Quatro servidores do IBGE entregam cargos por divergência com cortes no Censo

Ato em defesa do Censo reúne técnicos e três ex-presidentes do IBGE no Rio

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Sindicatos, técnicos e ex-presidentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lançaram nesta quinta (6) uma campanha para tentar reverter cortes no Censo Demográfico de 2020. As divergências com a gestão indicada pelo governo Jair Bolsonaro levaram quatro servidores da diretoria de Pesquisa do instituto a entregar seus cargos nesta quinta.

A notícia foi dada durante ato de lançamento da campanha Todos pelo Censo, que reuniu cerca de 260 pessoas, incluindo três ex-presidentes do IBGE, técnicos e políticos no Rio. De acordo com Luanda Santos, uma das lideranças da campanha, os servidores entregaram os cargos por discordarem da proposta apresentada na semana passada pelo diretor de Pesquisa do instituto, Eduardo Rios-Neto.

Recenseadores do IBGE durante treinamento para o Censo 2010, na praça da Republica, Em São Paulo - Marcelo Justo - 29.jul.10/Folhapress

São eles: Andrea Bastos Guimarães, assessora do diretor de Pesquisa;Bárbara Cobo Soares, coordenadora de População e Indicadores Sociais; Leila Ervatti, gerente de Demografia; e Marcos Paulo Soares de Freitas, coordenador de Metas e Qualidade.

Rios-Neto reduziu a 76 o número de perguntas do questionário completo do Censo, que é aplicado a 10% dos domicílios brasileiros. A proposta original previa 112. O questionário básico foi reduzido de 34 para 25 perguntas.

A campanha lançada nesta quinta tenta reverter a medida, que é justificada pelo governo com o argumento de que restrições orçamentárias impõem a redução de custos da pesquisa, orçada originalmente em R$ 3,4 bilhões.

Entre os presentes no auditório, estavam os ex-presidentes Eduardo Nunes Pereira, Wasmalia Bivar e Roberto Olinto - os dois primeiros de gestões petistas e o terceiro, do governo Michel Temer. Havia também coordenadores pesquisas realizadas pelo IBGE.

Participaram ainda políticos de oposição, como os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e os deputados estaduais do Rio Waldeck Carneiro (PT) e Enfermeira Rejane (PCdoB). Além dos cortes no Censo, houve críticas à atuação do governo Jair Bolsonaro na saúde e na educacao.

“Os resultados desse equívoco podem ser desastrosos com a perda de informações essenciais para o planejamento de políticas públicas e para o desenvolvimento econômico e social”, disse Botelho, em seu discurso.

Os ex-presidentes do IBGE e políticos criticaram o que chamaram de interferência no IBGE e em outros institutos de pesquisa e educação. “É uma luta contra o obscurantismo e a ignorância” disse Molon, que é líder da oposição na Câmara dos Deputados.

Os três ex-presidentes do IBGE defenderam que os servidores resistam a pressões da gestão e se mantenham nos cargos para tentar reverter os cortes. “Resistam e desobedeçam”, pregou Pereira, que presidiu o IBGE durante a realização do último Censo Demográfico, em 2010.

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