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Entenda como será o Oscar 2021, o do coronavírus, e o que muda na cerimônia

Edição pandêmica da maior premiação de cinema do mundo será transmitida de várias cidades

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Los Angeles

Em vez de shopping center, uma estação de trem recém-restaurada. A festa do Oscar mudou de data e endereço, deixando para trás a bagunça do centro comercial Hollywood & Highland, onde estendia seu tapete vermelho quilométrico pela rua e pela Calçada da Fama, até chegar ao interior do shopping, no Dolby Theater.

Oscar 2021 anuncia os vencedores em cerimônia à noite; acompanhe ao vivo.

A cerimônia deste domingo, atrasada em dois meses por causa da pandemia, terá como sede outro espaço, ao ar livre, nos jardins da elegante Union Station, no centro de Los Angeles. Construída nos anos 1930, mistura arquiteturas típicas da região, com chão de ladrilhos espanhóis e lustres art deco. Em março, finalizou uma reforma que custou oito anos e US$ 4 milhões.

A estação de trem, metrô e ônibus recebe 100 mil pessoas por dia e já fez diversas aparições no cinema. Virou delegacia de polícia para “Blade Runner”, de 1982, banco para "Prenda-Me se For Capaz", de 2002, e tribunal para “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de 2012.

Durante a semana, o local estava cercado de mistério. Caminhões da produção entravam e saíam da estação, e tapumes pretos escondiam grandes tendas brancas. Por uma das janelas com pouca segurança, era possível ver um extenso palco de madeira e árvores decoradas.

Não havia ainda nenhuma escultura gigante da estatueta dourada. E a cervejaria dentro da estação, de entrada de vidro majestosa, servia de check-in para os funcionários da montagem, embora os seguranças despistassem os curiosos.

Além das questões sanitárias, a mudança de locação faz parte dos esforços da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de transmitir uma cerimônia de prêmios diferente das que aconteceram online no último ano, com recordes de baixa de audiência.

Não vai ter participação pelo Zoom, por exemplo, e sim ao menos dez estações via satélite em cidades onde estarão alguns dos indicados, como Londres, Paris e Nova York. Só quem comparecer pessoalmente poderá fazer o discurso.

“Estamos tentando montar um avião em pleno voo. Será maravilhosamente intenso”, disse numa entrevista coletiva no final de semana passado o diretor Steven Soderbergh, que divide a produção da festa de três horas com Stacey Sher, produtora de “Django Livre”, de 2012, e “Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento”, de 2000, e Jesse Collins, produtor do show do Super Bowl e da cerimônia dos prêmios Grammy.

Soderbergh ajudou a criar os protocolos contra a Covid-19 para a indústria voltar a filmar em Los Angeles, trazendo médicos epidemiologistas que trabalharam em seu filme “Contágio”, de 2011.

“Temos muita prática. Esta indústria está à frente na criação de protocolos para levar pessoas de volta ao trabalho”, disse o diretor. “A logística é incrivelmente complexa, é cara e é uma conversa constante.”

Os que estarão ao vivo na Union Station ou no Dolby Theater, ambos em Los Angeles, precisaram passar por pelo menos três testes de Covid-19 ao longo da semana até o evento. Não será obrigatório o uso de máscara quando na frente das câmeras e, na hora da aceitação do Oscar, o microfone estará aberto por mais tempo que os 45 segundos habituais.

“Vamos dar espaço e encorajar para que contem uma história, digam algo pessoal. Queremos criar um momento”, disse Soderbergh.

Outra diferença estará na ordem dos prêmios, que será surpresa. Também não haverá a figura de um único apresentador, embora esteja confirmada a presença de celebridades para anunciar as 23 categorias, como Brad Pitt, Joaquin Phoenix e Laura Dern.

Talvez a maior mudança será a falta da apresentação das músicas indicadas. Os nomeados vão cantar, porém num evento transmitido antes da cerimônia oficial. Quatro das cinco canções serão gravadas na cobertura do novo museu da Academia, marcado para abrir em setembro, enquanto a quinta, do filme "Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars", será rodada na Islândia, um dos cenários da trama.

Já o tapete vermelho será mínimo, nas palavras da produtora Sher: “Não será um tapete tradicional. Por razões de segurança, obviamente", disse.

O Dolby Theater fará participação na festa, mas os 170 convidados devem se concentrar nas tendas da Union Station, distribuídos em espaços diferentes e seguindo um plano de rotação.

A questão é se toda essa movimentação vai valer a pena. Até mesmo os indicados nesta temporada estendida de prêmios passaram a ter menos paciência, sem contar os fãs que mal tiveram chance de ver os filmes nomeados no cinema —no caso de Los Angeles, as salas ficaram fechadas por um ano.

Anthony Hopkins, um dos favoritos ao Oscar de ator por “Meu Pai”, disse que não estará disponível para a tal estação via satélite. Quando ganhou o Bafta, premiação britânica, estava de férias no País de Gales. Quando seus vizinhos de quarto de hotel gritaram com o anúncio de seu nome, o ator galês pensou que era só um jogo de futebol.

No Brasil, a cerimônia será transmitida pelos canais pagos TNT e E! e pelas plataformas TNT Go e Globoplay —aberta para não assinantes—, com Marcelo Adnet, ao lado dos humoristas Luciana Paes e Paulo Vieira, a partir das 20h.

O E! inicia a transmissão às 18h, com o tapete vermelho. Na Globo, a exibição começa depois do Big Brother Brasil 21, com apresentação de Maria Beltrão e comentários de Artur Xexéo e Dira Paes.

A Folha fará uma live comentando os principais acontecimentos da cerimônia a partir das 18h.

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