Descrição de chapéu Copa América

Defesa entrosada e eficiente dá confiança ao Uruguai na Copa América

Dupla de zaga Godín e Giménez está junta desde 2015 no Atlético de Madri

Bruno Rodrigues
São Paulo

A ida do zagueiro brasileiro Miranda à Inter de Milão (ITA) em 2015 abriu uma vaga no sistema defensivo do Atlético de Madri. Mas sem que houvesse muita dúvida quanto ao sucessor. Ele já tinha nome, sobrenome e também era uruguaio, assim como Diego Godín.

No clube desde 2013, José Giménez ganhou uma oportunidade do técnico Diego Simeone para formar, com apenas 20 anos de idade, a dupla de zaga titular ao lado do conterrâneo. Desde então, nenhum outro sistema defensivo do país levou menos gols que o time da capital espanhola.

Jose Maria Gimenez (esq.) e Diego Godin durante treino da seleção uruguaia
Jose Maria Gimenez (esq.) e Diego Godin durante treino da seleção uruguaia - Miguel Rojo - 28.mai.19/AFP

Nas últimas quatro temporadas do Espanhol, o Atlético terminou todas as edições com o índice de gols sofridos abaixo de 30. Em 2015/2016, quando ficaram só a três pontos do campeão Barcelona, encerraram a campanha com 18 gols tomados em 38 rodadas. Ou seja, eram necessárias mais de duas partidas, em média, para superar o paredão do Atlético de Madri.

É justamente com base em uma defesa sólida e entrosada que o Uruguai inicia neste domingo (16) sua campanha pelo título da Copa América, contra o Equador, no Mineirão, em Belo Horizonte. Ainda na primeira fase do torneio continental, a equipe enfrentará o Japão, em Porto Alegre, e o Chile, no Rio de Janeiro.

Giménez, 24, e Godín, 33, formaram o miolo defensivo uruguaio na Copa do Mundo da Rússia, em que a seleção caiu nas quartas de final para a França, que se sagrou campeã do torneio.

Até a eliminação para os franceses, a equipe do técnico Óscar Tabárez só tinha tomado um gol. Foi na vitória por 2 a 1 sobre Portugal nas oitavas de final. A França, por exemplo, chegou para o confronto com desempenho pior —sofreu três gols da Argentina na fase anterior.

 

Um único descuido em cabeceio de Varane e um frango do goleiro Muslera em chute de longa distância de Griezmann custaram aos uruguaios a queda no Mundial. O tipo de erro que Maestro Tabárez definitivamente não quer do time que vem ao Brasil tentar o primeiro título de Copa América desde 2011, quando o mesmo treinador comandou a conquista na Argentina.

“O Uruguai de Tabárez se caracteriza por ter boa marcação, tratando sempre de tentar manter o zero no placar. Giménez e Godín se complementam, eram companheiros de zaga no Atlético de Madri até esta temporada e isso também colabora com relação ao conhecimento e ao trabalho coletivo que fazem”, analisa o jornalista Gonzalo Fraquelli, da Rádio Universal de Montevidéu.

“Um é o capitão, um dos melhores zagueiros do mundo. E está acompanhado de um jogador que está por fazer 50 jogos na seleção com apenas 24 anos”, completa Fraquelli.

Jogadores da defesa do Uruguai (Gaston, Rodriguez, Godín, Gomez, Giménez e Valverde) treinam para a estreia da equipe na Copa América
Jogadores da defesa do Uruguai (Gaston, Rodriguez, Godín, Gomez, Giménez e Valverde) treinam para a estreia da equipe na Copa América - Pablo Porciuncula - 24.mai.19/AFP

Godín é um dos remanescentes do título sul-americano de 2011, quando era companheiro de zaga de Diego Lugano, hoje dirigente do São Paulo. Foi do ex-zagueiro são-paulino, inclusive, que ele herdou a braçadeira de capitão.

Além do camisa 3, outros sete atletas, além de Tabárez, estiveram na conquista da última Copa América: os goleiros Fernando Muslera e Martín Silva; os defensores Sebastián Coates e Martín Cáceres; o meio-campista Nicolás Lodeiro e os atacantes Edinson Cavani e Luis Suárez.

A partir da próxima temporada, o defensor de 33 anos não jogará mais ao lado de Giménez no clube. Godín se despediu do Atlético após nove anos em Madri.

Uma trajetória que chegou ao fim após dois títulos da Liga Europa, duas Supercopas da Uefa, uma Copa do Rei e um Campeonato Espanhol, esse com gol do uruguaio, de cabeça, no jogo que definiu o título diante do Barcelona, no Camp Nou, em 2014.

Se no clube o veterano passou o bastão ao jovem zagueiro, na seleção poderá ocorrer o mesmo, mantendo a linhagem de donos da braçadeira que lideram a equipe celeste de trás para frente.

“É claro que Josema [Giménez] pode ser meu sucessor. É um grande jogador, tem experiência e lidera com seu jogo. Tem um potencial futebolístico enorme, assim como também tem para assumir papel importante na capitania e na liderança do grupo”, observou Godín antes da estreia.

Palavra de capitão.

Uruguai x Equador​
19h, no Mineirão
Na TV: SporTV

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