Empresas de tecnologia superam pressão com resultados maiores que o esperado

Sob escrutínio de autoridades, Facebook, Google e Amazon têm forte receita e lucro no 1º trimestre

Escritório do Google em Paris - Benoit Tessier-15.fev.2018/Reuters
Londres

O poder das grandes plataformas de tecnologia ocupa a atenção dos políticos dos dois lados do Atlântico neste ano --para consternação dos investidores, cujas preocupações sobre regulamentação contribuíram para um período de grande instabilidade nos preços das ações.

Mas, se o risco político é um novo complicador para as perspectivas das empresas com as mais altas capitalizações de mercado no planeta, isso certamente não afetou negativamente os seus negócios. Os resultados anunciados nesta semana por algumas das maiores empresas de tecnologia ofereceram uma demonstração espantosa do poder de suas plataformas --e um lembrete de como pode ser difícil para os políticos restringir seu crescimento descontrolado.

Os resultados excelentes anunciados pela Amazon na quinta (26) coroaram uma semana em que Facebook e Google também revelaram crescimento mais forte do que o esperado. A confirmação de que as empresas passaram intocados pela crescente reação política adversa teve efeito drástico sobre o estado de espírito de Wall Street.

O valor de mercado da Amazon subiu mais de US$ 70 bilhões na quinta-feira, se considerada a alta registrada por suas ações depois do fechamento do pregão. Isso conduziu as ações da empresa a um novo recorde e a levou a ultrapassar a Alphabet, controladora do Google, e se tornar a segunda maior companhia do planeta, pelo critério de capitalização de mercado, atrás da Apple.

Em março, as ações da Amazon haviam caído 13%, por efeito de tuites do Donald Trump, o que gerou medo de que a empresa estivesse na mira do governo. Mas, diante da alta dos lucros, em um setor de margens de lucro cronicamente baixas como o comércio eletrônico, a empresa de varejo eletrônico e computação em nuvem recuperou todo o terreno perdido, e mais.

A capitalização de mercado do Facebook, enquanto isso, avançou mais de US$ 50 bilhões na quinta. As ações já se recuperaram 15% desde a queda registrada depois do escândalo da Cambridge Analytica, no mês passado.

As altas fortes reforçaram uma recuperação que, em abril, reconduziu a tecnologia à posição de maior destaque em Wall Street. Isso aconteceu a despeito de ondas esporádicas de vendas que continuam a abalar as ações, incluindo um dia de queda no começo da semana que custou caro ao setor.

Os resultados trimestrais mais recentes demonstraram os poderosos efeitos de plataforma que continuam a beneficiar as grandes empresas, já que os usuários de internet --e os anunciantes e companhias de comércio eletrônico que desejam atingi-los-- terminam atraídos por um pequeno número de empresas.

"Todas essas coisas funcionam porque se tornaram os mercados mais efetivos para aquilo que fazem", disse Jim Tierney, vice-presidente de investimento do Concentrated US Growth Fund, fundo de investimento administrado pela AllianceBernstein, que detém ações do Facebook e da Alphabet.

Esse poderoso efeito de plataforma será difícil de combater, para as autoridades regulatórias, mesmo que estas desejem fazê-lo, ele acrescentou: "Não sei como elas poderão colocar o gênio de volta na garrafa".

A virada no sentimento do mercado foi especialmente abrupta com relação ao Facebook. O presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, foi convocado a depor diante do Congresso americano neste mês, quanto a imensas violações de privacidade que transferiram dados sobre usuários da empresa à Cambridge Analytica, uma consultoria britânica que trabalhou na campanha de Trump.

Mas os resultados da rede social no primeiro trimestre foram mais que róseos.


Tech em alta no 1º tri

Alphabet (Google):

  • Receita: US$ 26,6 bi (+24%)
  • Lucro: US$ 9,4 bi (+73%)

Facebook:

  • Receita: US$ 11,97 bi (+50%)
  • Lucro: US$ 5 bi (63%)

Amazon:

  • Receita: US$ 51 bi (+43%)
  • Lucro: US$ 1,6 bi (+100%)
Richard Waters, Hannah Kuchler e Tim Bradshaw

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