Eletrobras quer investir R$ 12 bilhões na usina nuclear de Angra 3 até 2023

Valor representaria 40% de todo o investimento, mas ideia é atrair recursos privados

Taís Hirata
São Paulo

​A Eletrobras reservou 40% de todos seus investimentos nos próximos cinco anos para finalizar a usina nuclear de Angra 3, um dos projetos considerados prioritários à equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

A estatal planeja destinar R$ 12 bilhões ao empreendimento entre 2019 e 2023, segundo o Plano Diretor de Negócios e Gestão da companhia, que prevê um investimento total de R$ 30,2 bilhões nesse período.

O valor necessário para concluir a obra deverá ser ainda maior, já que a construção deve se estender até 2026.

No entanto, parte desses recursos poderão vir do setor privado. Hoje, a ideia do governo é realizar uma concorrência internacional para atrair um parceiro ao projeto. 

Obras de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro
Obras de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro - Folhapress

As obras de Angra 3 estão paralisadas desde 2015, com cerca de 60% de sua execução. 

À época, a construção do empreendimento foi alvo de investigação pela Operação Lava Jato por suspeitas de irregularidades nos contratos, o que levou até à prisão do então presidente da Eletronuclear.

Desde então, governo federal e Eletrobras têm buscado meios para finalizar o empreendimento, no qual já foram investidos bilhões.

Para facilitar a atração de um parceiro privado disposto a alocar recursos no projeto, foi aprovado em outubro um controverso aumento na tarifa da usina, que passou a R$ 480 por MWh (megawatt-hora), o dobro do previsto inicialmente.

A medida atraiu críticas por parte de especialistas do setor elétrico, que avaliam que o novo preço resolve o problema da Eletrobras, mas torna o empreendimento oneroso ao consumidor. 

Conforme mostrou a Folha em novembro, um estudo da PSR, uma das consultorias mais respeitadas no setor elétrico, concluiu que seria mais econômico abandonar a obra de Angra 3 e, no lugar, construir usinas de outras fontes. 

O levantamento comparou Angra 3 a empreendimentos de geração solar e concluiu que a usina nuclear seria R$ 6,6 bilhões mais cara aos consumidores. No caso de outras fontes mais baratas, como a eólica, a diferença poderia seria ainda maior.

​A equipe do novo governo de Jair Bolsonaro (PSL) já manifestou a intenção de concluir a usina. O futuro ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, tem relação próxima com o setor nuclear e já tocou projetos nessa área dentro da Marinha. 

Em entrevista à Folha, em dezembro, ele afirmou que valeria muito a pena concluir a usina e admitiu a possibilidade de atrair um parceiro privado ao empreendimento.

Investimento

Ao todo, a Eletrobras planeja investir R$ 30,2 bilhões até 2023, em projetos de geração de energia (que incluem Angra 3), linhas de transmissão, entre outros.

O valor representa um aumento significativo em relação ao último plano de investimentos da companhia, divulgado no fim de 2017 —nesse relatório, a estatal projetou R$ 19,76 bilhões para os cinco anos seguintes.

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