Descrição de chapéu Previdência

Presidente de comissão da Previdência pede 'sandálias da humildade' a governadores

Pressionar as bancadas, em vez de dialogar, tem elevado a tensão sobre o tema, afirmou o deputado

Thiago Resende Filipe Oliveira
Brasília e São Paulo

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), disse nesta quinta-feira (6) que, para não serem excluídos da reestruturação previdenciária, os governadores precisam calçar as "sandálias da humildade" e pedir que os deputados aprovem regras mais rígidas de aposentadorias também para os servidores estaduais.

"Calçar a sandalinha da humildade e vir para cá dizer assim: 'Olha...nós não temos coragem de fazer [a reforma nas assembleias]. Nós queremos pedir aos deputados que façam por nós'. É isso que eles têm que dizer, humildezinhos. Não têm que chegar aqui dando ordem".

Marcelo Ramos, presidente da comissão especial da reforma da Previdência
Marcelo Ramos, presidente da comissão especial da reforma da Previdência - Adriano Machado/Reuters

Na avaliação de Ramos, por ainda não terem feito isso, a maioria da Câmara mantém a posição de impedir que a reforma da Previdência tenha efeito para estados e municípios.

Pressionar as bancadas, em vez de dialogar, tem elevado a tensão sobre o tema, afirmou o deputado.

Governadores irão a Brasília na próxima semana e avaliam assinar um manifesto em favor da manutenção de estados e municípios na reforma da Previdência que tramita no Congresso.

Para o presidente da comissão, o ato formal pode distensionar a relação entre a Câmara e os mandatários dos estados.

"Os governadores, hoje, não têm força política para impor suas vontades às bancadas", declarou.

Parte da Câmara rejeita aprovar regras mais rígidas para aposentadorias de servidores estaduais e municipais, enquanto governadores e prefeitos fazem campanha contra a reforma.

A ideia desses deputados é que governadores e prefeitos tenham o desgaste político ao aprovar medidas impopulares nos órgãos legislativos.

Diante do impasse, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tem dado declarações criticando o Parlamento. 

Para Ramos, essa atitude prejudica as negociações sobre o destino dos estados e municípios na reestruturação da Previdência.

Em evento em São Paulo, Doria negou ter sido desrespeitoso com os deputados e ter empurrado o problemas para eles ao defender a manutenção de estados e municípios na reforma, como afirmou Ramos nesta manhã.

“Defendo o interesse dos brasileiros e do Brasil com a manutenção de estados e municípios. Não foram nós que defendemos eleitoralmente outras posições, foram alguns parlamentares. Não o Marcelo Ramos, mas outros defendem a exclusão de estados e municípios por uma razão eleitoral, não a do interesse população.

Segundo o governador, a melhor forma de os deputados mostrarem coragem e patriotismo é votar a reforma com estados e municípios incluídos.

Integrante do PL, partido insatisfeito com a articulação política do governo, Ramos estima que a proposta original de reforma da Previdência do presidente Jair Bolsonaro tem o apoio de apenas 100 deputados.

Mas, com as mudanças sendo negociadas para o relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), a proposta poderá chegar aos 308 votos necessários para ser aprovada no plenário da Câmara, avalia o presidente da comissão.

Ele evitou dar prazo para votação do relatório no colegiado e no plenário. De acordo com Ramos, isso é uma questão política e de contagem de votos, cuja responsabilidade é do governo.

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