Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

Fla cresce no ataque e tira proveito de falhas defensivas do Palmeiras

Ascensão rubro-negra coincide com má fase da zaga do ex-líder do Brasileiro

Marcos Guedes
São Paulo

Flamengo e Palmeiras duelam às 16h (de Brasília) deste domingo (1º), no Maracanã, no Rio de Janeiro, em jogo importante na briga pela liderança do Brasileiro. Apenas três pontos separam o time rubro-negro, que começou a rodada na primeira posição, da equipe alviverde, que tem um jogo a menos.

A diferença hoje é mínima, mas já foi bem maior. No momento em que a competição foi interrompida para a disputa da Copa América, após a nona rodada, o Palmeiras ocupava o topo da tabela, com espetaculares 93% de aproveitamento. O Flamengo estava oito pontos atrás.

Bruno Henrique (esq.) e Gabriel (dir.), atacantes do Flamengo, comemoram gol durante partida do Brasileiro
Bruno Henrique (esq.) e Gabriel (dir.), atacantes do Flamengo, comemoram gol durante partida do Brasileiro - Amanda Perobelli - 21.jul.2019/Reuters

De lá para cá, o time carioca teve uma ascensão considerável, impulsionada sobretudo por seu desempenho ofensivo. A média de gols saltou de 1,7 por partida para 2,9 nas sete rodadas realizadas após a parada. Com o elogiado trabalho do treinador português Jorge Jesus, a equipe passou a trocar mais passes, pulando de 397 para 421 toques certos por confronto.

Isso não gerou mais finalizações, que ficaram estáveis na casa das 14 por jogo. O que mostra o levantamento feito pela Folha com base em estatísticas do Footstats é que a precisão nas conclusões subiu consideravelmente —houve aumento de 20% nas finalizações certas no caminho para a liderança, assumida na semana passada.

Essa ascensão coincidiu com uma queda brusca do Palmeiras em quase todos os critérios estatísticos. Aquele time que liderava com 93% de aproveitamento ganhou apenas 28% dos pontos que disputou no Brasileiro após a parada na Copa América. Não conseguiu nenhuma vitória.

A piora mais sensível foi na defesa. A média de gols sofridos foi de 0,2 para 1,3 por jogo, um aumento de mais de 500%. E o ataque, com uma queda de 7% na precisão nas conclusões, passou a produzir a metade do que conseguia: 1 gol por partida, contra 2 gols por partida nos jogos anteriores à Copa América.

As estatísticas compiladas são apenas do Brasileiro, mas o período de queda na competição de pontos corridos teve também eliminações na Copa do Brasil e na Copa Libertadores. Os resultados colocaram pressão no técnico Luiz Felipe Scolari, cobrado pelo estilo de jogo, com armas como o lateral colocado na área.

"É proibido agora? Então, vou pedir para o adversário não colocar a bola para fora", ironizou o treinador. "Se a equipe do Palmeiras só tem esse repertório, foi campeã brasileira do ano passado e está em terceiro lugar neste ano, não acho que seja normal discutir meus métodos."

Há um óbvio contraste com o momento vivido por Jorge Jesus, que na última semana colocou o Flamengo na liderança do Nacional e nas semifinais da Libertadores. "Para mim, o melhor futebol é o do Flamengo", disse o português.

O time da Gávea não foi o único, porém, a apresentar uma melhora considerável após a parada na Copa América. São Paulo e Corinthians, que faziam campanhas de meio de tabela, aproveitaram bem a pausa no calendário para fazer ajustes e crescer.

Do retorno até a rodada passada, o São Paulo conseguiu o aproveitamento mais alto (76%), ao lado do Flamengo. Houve evolução na média por jogo registrada em vários quesitos, como gols (de 0,9 para 1,7) e finalizações certas (de 4,2 para 6,2). A precisão nas conclusões subiu 38% para 49%, pontaria que ajudou a compensar a maior —mas ainda satisfatória— média de gols sofridos (de 0,6 para 0,9).

No Corinthians, também vem sendo observado um crescimento notável. A defesa, que já era segura, passou a apresentar índices ainda melhores com a chegada do beque Gil. A equipe, que sofria 0,8 gol por jogo, passou a sofrer 0,5. Cássio era exigido 6,3 vezes em uma partida, em média, e agora precisa fazer apenas 3,9 defesas por duelo.

Mas é no ataque que a equipe alvinegra tem feito a diferença em relação à sua campanha nas rodadas iniciais. Único invicto no pós-Copa América, o time de Fábio Carille foi de 7,9 para 12,7 finalizações por partida. O resultado foi uma média de gols que foi de 0,9 para 1,4 por confronto.

Já o Santos, vice-líder no início da rodada, apresentou um crescimento ofensivo ainda mais expressivo, aumento que chegou a ajudá-lo a tomar a primeira posição. O problema é que a rede alvinegra também passou a ser mais balançada, e o resultado tem sido um aproveitamento menor (62%) do que o registrado antes da parada (74%).

Mesmo acertando o mesmo número de conclusões por partida (6,9), a equipe praiana passou a ser mais efetiva, pulando de 1,3 gol por jogo para 2,3. Mas a defesa passou a permitir 1,4 gol por partida, aumento de 75% em relação à média antes da parada (0,8).

O empate por 3 a 3 com o Fortaleza no último domingo, com desperdício de uma vantagem de três gols, é um bom retrato do Santos nas últimas rodadas. O Flamengo soube aproveitar essa instabilidade para assumir a primeira colocação, posto que tentará manter batendo o Palmeiras na tarde deste domingo.

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