Descrição de chapéu Copa do Mundo DeltaFolha

Copa de Dados: Boa defesa é o que explica sucesso no mata-mata da Copa

Ter um percentual melhor de passes certos não garantiu vitória na fase de mata-mata

Fábio Takahashi Guilherme Garcia
São Paulo

Grande parte das transmissões de jogos pela TV, ainda mais na Copa, mostra estatísticas durante a partida. Posse de bola, número de finalizações, desarmes e por aí vai. São informações interessantes para se entender o jogo. Só é difícil tentar antever quem vai ganhar com base nesses números.

A Folha analisou o impacto de 68 indicadores em todas as partidas do Mundial. A ideia foi verificar quais deles foram significativamente diferentes entre quem venceu e quem perdeu.

Um que chama a atenção é o percentual de passes certos, indicador presente nas transmissões nesta Copa.

Ter um percentual melhor do que o adversário não garantiu vitória na fase de mata-mata. Pelo contrário. Em média, as equipes eliminadas tiveram até mais acertos do que as classificadas (81% e 79%, respectivamente).

Chutes certos de dentro da área ficaram na mesma situação. Os times que perderam a partir das oitavas de final tiveram desempenho até melhor nesse quesito.

Foi o caso da Argentina, que acertou 84% das finalizações contra a França. Os europeus tiveram apenas 67%, mas despacharam os sul-americanos.

Dos quatro indicadores que fizeram a diferença no mata-mata, três estão ligados à defesa. Ajudou a ganhar se o time roubou mais a bola, venceu duelos defensivos (dribles e divididas) e, claro, se o goleirão acertou nas defesas.

O jogo em que o Brasil foi eliminado pela Bélgica pode ilustrar bem essa situação. Foi a partida em que a equipe de Tite mais finalizou e mais acertou passes na competição. Mas o rival ganhou mais duelos na defesa (38%, contra 27%).

No segundo gol belga, nenhum brasileiro conseguiu parar a arrancada do atacante Lukaku. Ele levou combate dos meios-campistas Fernandinho e Paulinho, passou por ambos e tocou para De Bruyne, que mandou para as redes.

Voltando ao percentual de passes certos, o indicador mostra o quão complexo pode ser tentar analisar partidas por meio dos números. O indicador não diferenciou vencedor de perdedor no mata-mata, mas diferenciou na fase de grupos.

Em resumo, as estatísticas ajudam a entender o perfil de jogo das seleções, mas têm limitações quando se busca definir quem está fazendo o certo.

Sem contar aquela bola na trave, que não entrou por questão de centímetros, ou os milésimos de segundos que faltaram para o atacante chegar e fazer o gol. O imponderável consegue derrubar qualquer estatística no futebol.

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