Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Guedes aproveita reunião com argentinos para desfazer mal-estar com declaração sobre Mercosul

Ministro da Economia havia dito anteriormente que Mercosul não era prioridade

Talita Fernandes Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, aproveitou a reunião ampliada do presidente Jair Bolsonaro com o presidente argentino Mauricio Macri e sua comitiva para desfazer um mal-estar causado por declarações realizadas sobre o Mercosul no dia do segundo turno das eleições presidenciais.

Na noite de 28 de outubro, já confirmada a eleição de Bolsonaro, Guedes respondeu, no Rio de Janeiro, a uma pergunta de uma repórter do jornal argentino Clarín. “O Mercosul não é prioridade. Mercosul não é prioridade, está certo? É isso que você queria ouvir?”, disse o ministro, de forma irritada, naquela ocasião.

O teor das declarações gerou preocupação entre as autoridades da Argentina, país que tem o Brasil como seu principal parceiro comercial.

De acordo com dois participantes que estiveram na reunião realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, na qual estavam Bolsonaro, Macri e um grupo de ministros dos dois países, Guedes disse que sua fala de outubro se tratou de um "equívoco" e gerou um mal-entendido. Ele inclusive contextualizou para os argentinos o episódio: disse, por exemplo, que respondeu num tom mais duro porque a repórter teria feito reiteradas perguntas sobre a questão de maneira muito incisiva.

Guedes disse ainda que o Mercosul é importante e que o governo brasileiro não pretende tratar o bloco como algo sem relevância. Além de Brasil e Argentina, fazem parte do Mercosul Paraguai e Uruguai.

Em outro aceno aos argentinos, Guedes afirmou que valoriza o comércio e a relação bilateral com o país vizinho, ainda de acordo com participantes do encontro.

Não é a primeira vez que Guedes aborda a sua declaração no dia do segundo turno do pleito presidencial. Nos últimos meses, ele tem repetido a interlocutores que o episódio de outubro não reflete sua opinião sobre o Mercosul. Na reunião no Planalto nesta quarta, no entanto, foi a primeira vez que o ministro tratou do assunto numa sala em que estava o presidente da Argentina e o mais alto escalão da administração do país vizinho.

AGENDA DO MERCOSUL

A fala do ministro Guedes no Planalto, no entanto, não significa que o Brasil deixará de trabalhar por mudanças na estrutura do Mercosul. Nas conversas realizadas entre as autoridades brasileiras e argentinas nesta quarta em Brasília, os dois países alinharam um discurso comum sobre a aliança regional: a de que Brasil e Argentina atuarão com os demais sócios do Mercosul para concluir os acordos comerciais que já estão em fase avançada de negociação, como o da União Europeia e do Canadá.

Da parte brasileira, existe ainda o plano de procurar mecanismos, visando acordos futuros, que permitam ao país explorar outras formas de negociação com parceiros de fora do Mercosul. Na prática, trata-se de um desejo do governo brasileiro de ganhar mais autonomia e flexibilizar as regras que impedem que um membro do bloco negocie de forma independente com terceiros.

O Brasil e a Argentina também conseguiram unificar o discurso em relação à tarifa comum do Mercosul, uma alíquota do imposto de importação acordada entre os quatro integrantes do bloco. De acordo com um dos negociadores brasileiros, a intenção é conversar com Uruguai e Paraguai para conseguir reduzir essa tarifa.

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