Início da Copa América no Brasil tem ameaça de público fantasma

Até agora, só quatro jogos da competição contam com ingressos esgotados

Alex Sabino Carlos Petrocilo
Salvador e São Paulo

A Copa América começa nesta sexta-feira (14) com os organizadores preocupados. O que aflige o Comitê Organizador do evento é a baixa venda de ingressos —já que a ideia da edição sempre foi superar ou ao menos igualar o sucesso recorde do torneio organizado pelos Estados Unidos, em 2016.

Nesta sexta, às 21h30, a seleção brasileira abre o torneio contra a Bolívia, no Morumbi.

Até agora, só quatro jogos têm ingressos esgotados: a estreia, Brasil x Venezuela (no dia 18, na Fonte Nova) e a final (em 7 de julho, no Maracanã), além de Argentina x Colômbia (neste sábado, também em Salvador).

Estádio do Morumbi, que sediará a abertura da Copa América nesta sexta (13)
Estádio do Morumbi, que sediará a abertura da Copa América nesta sexta (13) - Henry Romero/Reuters

Há confrontos com poucas entradas disponíveis, como Chile x Uruguai (dia 24, no Maracanã).

O receio maior são as partidas com pouco mais de 2.000 bilhetes negociados até aqui, como Equador x Japão (dia 24, no Mineirão) ou Paraguai x Qatar (domingo, 16, no Maracanã). O primeiro deles vendeu só 1.500 ingressos. Outra partida no Mineirão, Bolívia x Venezuela, 3.500.

Agberto Guimarães, diretor-geral do Comitê Organizador Local, disse que, ao vender 65% dos ingressos até quarta (12), o torneio está bem próximo de bater a meta, de 70%. Porém, admite a preocupação com a venda em alguns jogos.

"Em todo lugar você tem produtos muitos valorizados e, entre eles, um ou outro que não desperta tanto interesse", afirmou Guimarães.

No último fim de semana, o melhor em vendas desde que os bilhetes começaram a ser negociados, em maio, foram comercializadas 19 mil entradas. Segundo a organização, torcedores de mais de 117 países compraram ingressos.

"Óbvio que temos preocupação com esses jogos [menores]. Mas as vendas estão se aquecendo à medida que se aproxima a competição. Esperamos que o interesse aumente ainda mais, inclusive nessas partidas", disse.

Para jogos em que há riscos de espaço vazio nas arquibancadas, o COL irá distribuir ingressos para entidades assistenciais e governamentais. A entidade, portanto, não pretende fazer ofertas.

A edição da Copa América de 2016, nos EUA, foi a que teve maior público nos estádios. Os ingressos do evento custaram em média US$ 100 (R$ 387 em valores atuais). No total, 1.483.855 pessoas viram as partidas nas arenas.

Não que todas tenham despertado grande interesse: o confronto entre Equador e Peru teve 11.937 espectadores. Mas ele foi exceção, já que a média foi de 46.370 pagantes.

Jogo da Copa América 2016, entre Brasil e Equador, no estádio Rose Bowl
Jogo da Copa América 2016, entre Brasil e Equador, no estádio Rose Bowl - Kelvin Kuo - 4.jun.16/Reuters

Para a edição deste ano, embora os organizadores já soubessem que jogos envolvendo os países convidados Qatar e Japão não despertariam grande interesse (a não ser no caso do confronto dos árabes contra os argentinos, em Porto Alegre), o baixo número de vendas surpreendeu. Mas não é algo novo.

Na última vez que sediou a Copa América, em 1989, o Brasil também teve partidas com estádios vazios. Isso foi amenizado pela realização de rodadas duplas, com dois jogos seguidos no mesmo estádio. Mesmo assim, apenas 20 mil pessoas foram ao Serra Dourada (Goiânia) ver a Argentina, com Maradona em campo, empatar com o Equador.

Ao contrário da Copa do Mundo de 2014, em que foram realizadas partidas em 12 cidades, a Copa América (também por ter menos seleções) acontecerá em cinco sedes: São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador.

A cidade do Nordeste vai receber 5 dos 24 jogos, mas a última será nas quartas de final. A organização evitou municípios que foram sedes do Mundial, mas exigiriam viagens mais longas para as seleções e torcedores, como Recife, Natal, Fortaleza e Manaus.

Um fator em que a Copa América no Brasil tem maior chance de se igualar ao torneio de 2016 é a taxa de ocupação das arenas. Nos Estados Unidos, que usaram estádios com maior capacidade de público, ela foi de 64,9%. O menor dos dez locais que receberam jogos foi o Soldier Field, em Chicago, que comporta 61.500 pessoas.

Se atingir a meta almejada de 1 milhão de torcedores, a Copa América deste ano pelo menos vai superar os outros torneios continentais realizados nesta década —à exceção do jogado em 2016.

Em 2015, no Chile, 655.902 pessoas foram aos estádios, com uma média de 25.227 pessoas por jogo. Menos do que o que se deu na Argentina, quatro anos antes, quando o público total foi de 882.621, e a média ficou em 33.947 torcedores por partida.

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