Em sete anos, cai 15% o número de empresas que trabalham com cultura

Pesquisa divulgada pelo IBGE mostra que, no período entre 2010 e 2017, 58 mil companhias deixaram de atuar no setor

Rio de Janeiro

O número de empresas ligadas à cultura caiu 15% entre 2010 e 2017, período em que 58 mil companhias deixaram de atuar no setor. Essa constatação foi divulgada pelo IBGE nesta quinta (5), em pesquisa de informações e indicadores culturais.

Em 2010, existiam 383.522 empresas e outras organizações ligadas ao setor cultural registradas no Cempre (Cadastro Central de Empresas). Em 2017, esse número foi para 325.422. Dez anos antes, em 2007, eram 353.193.

Os dados apontam retratação no setor cultural em diversos pontos da economia. "As empresas nas atividades culturais perderam participação em todas as variáveis estudadas", disse o instituto.

Por exemplo, consequentemente à queda na quantidade de empresas, o número de pessoal ocupado na cultura diminuiu. Em 2010, eram 2.036.127 empregados no setor. Em sete anos, 95.916 pessoas deixaram de trabalhar na área, com 1.940.211 funcionários em 2017.

A pesquisa mostra que as empresas das atividades culturais geraram, em 2017, cerca de 7% da receita líquida do total das atividades empresariais –indústria de transformação, comércio e serviços não financeiros–, uma perda em relação a 2007, quando representavam 8,8%.

 

Ainda na comparação com 2007, ano em que começa a série histórica, o pessoal ocupado na cultura observou aumento de 7,2%, com 129,9 mil pessoas a mais empregadas. No período, o salário médio real também do setor cresceu, 19,5%. Porém, esses dados não podem ser observados de forma positiva, segundo o IBGE.

Primeiro porque a elevação do pessoal ocupado ter sido inferior ao observado no universo do Cempre, que teve aumento de 21,8%. Dessa forma, o setor cultural perdeu participação de 4,2% em 2007 para 3,7% em 2017. Segundo, por conta de o salário médio mensal das atividades culturais ter crescido menos do que a variação da média do Cempre, de 23,1%.

O Cempre abriga um importante acervo de dados sobre o universo das empresas e outras organizações formais e suas respectivas unidades locais existentes no Brasil. A ferramenta reúne informações cadastrais e econômicas oriundas de pesquisas anuais do IBGE e de registros administrativos do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

No que diz respeito ao IPCult (Índice de Preços da Cultura), criado pelo IBGE para mostrar como se comportam os grupos de produtos que compõe o índice, verificou-se contraste entre os diferentes grupos do setor.

Serviços de telefonia, TV por assinatura e internet, que representam 40% da cesta, reduziram seu peso, indo de 42,3% em 2012 para 39% em 2018. Artigos de residência foi outro item com retratação, caindo de 13,3% para 11,2%.

 

Por outro lado, produtos e atividades de ensino crescerem 2,4 pontos percentuais no período, indo de 10,2% para 12,6%. Ainda registraram alta os índices de jornais, revistas e assinaturas, de 5,2% para 6,2%, despesas pessoais com produtos culturais, de 9,3% para 9,6%, acessórios pessoais, de 4,4% para 5,1%, e despesas pessoais com serviços culturais, de 15,3% para 16,3%.

Na comparação entre os sexos dos empregados do setor, as mulheres que trabalham no ramo cultural têm salários inferiores aos homens da categoria, menores até do que a média na comparação com os trabalhadores de outros setores de emprego.

Os dados mostram que, em 2017, as mulheres da cultura ganharam, em média, R$ 2.798 por mês, o que representava 67,8% do salário dos homens, de R$ 4.127. Assim, a remuneração feminina foi abaixo daquela apresentada no mercado de trabalho de uma forma geral, em comparação com outras pesquisas.

“A desigualdade salarial entre homens e mulheres era maior no setor cultural do que no total de atividades”, apontou o IBGE.

No universo do Cempre, as mulheres têm remuneração média de R$ 2.556, o que equivale a 82,8% do que faturam os homens, com salários de R$ 3.086.

Já em dados divulgados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, em março de 2019, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13 para mulheres e de R$ 14,2 para homens. Ou seja, o pagamento delas por hora representava 91,5% daquele oferecido ao lado masculino.

 

Se a base de comparação da Pnad Contínua for o rendimento total, a proporção cai para 79,5%, já que, em 2018, as mulheres recebiam, em média, R$ 2.050, contra R$ 2.579 dos homens. Mesmo com a queda, os ganhos femininos no mercado de trabalho geral ainda superam o das atividades do setor cultural.

Na análise por escolaridade, verificou-se uma maior proporção de empregados com nível superior no setor cultural do que em trabalhos de outros ramos econômicos. Em 2017, essa era a realidade de 32,8% do pessoal ocupado assalariado da cultura, um valor superior ao total do Cempre, de 22,6%.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.