Política de preços de combustíveis não vai mudar, diz Parente

Presidente da Petrobras participou de reunião com ministro da Fazenda e secretário da Receita

Pedro Parente, presidente da Petrobras - Reuters
Brasília

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta terça-feira (22) que foi informado pela equipe econômica que o governo não considera, "em hipótese nenhuma", pedir uma mudança na política de preços de combustíveis da estatal.

Parente falou após reunião com os ministros da Fazenda, Eduardo Guardia, de Minas e Energia, Moreira Franco, e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. 

O governo do presidente Michel Temer estuda medidas diante da impopular escalada do preço dos combustíveis. 

A Petrobras anunciou que, nesta terça-feira (22), a gasolina subiu 0,9%, para R$ 2,0867 o litro, e o diesel, 0,97%, para R$ 2,3716 . Em maio, o preço da gasolina subiu 16,07%.

Nesta  quarta (23), no entanto, a Petrobras reduzirá os preços de diesel e gasolina nas refinarias. Segundo a petroleira, o diesel será reduzido em 1,54%, para R$ 2,3351por litro, no primeiro corte desde 12 de maio. Já a gasolina ficará 2,08% mais barata, a R$ 2,0433 por litro, a primeira redução desde o dia 3.

​"Queriam informações sobre dinâmica do mercado, sobre como o governo poderia considerar eventuais medidas, a serem discutidas posteriormente, mas não no âmbito da Petrobras", disse o executivo. "É reconhecido que a política de preços da Petrobras é um ciclo de reconhecimento do mercado internacional e do câmbio".

Parente declarou ainda que o governo está preocupado com os preços, e estudando o que pode ser feito. 
"O governo está preocupado com os preços, está procurando ver o que pode ser feito no nível do governo", afirmou.

"Queria enfatizar que já na abertura da reunião fomos informados que em hipótese nenhuma, em nenhum momento, passou pela cabeça do governo que poderia pedir qualquer mudança na política de preços". 

Parente reforçou que a redução de preços desta quarta foi consequência do recuo no câmbio, consequência da intervenção do Banco Central no mercado.

"A redução de hoje é simples de entender, porque houve uma redução importante do câmbio ontem. Essa política funciona tanto em momentos de alta quanto de baixa."

TRIBUTOS

Questionado sobre uma possível redução de tributos sobre combustíveis, o presidente da Petrobras afirmou que não comentaria o assunto.

"O governo não entra nos assuntos da Petrobras, a Petrobras não comenta assuntos do governo."

Tanto Eduardo Guardia  quanto o do Planejamento, Esteves Colnago, afirmaram nesta terça que o espaço fiscal para reduzir tributos sobre combustíveis é muito pequeno.

"Vemos muito pouco espaço para redução tributária", disse Colnago, ao ser questionado sobre a possibilidade.

Até esta segunda-feira, Guardia vinha descartando a possibilidade de corte de impostos como forma de reduzir o preço ao consumidor. 

"Não há nenhuma decisão tomada. Em nenhum momento o governo solicitou mudança na política de preços da Petrobras. Quando houver alguma decisão, vamos comunicar", declarou. "O espaço fiscal é muito reduzido", completou.

Caminhoneiros voltaram a bloquear rodovias do país e a provocar lentidão no trânsito desde a madrugada desta terça, no segundo dia de paralisação contra a política de reajustes do óleo diesel. Ao menos 19 estados já registram manifestações.​

O ministro Moreira Franco (Minas e Energia), por outro lado, indicou que pode haver saídas tributárias. “Quem fala sobre isso é o ministro Guardia, porque são questões relativas a arrecadação”.

“Não há hipótese de se mexer na política de preços da Petrobras. Sabemos que o custo dessa prática no passado quase destrói a empresa. Não vamos cometer o mesmo erro.”

Disse que ainda esta semana sairá uma solução dessas negociações e que o governo ainda busca alternativas.

Maeli Prado , Laís Alegretti e Bruno Boghossian
Erramos: o texto foi alterado

A alta da gasolina foi para para R$ 2,0867, e não R$ 2,0687. 

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