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Cinema

'Carcereiros' é um dos melhores filmes de ação já produzidos no Brasil

Há, porém, alguns problemas, como o uso de situações absurdas que retiram a verossimilhança

Carcereiros - O Filme

  • Quando Estreia nesta quinta (28)
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Rodrigo Lombardi, Milton Gonçalves e Rômulo Braga
  • Produção Brasil, 2019
  • Direção José Eduardo Belmonte

“Carcereiros - O Filme” não é, como se pode temer inicialmente, um grande episódio caça-níquel pronto para ser fatiado pela Globo em uma nova temporada da série homônima já de grande sucesso na TV aberta. Pode se tornar isso ao final, mas ele é, antes, um dos melhores filmes de ação já produzidos no Brasil, apesar de alguns problemas.

Inspirada no livro “Carcereiros”, de Drauzio Varella, colunista da Ilustrada, a história do longa é simples e boa. O agente penitenciário Adriano (Rodrigo Lombardi) e seus colegas vivem um dia de cão no trabalho com a chegada de Abdel (Kaysar Dadour), “um perigoso terrorista internacional”, que passará a noite naquele presídio antes de ser levado ao exterior pela Interpol.

Tudo ganha ares de caos (e muita emoção) quando ocorre uma invasão de mercenários muito bem armados, ao mesmo tempo que criminosos tentam aproveitar a oportunidade para resolver pendências com uma facção rival.

Praticamente toda a trama se desenvolve em uma só noite e toda ela no interior do presídio. A força do filme é justamente conseguir contar essa história nesse tempo/espaço e manter a adrenalina do expectador em alta, com a mistura de bons diálogos e momentos de humor. A dinâmica não permite dramas pessoais e crises existenciais, o que não é ruim para o gênero.

O filme ganha o espectador logo no começo, quando ocorre um tenso diálogo entre Adriano e o preso Carlão da Motosserra (Similião Aurélio). O agente tenta convencer o detento a não cortar o pescoço de um agente, e, com isso, nos leva para dentro da prisão.

O personagem Motosserra é aquele que dá um brilho especial ao roteiro muito bem construído, que consegue criar uma narrativa com reviravoltas e boas sacadas que eliminam as obviedades facilmente encontradas no gênero.

Há, porém, alguns problemas. Um deles é o uso de situações absurdas que retiram a verossimilhança.

Nessa lista está o grande despreparo de agentes da Polícia Federal, o apagão da eficiência da milícia invasora em momento chave e, por fim, uma sequência de disparos certeiros somente vista antes em “Os Donos da Noite”, filme estrelado por Eddie Murphy em 1989.

Outro pequeno problema é a escolha do elenco. Além de a massa carcerária mais parecer um grupo de desempregados (e não de criminosos), Jackson Antunes e Rafael Portugal não funcionam bem nos papéis. Não pelas atuações, mas, como são marcados pelo carisma e humor, não os enxergamos como deveríamos.

Talvez o maior pecado de “Carcereiros” seja, por mais contraditório que possa parecer, o sucesso alcançado pela série na TV. Ao conhecermos minimamente a história de Adriano —e a estrutura narrativa—, perde-se algo de mais gostoso de uma nova história: a construção dos personagens à nossa frente e descoberta dos vilões e mocinhos.

“Carcereiros” é, assim, um bom filme de ação que talvez tenha errado o timing para ser, de fato, “o” filme.

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