Rodrigo Maia visita o São Paulo e defende clube empresa no Brasil

Presidente da Câmara foi conhecer estrutura do CT e conversar com dirigentes

Toni Assis
São Paulo

O presidente da Câmara do Deputados, Rodrigo Maia (DEM), visitou o CT da Barra Funda nesta segunda (12), durante o treino da tarde, para conversar com a diretoria do São Paulo sobre a composição de um projeto de lei que visa transformar os clubes em empresas.

A convite da diretoria, ele conheceu a estrutura do Centro de Treinamento e falou sobre a necessidade de modernizar o futebol para deixar os clubes brasileiros em condições de competir com outros grandes centros e, assim, segurar os grandes jogadores no Brasil.

O presidente da Câmara Rodrigo Maia (ao centro) assiste ao treino do São Paulo acompanhado de Marco Aurélio Cunha coordenador da seleção feminina de futebol (à esq.) e do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva
O presidente da Câmara Rodrigo Maia (ao centro) assiste ao treino do São Paulo acompanhado de Marco Aurélio Cunha coordenador da seleção feminina de futebol (à esq.) e do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva - Ronny Santos/Folhapress

"Vim conhecer a estrutura do São Paulo, que é um exemplo de gestão. É preciso modernizar os clubes e garantir mais investimentos privados para competir com centros como China e Europa. Temos de avançar neste projeto para que os clubes caminhem neste formato de separar a forma associativa do futebol", afirmou Maia.

Além de Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF, Maia esteve acompanhado de Raí, diretor de futebol, de Lugano, superintendente de Relações Internacionais do clube além do mandatário são-paulino Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Maia esteve na CBF no fim de julho para falar sobre o projeto de lei e disse que pretende ainda visitar outros grandes clubes para falar sobre o assunto em pauta.

"A ideia é visitar outros clubes para que a gente possa avançar para um projeto de clube empresa, onde a gente estimule e encaminhe os clubes para esse formato, separando a parte associativa do futebol", afirmou. 

O modelo de empresa é comum entre os grandes clubes europeus. Se for aplicado no país, deve ter como efeito colateral um aumento com o pagamento de impostos. 

Isso, no entanto, seria compensado pela possibilidade maior de se conseguir grandes investidores. Segundo Rodrigo Maia, esses investimentos seriam importantes para aumentar o poderio financeiro das equipes.

“Precisamos avançar num projeto de clube empresa onde a gente encaminhe os clubes para esse formato. O futebol hoje representa menos de 1% da riqueza brasileira, do PIB brasileiro. Temos que trabalhar para fortalecer essa atividade econômica [o futebol]", disse o político.

Enquanto esteve à beira do campo com o estafe são-paulino, Rodrigo Maia ainda recebeu a visita do atacante Antony e do recém-contratado Daniel Alves para uma rápida conversa.

​ Um projeto de lei no Congresso, o PL 5.082/2016, estimula os clubes a virarem empresas com algo que promete ser um grande atrativo para a migração: desconto tributário. O clube empresa pagaria um imposto de 5%, em vez de 34%, que é cobrado para empresas na soma dos tributos (IRPJ, Cofins, PIS, Contribuição social sobre lucro e Contribuição Previdenciária Patronal).

Um dos clubes que pode liderar esse movimento de transformação é o Botafogo, time do qual Maia é torcedor.

Recentemente, os irmãos Moreira Salles, botafoguenses, contrataram um estudo sobre a implementação de um novo modelo de gestão no clube, cujas dívidas ultrapassam a casa dos R$ 750 milhões.

Encomendado à consultoria EY, o projeto prevê a constituição de sociedade anônima exclusivamente destinada a administrar o futebol do Botafogo no período de 30 anos. O estudo pode ser o início de um processo de recuperação do clube.

O sucesso depende da constituição de um fundo em que os investidores "compram" a dívida dos credores. O clube deve aos Moreira Salles.

O projeto de agora visa criar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com duração de 30 anos para cuidar do futebol do clube. A nova empresa, uma sociedade anônima, levantaria recursos para arcar com as dívidas em curto prazo (cinco anos) do Botafogo, hoje em torno de R$ 350 milhões. Em longo prazo, outros R$ 400 milhões em 25 anos apenas para dívidas.

A ideia para reestruturar o Botafogo baseia-se na criação dessa SPE composta por investidores que queiram operar de forma transitória por um período de até 30 anos. Seriam responsáveis por bancar o futebol e outros esportes, e em troca, teriam direito de imagem dos distintivos do clube, transferência dos contratos dos atletas, transferência dos cadastros desportivos para disputar, como Botafogo, todas as categorias do futebol.

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