Descrição de chapéu Copa Libertadores

Palmeiras abre oitavas de final tentando controlar turbulência

Mal após pausa da Copa América, equipe começa mata-mata da Libertadores em crise

Marcos Guedes
São Paulo

Há uma semana e meia, o Palmeiras liderava o Campeonato Brasileiro com folga e alimentava duas discussões: se o título já estava decidido e se era possível brigar simultaneamente por outras duas taças. Agora, a equipe divide a ponta do Nacional com o Santos, está eliminada da Copa do Brasil e inicia as oitavas de final da Copa Libertadores em turbulência até literal.

Foi trepidante o voo que deveria levar a delegação alviverde até Mendoza, palco da partida desta terça-feira (23), contra o Godoy Cruz. Após duas tentativas frustradas de pouso, o avião tocou o solo em Buenos Aires, com jogadores e dirigentes assustados, porém inteiros e dispostos a reverter um cenário que de repente ficou desfavorável.

Eles percorreram cerca de 6.500 km de Fortaleza, onde perderam por 2 a 0 para o Ceará no último sábado (20), até Mendoza, aonde finalmente chegaram na segunda (22). Como houve só um treinamento para o confronto na Argentina, Luiz Felipe Scolari buscou as soluções na base da conversa.

O técnico Felipão e o jogador Ramires, do Paleiras, em jogo contra a equipe do Ceará, durante partida válida pela décima primeira rodada, do Campeonato Brasileiro, na Arena Castelão
O técnico Felipão e o jogador Ramires, do Paleiras, em jogo contra a equipe do Ceará, durante partida válida pela décima primeira rodada, do Campeonato Brasileiro, na Arena Castelão - Cesar Greco - 20.jul.2019/Divulgação Palmeiras

“Se não tiver a cabeça no lugar, vai jogar fora tudo o que teve até agora”, disse o treinador, após o resultado negativo do final de semana. “Vou ter que trabalhar bem o aspecto psicológico. Estivemos mais nervosos do que o normal. Até alguns jogadores mais experientes, vendo que não iam ganhar o jogo, acabaram se irritando.”

O próprio Felipão, 70, mostrou-se suscetível ao momento de pressão. Após a eliminação do time na Copa do Brasil, na última quarta (17), contra o Internacional, ele deixou de lado o rodízio de atletas em tentativa de frear o mau momento e bater o Ceará. Perdeu e deixou mais desgastado um elenco que jogará sua terceira partida em sete dias.

Em campo, a equipe não tem respondido como vinha fazendo antes da pausa no calendário para a disputa da Copa América. Em 33 partidas oficiais até a parada, o Palmeiras foi vazado apenas nove vezes, com ótima média de 0,27 gol por jogo. Nos quatro embates desde o retorno, Weverton já teve de buscar quatro bolas no fundo da rede.

Se o lateral esquerdo Diogo Barbosa parecia o único ponto frágil de um sistema defensivo forte, hoje a marcação exibe mais problemas. Os pontas Dudu e Zé Rafael, de limitada colaboração sem a bola, têm deixado os flancos expostos. E o antes eficiente combate pelo meio, com os volantes Felipe Melo e Bruno Henrique, não vem tendo o mesmo funcionamento, algo que ficou claro diante do Ceará.

A queda na eficiência defensiva quebra o plano de jogo do time, que gosta de contra-atacar. Quando é obrigada a ter a bola, a formação alviverde esbarra na falta de hábito de trocar passes. O gosto pela ligação direta cobra o preço de uma equipe que não conseguiu nenhuma virada desde o retorno de Felipão, há um ano.

 
 

No Campeonato Brasileiro, por exemplo, de acordo com o Footstats, o Palmeiras tem média de 48% de posse de bola em suas partidas, o que coloca o líder da tábua de classificação apenas na 12ª colocação nesse quesito. Ou seja, o time tem menos a bola do que seus rivais, um contraste claro com a estratégia do vice-líder Santos, que tem 58% de posse.

A pontaria também não tem ajudado. Contra o Ceará, das 18 finalizações, só 6 foram na direção do gol. E 10 delas foram de uma distância de ao menos 25 metros, o que mostra a dificuldade de penetração.

As falhas na frente deixam a defesa exposta, alimentando o ciclo negativo, e preocupam os antes confiantes palmeirenses. Houve protestos após o fracasso na Copa do Brasil e também após a derrota para o Ceará, no Campeonato Brasileiro, com cobranças dirigidas ao treinador e a jogadores como Lucas Lima, Dudu e Deyverson.

Nesse cenário, tornou-se de alto risco o confronto com o Godoy Cruz, um clube de pouca tradição. Voltar da Argentina com um resultado ruim pode tornar ainda mais turbulento o momento do Palmeiras, que espera corrigir o curso e mostrar que ainda está no caminho para o título nacional e vivo na luta pela conquista sul-americana.

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