Zhifei Longcom Biopharmaceutical/Institute of Microbiology/Chinese Academy of Sciences

Vacina baseada na aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas. ​

Osaka University/ AnGes/Takara Bio

Vacina baseada em DNA mais uso de adjuvante.

Genexine Consortium - GX-19

Vacina à base de DNA. A fase 1, na Coreia do Sul, deve durar 3 meses e recrutar 40 pessoas. A 2, 150 pessoas em diversos países.

Bharat Biotech

Usa o vírus inativado para tentar gerar resposta imune.

Institute of Medical Biology/Chinese Academy of Medical Sciences

Vacina feita a partir de vírus inativados.

Kentucky Bioprocessing, Inc

Vacina baseada na aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas.

Fase 1

Medicago Inc. Vacina baseada em VLPs (partículas semelhantes a vírus), às quais seriam combinadas antígenos, moléculas do coronavírus que possam ser reconhecidas pelo sistema imune. Espera-se que a combinação induza uma resposta imune robusta, mais próxima de uma infecção real.

Gamaleya Research Institute Vacina que usa vírus como vetor.

Clover Biopharmaceuticals Inc./GSK/Dynavax Vacina baseada na aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas.

Vaxine Pty Ltd/Medytox Vacina baseada na aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas.

Universidade de Queensland/CSL/Seqirus Vacina baseada na aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas.

Imperial College London Vacina baseada em fragmentos de RNA.

Curevac Vacina baseada em fragmentos de RNA.

People's Liberation Army (PLA) Academy of Military Sciences/Walvax Biotech Vacina baseada em fragmentos de RNA.

Fonte: OMS (Organização Mundial da Saúde), com atualização no dia 21 de julho

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