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Massa tem Barrichello como referência em novo desafio na Stock Car

Ex-pilotos da F1 estarão novamente juntos no grid, agora na categoria brasileira

São Paulo

"Rubiiito", gritou Felipe Massa no início de uma live que ele dividiu com Rubens Barrichello no início do ano do ano passado. "Você está com uma bela franja", comentou Rubinho, antes de os dois passarem quase uma hora e meia relembrando a trajetória de ambos nas pistas, nas quais seguiram caminhos parecidos e se tornaram amigos.

A partir deste ano, Massa, 39, seguirá novamente um passo dado por Barrichello, 48. Em 2012, o mais velho voltou ao Brasil para correr na Stock Car.

Os dois pilotos que mais vezes representaram o país na F1 —somados disputaram 592 corridas— voltarão a dividir o mesmo grid após quase dez anos. A última vez que isso ocorreu foi em 2011, no GP Brasil, quando Rubinho se despediu da categoria.

Em 2014, após um ano e meio tentando se adaptar ao carro da Stock, Barrichello conquistou o título da categoria nacional, feito que inspira Massa.

"O tempo de adaptação do Rubinho mostra que os pilotos precisam dessa fase. A Stock é uma categoria muito competitiva. O Rubinho teve esse tempo, tantos outros pilotos tiveram, e ele é uma referência hoje", afirmou o piloto em entrevista à Folha. "Ele me incentivou a correr na Stock."

Reconhecendo que seu início será desafiador, Massa está ansioso para voltar a correr em alto nível. Faz 13 anos desde a última vez que ele ganhou uma corrida, o GP Brasil de F1 em 2008, ano em que ele foi vice-campeão —seu melhor desempenho no Mundial.

De 2018 a 2020, correu por duas temporadas na FE, campeonato de carros elétricos, no qual não conquistou nenhuma vitória. "Logicamente eu espero ter na Stock um desempenho melhor do que na FE. Quero aprender a categoria o mais rápido possível", enfatizou.

Acostumado com carros de monoposto, Massa terá uma vivência completamente diferente ao pilotar um modelo de turismo.

"Ele deve ter dificuldade nas freadas e nas acelerações. Por ser um carro grande, a pressão aerodinâmica é diferente. Na F1, acelerar e frear é tudo muito rápido. Na Stock, é preciso ter mais paciência nas curvas", explica Julio Campos, 38, que será seu companheiro na recém-criada equipe Lubrax Podium.

O preparo físico é outro fator que preocupa o estreante. "É um carro muito quente, praticamente como guiar em uma sauna. Esse é o ponto chave para se adaptar", afirmou.

Felipe Massa (à dir.) ao lado de Julio Campos, que será companheiro do ex-piloto de F1 na Stock Car
Felipe Massa (à dir.) ao lado de Julio Campos, que será companheiro do ex-piloto de F1 na Stock Car - Rodolfo Buhrer/Divulgação

Em 2018, Felipe Massa teve uma breve experiência na categoria nacional. Como convidado, ele disputou a Corrida do Milhão, na modalidade por duplas, na qual dividiu o carro com o pentacampeão Cacá Bueno. A dupla terminou em 13º.

"[A corrida] não foi o suficiente para realmente entender a categoria. O carro que eu corri era diferente do carro que vamos ter neste ano, algumas regras foram mudadas também, mas eu estou muito empolgado em correr na Stock Car", disse.

Quem também está ansioso pela estreia é Barrichello. "A dica que vou dar para ele é comprar um motorhome e estacionar do meu lado, porque vai elevar o nível dos vinhos", brincou o piloto em entrevista ao site F1Mania.

"O Rubinho é um grande amigo, mas quando você abaixa a viseira do capacete quer vencer qualquer um que esteja disputando a corrida", declarou Massa.

A abertura do campeonato está prevista para o dia 28 de março, ainda sem local definido. Ao todo, serão 12 etapas ao longo do ano.

Apesar do longo período em que correram juntos na F1, os dois brasileiros não chegaram a travar grandes disputas. Em raros momentos ambos guiaram simultaneamente carros com chances reais de vitórias.

Nas três primeiras temporadas de Massa, 2002, 2004 e 2005 (não disputou 2003), ele correu pela equipe Sauber e nunca alcançou um pódio. Nesse período, Rubinho pilotava na Ferrari, à sombra de Michael Schumacher, e mesmo assim venceu nove corridas.

De 2006 até 2011, ano de despedida de Barrichello, a situação se inverteu. Felipe substituiu Rubens na equipe italiana, e o ex-ferrarista passou a correr por escuderias menos competitivas na época, como Honda e Williams.

O único ano em que ambos tiveram reais chances de travar disputas acirradas foi em 2009, temporada em que Barrichello guiou a surpreendente Brawn e Massa seguia na Ferrari.

Mas justamente nesse ano os italianos não produziram um carro competitivo, Massa só subiu ao pódio uma vez, enquanto Rubinho acabou como vice-campeão.

Agora, na Stock, categoria na qual ambos usarão carros e motores padronizados e equalizados, espera-se que ambos possam travar o aguardado confronto. "Sem dúvida [a competitividade] foi uma das coisas que me atraíram. É uma das categorias mais competitivas do mundo", afirmou Massa.

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