Depois de engasgar em amistoso, Everton cresce e deve ganhar vaga na seleção

Atacante entra bem nos dois jogos da seleção e tem tudo para roubar posto de Neres

João Pedro Pitombo
Salvador e São Paulo

​Reserva no início da Copa América, Everton entrou bem nas duas primeiras partidas disputadas pela seleção brasileira. Na terceira, ao que tudo indica, não terá de esperar a etapa final para buscar suas jogadas pelo lado esquerdo do campo.

O atacante de 23 anos marcou um bonito gol na vitória por 3 a 0 sobre a Bolívia, na estreia, em São Paulo. Em Salvador, não conseguiu evitar o empate por 0 a 0 com a Venezuela, mas construiu boas jogadas – entre elas, a de um gol anulado pelo juiz de vídeo –e se credenciou a ganhar uma vaga entre os 11 titulares.​

O atacante Everton se salvou no tropeço do Brasil diante da Venezuela - Edgard Garrido/Reuters

O posto já poderia ser do atleta do Grêmio se ele tivesse aproveitado melhor a chance que caiu em seu colo após a contusão de Neymar. Quando o craque lesionou o tornozelo direito e deixou o time, no primeiro amistoso preparatório para a competição continental, Everton foi acionado e não se saiu bem.

Na partida seguinte, a oportunidade foi dada a David Neres, 22, que fez um gol, assumiu a ponta esquerda e teve atuações decepcionantes nas duas primeiras rodadas da Copa América, diante de Bolívia e Venezuela. Contra o Peru, não havendo surpresas, a vez será de Everton novamente.

“São jogadores jovens. Eu tenho que compreender que vai...”, disse Tite, fazendo um gesto de oscilação com a mão direita. “Quando entrou o Neres, deu uma resposta melhor do que a do início do Cebolinha. Aí, foi o Neres, que deu...”, acrescentou o treinador, repetindo o gesto.

Cebolinha é o apelido de Everton, e o chefe faz questão de chamá-lo pela alcunha para “deixá-lo mais à vontade”. O cearense está jogando seu primeiro campeonato com a camisa da seleção – assim como Neres –, e há uma preocupação da comissão técnica em não colocar responsabilidade demais em suas costas.

Ainda assim, há a esperança de que o camisa 19 faça o Brasil crescer na sequência da Copa América. Se a seleção está sofrendo para furar a retranca dos adversários e Neres não tem tido sucesso em suas investidas, a ideia agora é contar com a capacidade de drible de seu provável substituto.

O técnico Tite quer ver uma pontaria mais calibrada na seleção brasileira - Rodolfo Buhrer/Reuters

Só driblar, sabe Tite, não é suficiente. Após o empate sem gols com a Venezuela, ele cobrou dos jogadores maior precisão nas finalizações e observou que Fariñez só precisou fazer uma defesa mais complicada, em chute de Richarlison: “Tem que pôr o goleiro para trabalhar”.

Ele repetiu essas palavras no treinamento de quarta (19), mas só aqueles que atuaram menos de 45 minutos ou não jogaram na terça (18) foram ao gramado do Barradão, em Salvador. Terminada a atividade, a delegação se juntou para partir a São Paulo, palco do confronto com o Peru, no sábado (22).

A equipe treinará no CT do São Paulo na tarde de quinta (20). Na sexta (21), o trabalho será no estádio do Corinthians, em Itaquera, local da partida final do Brasil no Grupo A da Copa América.

Líder da chave, o Brasil precisa de um empate para assegurar classificação às quartas de final sem depender de qualquer outro resultado. Se vencerem, os comandados de Tite avançarão em primeiro e pegarão um dos terceiros colocados no início do mata-mata.

Um dia após o empate por 0 a 0 com a Venezuela em Salvador, o técnico da seleção brasileira Tite cobrou que os jogadores chutassem mais ao gol durante o treino desta quarta-feira (19).

Contra a Venezuela, o Brasil chutou 14 vezes ao gol, mas teve pouca efetividade nas finalizações, fato que foi criticado por Tite em entrevista após a partida na Arena Fonte Nova.

Realizado no estádio do Barradão, em Salvador, o treino desta quarta teve a participação dos jogadores que não atuaram contra a Venezuela mais o meia Everton e o atacante Gabriel Jesus, que entraram no segundo tempo.

Os jogadores que iniciaram a partida contra a Venezuela, mais o meia Fernandinho, que também entrou no segundo tempo, permaneceram no hotel onde fizeram um treino regenerativo na academia.

No Barradão, sete jogadores do sub-23 do Vitória completaram a equipe para os treinamentos.

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