Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Brasil recebe aceno de Israel para entrar na OCDE

Apoio ocorre após adoção de postura favorável a Israel pela diplomacia brasileira

Talita Fernandes
Brasília

A candidatura do Brasil a uma vaga na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), apoiada oficialmente pelos EUA nesta quinta-feira (23), deve contar com o auxílio de Israel.

A promessa foi feita durante a visita do presidente Jair Bolsonaro àquela nação, no início de abril, e reforçada em discurso feito pelo embaixador israelense no Brasil na noite de quarta (22).

Yossi Shelley, durante comemoração aos 71 anos de Israel, disse que seu país também está "lutando" para que o Brasil ingresse na OCDE.

O apoio ocorre num momento em que israelenses comemoraram uma mudança da diplomacia brasileira num sentido de adotar uma postura mais favorável a Israel. 

De acordo com pessoas próximas às tratativas, a ideia é que Israel possa ajudar o Brasil a fazer adaptações legislativas e regulatórias para ser aceito no órgão.

O argumento é que como tornou-se membro há menos de dez anos —em 2010— o país tem a "memória fresca" sobre o que é necessário fazer.  

Na cerimônia de quarta, Shelley falou sobre o apoio à entrada do Brasil ao comentar a ausência do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na comemoração de quarta, em Brasília. Ele está em Paris, na França, onde participa de reunião do órgão ao qual o Brasil pleiteia uma vaga.

"O chanceler está na OCDE para fazer uma luta para o Brasil entrar nessa organização (OCDE). Israel também está lutando por isso", afirmou.

Ainda em seu discurso, o embaixador disse que o Brasil é "uma grande potência que pode ajudar o mundo e pode receber em troca disso".

Ao falar sobre a troca, disse que Bolsonaro está cumprindo a promessa de campanha de mudar o posicionamento da diplomacia brasileira de forma a torná-la pró-Israel.

"Parabéns, as relações entre Brasil e Israel nesses cinco meses trocou muito nas organizações como a ONU, Conselho de Direitos Humanos ... Trocou [mudou] de uma maneira que o presidente prometeu na campanha dele", disse.

O embaixador citou como exemplo uma votação feita esta semana na OMS (Organização Mundial da Saúde), dizendo que com a ajuda do Brasil, Israel aumentou seu apoio no organismo internacional. 

"O Brasil, como outros 11 países votaram conosco, ano passado havia cinco a favor de Israel. Vamos melhorar pouco a pouco para chegar ao nosso desafio", afirmou. 

Nesta quinta, o governo dos EUA cumpriu a promessa feita pelo presidente Donald Trump, ao seu par brasileiro, Jair Bolsonaro, de apoiar a candidatura do Brasil à OCDE. 

O anúncio oficial foi feito em Paris, a portas fechadas, durante a reunião ministerial da entidade, um think tank de melhores práticas econômicas que reúne a maior parte dos países desenvolvidos.

A promessa de Trump a Bolsonaro havia sido feita quando da visita do brasileiro a Washington, em março. Na oportunidade, o presidente brasileiro prometeu em troca que o Brasil abriria mão do tratamento especial e diferenciado na Organização Mundial do Comércio (OMC), ao qual tinha direito por ser um país em desenvolvimento.

O perfil oficial do Itamaraty no Twitter comemoraram a concordância americana: ”Hoje na OCDE os EUA expressaram de modo claro e oficial seu apoio ao pleito do Brasil de ingressar na OCDE, uma prioridade do presidente Jair Bolsonaro”.

Em sua conta, o presidente também replicou mensagens de comemoração. 

O apoio desta quinta superou as expectativas da comitiva brasileira, que não esperava uma manifestação formal da delegação americana. Isso não quer dizer, contudo, que o caminho esteja aberto ao Brasil, já que por ora não há uma data prevista nem mesmo para o início do processo de adesão, que se estenderia pelos próximos anos –entre dois e cinco, usualmente.

Até aqui, os Estados Unidos bloqueavam a aspiração brasileira de se tornar membro permanente da OCDE, mas manifestavam apoio à candidatura da Argentina. Agora, segundo um dirigente da comitiva brasileira envolvido nas negociações, há um consenso entre os membros da entidade de que Brasil, Argentina e Romênia devem iniciar seus processos de adesão. 

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