Mercado de corridas passa por momento de irracionalidade, diz presidente da Cabify

Empresa inclui serviço de táxi em aplicativo a partir de integração com a Easy e trará patinetes para alguns mercados da América Latina

Filipe Oliveira
São Paulo

Jorge Pilo, que assumiu as operações da espanhola Cabify no Brasil no final do ano passado, diz que o setor de corrida por aplicativos passa por momento de irracionalidade no Brasil.

O executivo afirma que não há pressa em expandir a participação de mercado da empresa, hoje terceira neste critério no Brasil em segmento em que também atuam Uber e 99.

Isso porque a estratégia adotada pelas rivais de subsidiar corridas com altos descontos impede que se mantenha a sustentabilidade financeira do negócio, segundo o executivo.

Pilo afirma que a empresa deve seguir investindo em qualidade de serviço e se preocupar com expansão quando o mercado se normalizar.


“O mercado irracional é aquele em que se compram passageiros por valor maior do que o que eles valem. Mas o mercado vira racional eventualmente, isso aconteceu na China, na Rússia, em Cingapura. Isso vai acontecer aqui também.”

Segundo ele, não é possível saber quando o mercado irá deixar essa dinâmica, mas ele diz acreditar que aberturas de capital de empresas no setor podem pressionar as rivais a se preocupar mais com sua lucratividade. 

O mercado espera que a Uber estreie na bolsa americana ainda neste semestre. 

NOVOS MODAIS

Para o futuro, a empresa espera intensificar sua aposta em modalidades de transporte alternativas.

Em conferência para jornalistas, Juan de Antonio, fundador da Cabify e presidente da Maxi Mobility,, holding que controla a startup, Disse que ela trabalha em integrações do serviço com novos modais, entre eles bicicletas e patinetes.

"A Cabify é a primeira plataforma inclusiva da américa Latina onde são integradas diversas soluções de mobilidade", diz. A companhia está em 12 mercados, a maior parte no continente.

A empresa passou a disponibilizar chamadas de táxi em seu aplicativo no início do ano. O recurso foi incluído a partir da integração com a Easy Taxi, adquirida pela Cabify em 2017. 

A integração acontece nos oito países em que as duas marcas estão presentes. Também houve junção das operações das duas empresas. O próprio Pila, nascido na venezuela, era presidente da Easy antes de assumir o comando da Cabify para o Brasil.

Desde 2017, a Cabify também permite contratar voos de helicóptero em São Paulo, a partir de parceria com a empresa Voom, startup subsidiária da Airbus.

Segundo a empresa, 60% dos usuários da Cabify tem interesse em usar táxi eventualmente e 75% dos taxistas estão satisfeitos em atender chamadas da Cabify.

Em novembro, a Cabify investiu na Movo, startup espanhola que permite compartilhamento de motos. A companhia prevê trazer o serviço para países da América Latina, incluindo aluguel de patinete elétrico.

No Brasil, os transportes alternativos ao carro a partir de aplicativos entraram em pauta com a chegada da Yellow, startup que espalhou pela cidade de São Paulo bicicletas e patinetes elétricas que são encontradas e desbloqueadas via aplicativo.

Entre os criadores do negócio estão alguns dos fundadores da 99, rival da Cabify no Brasil adquirida pela chinesa Didi há um ano.

Segundo Pilo, ainda não há previsão do lançamento do serviço de patinetes no Brasil, ao menos nos próximos seis meses.

Ele diz não ver grandes riscos na demora em entrar nesse mercado, mesmo com a concorrência ganhando terreno, pois, segundo ele, é um segmento que permitirá crescimento por período longo.

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