Descrição de chapéu Mundial de Clubes 2019

Flamengo joga para consagrar time feito fora de casa

Sem titulares formados na base, time disputa semifinal do Mundial da Fifa

Doha

O lema de que “craque o Flamengo faz em casa” ficou tão marcado que foi pintado nas paredes da Gávea, sede do clube, nos anos 1980. Dos 11 titulares que derrotaram o Liverpool por 3 a 0 no Mundial  de 1981, sete foram formados no clube: Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico e Tita.

Trinta e oito anos depois, a equipe carioca volta ao torneio sem confirmar a tese. Com uma base “europeia”, o Flamengo enfrenta nesta terça (17) o Al-Hilal, da Arábia Saudita, às 14h30 (de Brasília) pela semifinal. A vitória pode significar o reencontro com o Liverpool. Na quarta (18), os ingleses jogam contra o Monterrey (MEX).

“Eu não tenho nada para falar do Liverpool. Não vou jogar com o Liverpool. Vou jogar com o Al-Hilal”, respondeu, mal-humorado, o técnico português Jorge Jesus, cansado das indagações sobre os britânicos.

Time do Flamengo treina no Rio de Janeiro antes de embarcar para o Qatar
Time do Flamengo treina no Rio de Janeiro antes de embarcar para o Qatar - Carl de Souza/AFP

O Flamengo que ele deverá colocar em campo em Doha, no Qatar, não terá nenhum jogador formado nas categorias de base do clube. No banco, a maior esperança entre as revelações é o meia Reinier, 17.

Entre os 23 inscritos no Mundial deste ano, dez jogaram na Europa antes de desembarcarem na Gávea. Sete deles (Diego Alves, Rafinha, Pablo Marí, Filipe Luís, Gerson, Gabriel e Bruno Henrique) serão titulares diante do Al-Hilal, equipe que tem o colombiano Gustavo Cuéllar, que começou esta temporada no rubro-negro.

Entre os brasileiros que foram ao Mundial nesta década, apenas o Atlético-MG tinha mais jogadores com experiência prévia na Europa do que o Flamengo atual. Eram 11. O principal nome foi Ronaldinho Gaúcho.

A equipe de Jorge Jesus tem mais jogadores com passagem pelo principal mercado do futebol mundial do que o Grêmio (6 atletas em 2017), o Corinthians (5 em 2012) e o Santos (5 em 2011).

Rafinha, 34, já foi campeão mundial de clubes. Em 2013, estava no Bayern de Munique (ALE) que derrotou o Raja Casablanca (MAR) na final.

“É o ponto mais alto para um clube. O pessoal fala muito que os europeus não ligam para este torneio. Ligam, sim. Mas lá [na Europa] eles ainda têm competições e na América do Sul a temporada já acabou. Nos times europeus, quando não ganha [o Mundial] a pressão é enorme”, afirma o lateral, que não é o único vencedor do Mundial no elenco.

Diego, 34, uma espécie de 12º titular de Jorge Jesus, ganhou a competição em 2004 pelo Porto (POR) contra o Once Caldas (COL). Bateu um dos pênaltis que decidiu a disputa que na época ainda tinha a fórmula de jogo único em Tóquio entre os campeões europeu e o sul-americano.

Willian Arão era parte do elenco do Corinthians vencedor sobre o Chelsea (ING) em 2012, mas não entrou em campo.

Rafinha chegou a dizer nesta segunda (16) que Pep Guardiola, técnico do Bayern em 2013, considerava o Atlético-MG favorito ao título naquela temporada. Mas os brasileiros caíram na semifinal diante dos marroquinos, um alerta que é lembrado de forma constante por Jorge Jesus.

Desde 2010, quatro sul-americanos caíram nas quartas de final. Além do time mineiro, Internacional, Atlético Nacional (COL) e River Plate (ARG) não disputaram a final.

“No Brasil se falou muito no Liverpool e se esqueceu que tinha um jogo antes”, afirmou Jesus.

A insistência de Jesus em falar só do Al-Hilal e a aparente ranhetice é para manter os atletas concentrados. Ele já comentou sobre o risco de relaxamento depois de novembro, mês em que o Flamengo ganhou uma das finais de Libertadores mais dramáticas da história, com dois gols a partir dos 43 minutos do 2º tempo, e foi campeão brasileiro 24 horas depois.

Desde o Santos de 1963 um clube do país não conquistava o principal torneio continental e nacional no mesmo ano.

Para ele, esta é a vantagem em ter um grupo experiente e com passagens pelo exterior. Na teoria, eles saberiam a hora de relaxar e o momento de entrar em campo a mil quilômetros por hora. Gente que gosta de estar em situações como a desta terça e responde bem a elas.

“O sucesso leva treinadores e jogadores a terem muita pressão. Quem não quer ter pressão e sucesso? Quero a vida inteira ter essa pressão”, disse Jesus.

Se o resultado final for o título, a torcida não vai dar importância para a procedência dos jogadores que levantaram a taça. Mas não deixa de ser curioso que a trilha sonora que embalou o Flamengo na final da Libertadores, em Lima, e é ouvida de maneira constante em Doha seja música que diz que em dezembro de 1981, o rubro-negro colocou os “ingleses na roda”. E com um time de craques feitos em casa.

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