Descrição de chapéu Tóquio 2020

Alberto Murray desiste de concorrer à presidência do COB

Advogado era um dos quatro candidatos inscritos para o pleito de outubro

São Paulo

Um dia depois de o Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciar a inscrição de quatro candidatos na eleição à presidência da entidade pelos próximos quatro anos, o advogado Alberto Murray Neto, 54, e o seu vice, Mauro Silva, 64, presidente da Confederação Brasileira de Boxe, anunciaram a desistência do processo eleitoral.

Murray anunciou a retirada de sua candidatura por meio das redes sociais, na tarde desta quinta-feira (10). Ele publicou uma carta na qual diz que tomou essa decisão após Mauro Silva manifestar o desejo de não mais disputar a eleições.

"Eu conversei com o Alberto e resolvi não viver mais essa tensão a partir do momento que perdi a convicção dos votos que teríamos. Sou bem consciente e não adianta concorrer sem o apoio de quem vota [atletas e confederações]”, afirmou Silva à Folha.

Alberto Murray Neto desiste de concorrer ao cargo máximo do COB - Carol Coelho / Folhapress

“Por esta razão, considerando que o prazo de inscrição de nova chapa esgotou-se e, ainda, considerando que a chapa é indivisível, sendo impossível a substituição do candidato, não me resta alternativa senão informar a retirada da candidatura”, diz trecho da carta publicada por Murray. Ele afirma que não irá apoiar nenhuma das três chapas registradas.

Mais tarde, o ex-candidato se pronunciou novamente e lamentou a desistência tardia de Silva. "Eu não teria saído. Pena que meu vice, Mauro, tenha tomado essa decisão um dia após a inscrição das chapas. Se fosse antes, eu teria tempo de substituí-lo."

Murray foi o primeiro candidato a manifestar, ainda em janeiro deste ano, o seu desejo de ocupar o cargo máximo da entidade. Até dezembro, ele esteve à frente do Conselho de Ética do COB, mas renunciou após atritos com o presidente do comitê, Paulo Wanderley, e passou a cuidar da sua candidatura.

A tentativa vinha se desgastando nas últimas semanas, e o advogado passou a ser visto como pouco competitivo. A Confederação Brasileira de Golfe (CBG), que endossou a inscrição da chapa dando uma das três assinaturas para que ela saísse do papel, já analisava se manteria ou não seu apoio a Murray.

Ele também recebera o aval do presidente da Comissão de Atletas do COB (CACOB), o ex-judoca Tiago Camilo, mas não necessariamente teria o apoio dos seus 12 integrantes no pleito.

Murray tentava convencer Silva a continuar na chapa até a manhã desta quinta, mas os esforços foram em vão.

Com a desistência, restam as candidaturas do presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Rafael Westrupp, 40, do presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM), Helio Meirelles Cardoso, 68, e de Paulo Wanderley, 69, que tentará a reeleição.

Westrupp tem como candidato a vice Emanuel Rego, ex-atleta do vôlei de praia, e Cardoso o ex-velocista Robson Caetano. Wanderley concorre junto com o seu atual vice, Marco La Porta, ex-presidente da Confederação Brasileira de Triatlo.

O colégio eleitoral é composto pelos 35 representantes das confederações olímpicas, 12 integrantes da CACOB e dois integrantes brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) –o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman e Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional.

A votação será realizada na sede da entidade no próximo dia 7, no Rio de Janeiro. O pleito poderá ter até três turnos para confirmar o vencedor, que precisará chegar à maioria dos 49 votos (os menos votados vão sendo eliminados da disputa, como acontece na escolha das sedes olímpicas).

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