Metrópoles turísticas limitam o avanço do Airbnb

Paris, Amsterdã, Berlim e Barcelona se organizam para evitar que preços dos imóveis disparem

Paris

Diante do sucesso formidável do Airbnb, que completará 10 anos dentro de algumas semanas, metrópoles europeias como Paris, Amsterdã, Berlim e Barcelona estão se organizando para evitar que os preços dos imóveis e das locações disparem, ou que a oferta imobiliária se reduza.

Em 11 de agosto de 2008, surgiu o portal Airbed & Breakfast, para "fazer frente à saturação do mercado hoteleiro".

Passados dez anos, o Airbnb, que não divulga resultados, tem avaliação de mercado de US$ 31 bilhões (R$ 119,9 bilhões), de acordo com uma estimativa feita em sua mais recente rodada de capitalização, em 2017.

Protesto em Barcelona, na Espanha, contra expansão de locações pelo Airbnb; cidade tenta deter avanço do sistema - Luis Gene - 28.jan.2017/AFP

A empresa, que passou rapidamente da condição de startup à de gigante da economia do compartilhamento, como a Uber, por exemplo, oferece mais de cinco milhões de imóveis para locação, em 81 mil cidades e cerca de 200 países.

O Airbnb soube capturar "uma demanda em ascensão, turística e profissional, para formas de hospedagem mais livres e espaçosas, no coração das grandes cidades", avaliou a associação francesa Atelier Parisien d'Urbanisme (Apur), em nota publicada em junho.

Mas, na interpretação do setor de hotelaria, especialmente, o sucesso de uma empresa que promove locação online de imóveis por curtos períodos não está sujeito às mesmas obrigações legais e fiscais que pesam sobre os hotéis, e isso representa uma perda futura de faturamento para eles.

E, da parte dos governos municipais, surgiram "numerosas preocupações", porque esse tipo de locação estimula a alta no preço dos imóveis e dos aluguéis, segundo a Apur, o que levou diversas metrópoles europeias, e também Nova York e Tóquio, a regulamentar cada vez mais a atividade.

Assim, Paris, o primeiro entre os mercados mundiais do Airbnb, com 60 mil acomodações para aluguel, abriu um processo contra a empresa e sua concorrente Windu. Além disso, o legislativo francês votou em junho uma série de sanções contra proprietários que operam ilegalmente, e começou a aplicar multas às plataformas, com o fim de limitar as atividades.

Na Espanha, os governos municipais estão recorrendo a medidas engenhosas —limitação ao tipo de projeto que pode ser usado para esse fim, exigência de que o espaço para locação tenha entrada independente— para conter o crescimento da forma de hospedagem. Palma de Mallorca está se preparando para proibi-la, pura e simplesmente, depois de uma alta de 40% da atividade entre 2013 e 2017.

Em Madri, onde existem cerca de nove mil apartamentos para locação com fins turísticos, dois mil sem licença, a prefeitura, ocupada por um partido de esquerda radical, adotou o objetivo de reduzir a oferta em 95% até 2019.

E em Barcelona, onde os habitantes protestam contra o ruído de pessoas que saem de festas na madrugada, a prefeitura já não concede mais licenças para a locação turística no centro histórico.

Na Holanda, Amsterdã assinou um acordo "único na Europa" com o Airbnb, em dezembro de 2016, para que os imóveis oferecidos pelo serviço não pudessem ser alugados por mais que 60 dias ao ano.

Na Alemanha, a prefeitura de Berlim, onde os preços do mercado imobiliário subiram fortemente, aprovou em maio de 2016 um regulamento especialmente severo: só se pode alugar um quarto por andar, sob pena de multa de € 100 mil (R$ 454,18 mil). Em 1º de maio, o governo municipal atenuou a pena.

As plataformas de acomodações turísticas reagiram. Em conjunto, apresentaram denúncias à Comissão Europeia contra legislações nacionais da França, Espanha, Bélgica e Alemanha, mas a comissão no momento não prevê abrir qualquer procedimento contra esses países por supostas infrações.

AFP

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