Descrição de chapéu The New York Times

Cristiano Ronaldo não será acusado em caso de agressão sexual nos EUA

Procuradoria pública diz que caso não pode ser provado sem 'dúvida razoável'

Kevin Draper
Nova York | The New York Times

O procurador público estadual em Las Vegas anunciou nesta segunda-feira (22) que não moveria acusações quanto à acusação de agressão sexual apresentada contra o astro do futebol Cristiano Ronaldo.

"Com base em uma revisão das informações apresentadas até o momento, as afirmações de agressão sexual por Cristiano Ronaldo não podem ser provadas sem dúvida razoável", afirmou em comunicado a procuradoria pública do condado de Clark, Nevada, o município que abriga Las Vegas.

Cristiano Ronaldo em ação pelo Campeonato Italiano, contra a Inter de Milão, em abril deste ano
Cristiano Ronaldo em ação pelo Campeonato Italiano, contra a Inter de Milão, em abril deste ano - Marco Bertorello/AFP

A agressão teria acontecido em um hotel de Las Vegas em junho de 2009, mais ou menos na época em que o atacante português estava concluindo sua transferência do Manchester United ao Real Madrid (Ronaldo atualmente defende a campeã italiana Juventus).

A mulher que acusou Ronaldo de agressão, Kathryn Mayorga, procurou a polícia logo depois do incidente mas se recusou a revelar aos investigadores o local do ataque ou o nome do agressor. A procuradoria afirmou na segunda-feira que essa relutância dificultou que a polícia de Las Vegas "conduzisse qualquer investigação significativa" na época, e o caso foi encerrado. No ano seguinte, a procuradoria aponta, Mayorga chegou a um acordo em um processo civil contra Ronaldo.

O caso atraiu alguma atenção pública inicial em 2017, quando a revista alemã Der Spiegel noticiou a acusação de agressão e um pagamento de US$ 375 mil a Mayorga como parte do acordo. No ano passado, Der Spiegel obteve diversos documentos na plataforma de denúncias Football Leaks, que segundo ela davam credibilidade às afirmações de Mayorga. Entre eles havia o acordo assinado entre Mayorga e Ronaldo, um exame médico quanto ao ataque sexual, e correspondência entre advogados que representavam Ronaldo.

A correspondência incluía dois questionários respondidos por Ronaldo. De acordo com a Der Spiegel, na primeira versão do questionário Ronaldo respondeu que Mayorga havia "dito não e dito pare diversas vezes", e que ela "tinha dito que não queria, mas havia se oferecido". Essas respostas não constavam da segunda versão.

Em um vídeo que foi postado no Instagram quando as acusações ressurgiram no ano passado, Ronaldo definiu qualquer acusação de agressão sexual como "fake news". De acordo com os representantes dele, qualquer contato entre Ronaldo e Mayorga foi consensual.

Der Spiegel também publicou uma entrevista na qual Mayorga se declarava responsável pela acusação. No texto, o advogado dela afirma que a agressão lhe causou trauma psicológico e que ela portanto não estaria apta a aceitar o acordo civil, e o acordo de confidencialidade a ele ligado, que assinou em 2010.

Em setembro de 2018, a pedido de Mayorga, a polícia de Las Vegas reiniciou a investigação. Mayorga também abriu um processo contra Ronaldo na justiça estadual do Nevada, ainda que tenha retirado esse processo mais tarde ao iniciar uma ação contra o jogador na justiça federal.

No processo, ela afirmava que o ataque ocorreu na madrugada de 13 junho, em uma suíte do Palms Place Hotel. Ela disse que conheceu Ronaldo em uma casa noturna de Las Vegas, e que o jogador a convidou, assim como a mais algumas pessoas, a ir ao seu hotel.

A polícia de Las Vegas investigou o caso reaberto por nove meses, o que incluiu solicitar uma amostra de DNA de Ronaldo, e os advogados de Mayorga o intimaram a depor em um processo civil. A investigação e as questões judiciais quanto a Ronaldo levaram a Juventus a disputar amistosos na Ásia, na pré-temporada de 2018/2019, em lugar de realizar uma excursão pelos Estados Unidos.

No começo deste mês, a polícia de Las Vegas submeteu um pedido de indiciamento à procuradoria distrital, de acordo com o comunicado. A procuradoria distrital recusou informar detalhes sobre a natureza da solicitação, e a polícia de Las Vegas não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

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