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Cidade no Paraná recorre a equipamentos do zoológico para enfrentar Covid-19

No oeste do estado, leitos de UTI dedicados à Covid-19 estão mais de 90% ocupados desde o dia 20

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Cascavel (PR)

Com a explosão de casos de Covid-19 e internações pela doença, pacientes em Cascavel (PR) passaram a conviver com improvisos. Foi essa a saída encontrada por gestores para lidar com a alta demanda por leitos de UTI.

Um dos dois hospitais públicos da cidade recorreu a equipamentos usados no zoológico. UPAs (unidades de pronto-atendimento) passaram a intubar pacientes, e em uma das três unidades da cidade a recepção foi transformada em enfermaria.

Cascavel é a maior cidade do oeste do Paraná e funciona como polo médico para municípios menores. A região foi a mais afetada do estado pela alta de casos e internações por Covid-19.

Segundo boletim divulgado nesta quarta-feira (3) pela secretaria estadual de Saúde, 95% dos leitos de UTI exclusivos para Covid-19 estavam ocupados no oeste. A marca se mantém acima dos 90% desde o último dia 20. Em Cascavel, a taxa bate 99%.

Nos últimos dias, médicos das redes pública e privada do município relataram à reportagem cenas de desespero. Entre elas, casos de pacientes idosos que tiveram atendimento recusado por falta de respirador e pacientes intubados em corredores.

Um dos locais no olho do furacão é o Hospital de Retaguarda, municipal. Desde julho do ano passado, passou a receber exclusivamente casos de Covid-19. Com a alta dos últimos dias, abriga hoje 31 pacientes de UTI. A capacidade é para receber até 20.

Para atender a demanda excedente, parte dos pacientes de terapia intensiva está na enfermaria. A enfermaria, por sua vez, foi transferida para uma área que até então era usada como depósito. Com isso, conseguiram tirar as pessoas dos corredores.

Por lá, a situação ficou particularmente calamitosa no último domingo (28). Faltaram equipamentos, e a direção da unidade recorreu ao zoológico, de onde recebeu nove bombas de infusão e um respirador.

Hospital de Retaguarda de Cascavel, no oeste do Paraná, que recebeu nove bombas de infusão emprestadas do zoológico, normalmente usadas no tratamento de animais - Divulgação/Prefeitura de Cascavel

“Eu poderia sentar no meio-fio, chorar e reclamar que não tem coisas ou tentar dar um jeito”, diz Lisias de Araujo Tomé, diretor-geral do Hospital de Retaguarda e ex-prefeito da cidade.

Tomé explica que não há diferença entre os equipamentos usados entre humanos e animais e diz que todos são homologados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O empréstimo serve para aliviar a situação enquanto aguardam a entrega de unidades vindas do Ministério da Saúde ou do governo do estado —sem data para acontecer.

Segundo o diretor do hospital, as bombas de infusão, equipamento usado controlar as doses de medicamentos aplicados diretamente na veia, foram usadas na noite de domingo para suprir a emergência. No entanto, elas logo precisaram ser substituídas, porque não são compatíveis com as mangueiras que havia por ali.

O ventilador foi usado em um paciente e agora continua no hospital, aguardando para suprir outra alta na demanda.

A Secretaria da Saúde do Paraná prevê a abertura de 22 novos leitos de UTI em Cascavel nos próximos dias, mas não especifica quando. Desses, dez serão no Hospital de Retaguarda.

Para Tomé, no entanto, a abertura de novos espaços não é o suficiente. Ele reclama de algo comum a outros hospitais da região: a falta de profissionais.

“Tínhamos 14 vagas de UTI. Hoje, temos 31, só que a equipe é a mesma. Não basta aumentar ventilador. Estamos sobrecarregados”, diz. “Estamos tentando contratar, mas falta mão de obra no mercado. Não tem mais técnico para contratar. Não tem mais médico.”

No último dia 26 o Paraná decretou o fechamento de atividades não essenciais para tentar conter a pandemia. A restrição está marcada para encerrar na próxima segunda-feira (8), mas o secretário de Saúde do estado, Beto Preto, diz que o governo local deve discutir a prorrogação dessas medidas no próximo fim de semana.

Em entrevista à RPC nesta quinta-feira, Preto defendeu medidas restritivas mais rígidas em nível nacional. “Seria importante”, afirmou.

Nesta terça, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual entraram com uma ação pedindo à União a transferência de pacientes de Cascavel para outras regiões.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitou Cascavel na tarde desta quinta-feira a convite do prefeito Leonaldo Paranhos (PSC). Passou pela UPA Brasília, unidade com maior número de casos de covid na cidade, e colocou o governo federal à disposição para o envio de equipamentos e materiais.
Uma das demandas do município é a transferência de doentes para outras cidades.

Cascavel, que tem cerca de 300 mil habitantes, registrava 24.832 casos de Covid-19 e 343 mortes no boletim divulgado nesta quarta-feira pela prefeitura. Nesta quinta-feira, 6.000 novas doses de vacina chegaram à cidade, que anota 17.719 pessoas que receberam a primeira dose e 5.354 imunizadas com a segunda.

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