Em semana de queda, dólar vai a R$ 3,976

Apesar de cenário externo negativo, Ibovespa mantém os 96 mil pontos

São Paulo

O dólar teve mais mais um pregão de queda e rompeu a barreira dos R$ 4. A moeda fechou em queda de 1,2% nesta quarta-feira (29), a R$ 3,976. Esta é a segunda semana de queda do dólar após atingir os R$ 4,10.

A Bolsa brasileira também teve um bom desempenho e manteve os 96 mil pontos, apesar do dia negativo para os mercados globais com desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China.

Cédulas de dólar
Dólar cai 1% nesta quarta (29) e vai a R$ 3,98 - Gabriel Cabral/Folhapress

O órgão de planejamento estatal chinês ameaçou usar exportações de terras-raras, grupo de 17 metais com diversas aplicações em alta tecnologia, como alavanca na disputa comercial.

A chinesa Huawei também partiu para nova ofensiva e entrou com ação na Justiça americana para questionar sanções impostas pelo governo de Donald Trump.

​Com as notícias, o índice americano Dow Jones fechou no menor patamar desde fevereiro, com queda de 0,87%, a 25.126 pontos. S&P 500 e Nasdaq atingiram o pior patamar desde março com quedas de 0,62% e 0,79%, respectivamente.

O índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Shangai e Shenzhen, caiu 0,23%. Hong Kong, 0,57% e Nikkei, 1,21%.

Na Europa, o cenário negativo se somou a tensão com a dívida pública da Itália, que subiu de 131,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 para 132,2% em 2018, e irá para 133,7% neste ano e 135,2% em 2020, de acordo com projeções da Comissão Europeia.

Para piorar, o déficit estrutural, que exclui receitas e gastos extraordinários e o efeitos do ciclo empresarial, deve alcançar 2,4% do PIB neste ano e 3,6% em 2020, a não ser que as políticas mudem.

Segundo a legislação da União Europeia, a Itália deve reduzir seu déficit estrutural em 0,6% do PIB até que alcance equilíbrio ou superávit. Como a situação se deteriora, é possível que o país seja multado em € 3 bilhões.

A Bolsa italiana recuou 1,29%. Londres, Paris e Frankfurt caíram 1,15%, 1,7% e 1,57%, respectivamente.

Apesar da aversão ao risco no exterior, o Ibovespa subiu 0,18%, a 96.566 pontos, impulsionado pelo cenário doméstico favorável. O giro financeiro foi de R$ 14,75 bilhões, abaixo da média diária para o ano.

Nesta quarta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a reforma da Previdência deve ser votada na segunda quinzena de julho na casa. A possível aprovação no primeiro semestre supera as expectativas de investidores e demonstra o recém-entendimento entre governo Bolsonaro e Câmara. 

Sobre o acordo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse estar confiante no alcance de um meio-termo e um objetivo comum com o Congresso em prol da nova Previdência, após se reunir com a bancada do Partido Progressista (PP).

“Podemos até ficar blindados do cenário exterior com o noticiário doméstico favorável no curto prazo. Hoje a Bolsa reflete o saldo positivo dos protestos de domingo de do pacto entre os poderes”, diz Thiago Salomão, da Rico Investimentos ​.

A maior alta do Ibovespa foi a Sabesp, cujos papéis subiram 3,6%, a R$ 44,15. Com a eminente perda de validade da MP do saneamento, o tema será abordado via projeto de Lei, o que animou investidores.

A BR distribuidora foi outro destaque positivo. A companhia informou nesta quarta que fará o primeiro pagamento de dividendos referentes a 2018 nesta sexta (31). A parcela é de R$ 1 bilhão, de um total de 2,46 bilhões. Segundo a companhia, o saldo remanescente será pago até o 31 de outubro.

Na véspera, a subsidiária da Petrobras teve nova diretoria aprovada pelo Conselho de Administração. Os nomes foram indicações do presidente Rafael Grisolia.

As novidades agradaram o mercado e os papéis da companhia subiram 3,6%, a R$ 24,49.

Na outra ponta, as ações da JBS cederam 6,3%, e BRF, 5,49%, devido à alta dos preços de grãos no exterior. A elevação dos preços ocorre em meio a atrasos de plantio causados por fortes chuvas em importantes áreas de cultivo do Meio-Oeste dos Estados Unidos.​ 

(Com Reuters)

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