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Renato Terra

Ney Matogrosso tem suas ideias, cores e sons retratados em 'Olho Nu'

Documentário de Joel Pizzini sobre cantor que acaba de completar 80 anos está no Looke e no Itaú Cultural Play

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Renato Terra

Numa certa altura, no documentário “Olho Nu”, Ney Matogrosso diz: “Como a gente compreende o tempo, ele é uma invenção. Não existe ontem, hoje e amanhã. O tempo é”. A relação de Ney com o tempo, tão presente na semana que o artista completou 80 anos, é uma das questões centrais do filme de Joel Pizzini.

“Olho Nu” não é um documentário convencional. A opção pela forma, que mais sugere do que explica, é a única capaz de traduzir um artista que está longe de ser convencional. É impossível separar o som e a imagem em Ney Matogrosso. “Olho Nu” é justamente uma experiência que reproduz o deslumbramento sonoro e imagético presente em sua obra: suas músicas, seus figurinos, cores, ideias, seu timbre, suas pausas, sua coragem, sua sensualidade estão em todos os frames do filme.

Na primeira cena, sons de ventos e animais. Sem camisa, Ney se maquia diante do espelho. Veste um figurino com chifres nos ombros. Sua voz, em off, diz assim: “Eu sou muito primário. Muito terra. Muito pé no chão. Minha roupa é isso. É chifre de bode mesmo, pele de bode, dente de boi, pelo de macaco. É isso mesmo que eu gosto. Osso em cima de mim. Pele e terra”.

Sua relação com a natureza, com o tempo, com a música estão presentes em todo o documentário. Sem saudosismos, sem um tom de veneração ou homenagem.

Sem didatismos, o filme traz as memórias de infância, as primeiras referências musicais, a arrebatadora ascensão do Secos & Molhados, os amores, momentos íntimos e os caminhos percorridos, ao longo das décadas, para a construção de uma obra plural, intensa e livre.

O cantor Ney Matogrosso passa maquiagem antes de apresentação em cena do documentário 'Olho Nu', dirigido por Joel Pizzini - Divulgação

“Olho Nu” nasceu de uma iniciativa do próprio Ney, que procurou Paulo Mendonça, então diretor do Canal Brasil, com mais de 300 horas de imagens de sua carreira. Escolheram Joel Pizzini, que teve liberdade para escolher os caminhos da direção, mas contou com o aconselhamento de Ney para chegar ao tom ideal.

“Quase na reta final eu sentia falta, não tinha nada dos anos 1980. Então eu estava um ser solitário, sério. Não tinha loucura na minha vida. Não tinha esbórnia. Eu disse: ‘Joel, esse não sou eu’”, disse Ney, na época do lançamento, numa entrevista para o Canal Brasil.

Em alguns momentos, o filme poderia dar mais tempo para o espectador desfrutar uma ou outra imagem de arquivo. Mas é impossível terminar “Olho Nu” sem uma sensação de estar diante de uma força da natureza, de um artista que possui uma coragem e um talento colossais. Um deslumbramento parecido com aquele provocado pelos shows de Ney Matogrosso.

Faixas extras

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