Descrição de chapéu The New York Times

Partida nos EUA gera embate entre jogadores e liga espanhola

Representante de associação de atletas ameaça greve no Espanhol

Raphael Minder
Madri | The New York Times

Quando dirigentes que organizam o Campeonato Espanhol anunciaram na semana passada que planejavam realizar alguns jogos de temporada regular nos Estados Unidos, como parte de um esforço para elevar o faturamento com direitos de televisão e patrocínios internacionais, eles aparentemente se esqueceram de consultar um grupo essencial para que as partidas aconteçam: os jogadores.

David Aganzo, presidente da associação dos jogadores de futebol espanhóis, afirmou na quarta-feira (22) que os planos de o Campeonato Espanhol se tornar a primeira liga de futebol europeia a disputar partidas oficiais nos Estados Unidos haviam causado indignação entre os jogadores. O anúncio quanto às partidas internacionais foi feito de surpresa e tratado como fato consumado, depois de mudanças anteriores no calendário que incluem começar as partidas mais tarde e um número maior de jogos nos dias de semana, e isso forçou os jogadores a expressar suas preocupações publicamente, disse Aganzo, que sugeriu que uma greve em protesto contra os jogos nos Estados Unidos era uma séria possibilidade.

"Tomar uma decisão unilateralmente é falta de respeito", disse Aganzo, depois de uma reunião de sua associação à qual compareceram jogadores de 14 dos 20 times da liga. "Somos os protagonistas deste esporte, em companhia dos torcedores e dos árbitros. Temos muito a dizer, e estamos fartos de ser tratados com desconsideração".

Javier Tebas, presidente da liga, anunciou os planos para jogos nos Estados Unidos na semana passada, como parte de um contrato de 15 anos assinado com a Relevent Sports, uma empresa americana, para elevar a presença do futebol espanhol nos Estados Unidos.

A liga também espera despertar interesse internacional por outros times que não o Real Madrid e o Barcelona. Este mês, fechou acordo com o Facebook, que adquiriu o direito de transmitir todos os jogos do Espanhol na Índia e outros países do sul da Ásia.

Aganzo criticou Tebas por fechar um contrato com prazo de 15 anos sem consultar os jogadores, e alertou que era possível que eles realizassem uma greve para evitar a obrigação de fazer viagens internacionais como parte do calendário regular da temporada. "Se você está me perguntando sobre uma greve", ele disse, "estamos dispostos a ir até o fim com isso".

Nem a liga e nem a Relevent responderam às críticas dos jogadores.

Os jogadores também estão exigindo uma revisão no calendário de jogos. No passado restritos aos finais de semana, agora cada vez mais jogos do Espanhol acontecem durante a semana, e os horários variam de forma a atrair audiências maiores em fusos horários diferentes.

Alguns jogos começarão às 22h ou pouco mais tarde –decisão que as autoridades do futebol espanhol justificaram como forma de proteger os jogadores contra o calor  do verão.

O Real Madrid abriu a temporada em casa no domingo diante do Getafe, às 22h15 locais, diante de 48.4446 espectadores. Foi seu menor público em casa em quase uma década, ainda que isso talvez possa ser atribuído a outro motivo que não o horário inconveniente da partida.

Foi o primeiro jogo de temporada regular do Real Madrid sem o astro português Cristiano Ronaldo, que se transferiu para a Juventus recentemente. A última vez que o clube jogou diante de tão poucos torcedores no Santiago Bernabeu foi em 2009, no último jogo da temporada anterior à contratação de Ronaldo –o que sugere que a busca por torcedores que assistam aos jogos na televisão pode resultar em perda de público no estádio.

Duas partidas foram disputadas na segunda-feira (20), entre as quais possivelmente o mais intrigante jogo da rodada, entre o Valencia e o Atlético de Madri. 

Aganzo expressou preocupação sobre os jogos na segunda-feira, dizendo que "o público de futebol está se acostumando a coisas que não são naturais". Ele convidou Tebas a "colocar o uniforme de um jogador de futebol" e a "ver o futebol de de outra perspectiva: não é só dinheiro e negócios".

Lionel Messi, do Barcelona, passa por Sergio Ramos, do Real Madrid, durante jogo do Campeonato Espanhol
Lionel Messi, do Barcelona, passa por Sergio Ramos, do Real Madrid, durante jogo do Campeonato Espanhol - Manu Fernandez - 6.mai.18/Associated Press

Clubes espanhóis vêm dominando as competições europeias nas últimas temporadas. Na final da Super Copa da Uefa este mês–o jogo entre os vencedores das duas principais competições  interclubes europeias–, o Atlético de Madri derrotou seu rival municipal, o Real Madrid.

Os detalhes sobre o primeiro jogo do Campeonato Espanhol nos Estados Unidos são imprecisos, mas Tebas e Stephen Ross, o dono da Relevent, sugeriram que ele poderia acontecer em Miami, talvez no começo do ano que vem, e envolveria pelo menos um dos times mais populares da Espanha (Real Madrid e Barcelona), embora o Atlético de Madri venha desafiando esse duopólio recentemente.

As receitas internacionais da liga espanhola devem crescer em 9% ao ano nos próximos quatro anos, mas Tebas vem pressionando para elevar a estatura do futebol espanhol internacionalmente, para que ele se equipare ao Campeonato Inglês.

Tradução de Paulo Migliacci

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.