Shows fazem serviços terem em abril primeira alta do ano

Setor avançou de 0,3% no mês, de acordo com informações do IBGE

Leda Antunes
Rio de Janeiro

O setor de serviços teve em abril sua primeira alta do ano, com forte contribuição de shows e espetáculos ocorridos no mês.

A alta foi de 0,3% na comparação com março, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (13). No mês anterior, o setor havia recuado 0,7%.

Os shows de abril movimentaram o segmento de serviços prestados às famílias, que incluem as atividades de hospedagem, alimentação e gestão de espaços para eventos. A alta da categoria foi de 0,1%, mantendo a tendência positiva do mês anterior.

“Observamos um aumento nas atividades hoteleiras e de alimentação relativas à realização de grandes espetáculos no período, em especial o Lollapalooza, em São Paulo, e o Cirque du Soleil, no Rio de Janeiro”, disse o gerente da Pesquisa Mensal dos Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo.

O mês de abril recupera parte das perdas registradas em março, mas o resultado ainda não representa um novo momento para o setor.

“Não dá para dizer que é o início de uma recuperação. Essa variação de 0,3% não elimina nem sequer a perda entre janeiro e março, que foi de 1,8%”, afirma Lobo.

As atividades turísticas, por exemplo, recuaram 1,5% em abril. Nove das 12 unidades da federação onde esse indicador é investigado registraram queda no mês, com destaque para o Rio de Janeiro (-5,6%), Santa Catarina (-11,6%) e Distrito Federal (-9,5%).

Resultado por atividades

Três dos cinco segmentos pesquisados tiveram alta em abril frente a março. Os serviços de informação e comunicação, que representam 33% do índice, avançaram 0,7%, recuperando assim, parte da perda de 1,8% registrada no mês anterior.

Os destaques nesse segmento foram as receitas da TV aberta de outros serviços de tecnologia de informação.

No mês também houve resultado positivo nos serviços profissionais, administrativos e complementares (0,2%) e serviços prestados às famílias (0,1%).

Por outro lado, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio registraram queda de 0,6%, eliminando totalmente o ganho obtido em março, e os outros serviços recuaram 0,7%. Os transportes estão 14,7% abaixo do patamar mais alto da série, registrado na esteira da recuperação após a paralisação dos caminhoneiros, em 2018.

Neste segmento, a principal influência negativa no mês veio da receita das companhias aéreas. Houve queda de 9,9% no volume de serviços do transporte aéreo em abril frente a março.

“A questão não se deve ao problema financeiro da Avianca, mas a uma questão conjuntural do setor. Em março havia um patamar mais elevado de receita em função do carnaval”, afirma o gerente da pesquisa do IBGE.

Comparação anual

Na comparação com abril de 2018, o setor caiu 0,7%, a segunda taxa negativa nesse tipo de comparação, com queda em duas das cinco atividades e em metade dos 166 tipos de serviços investigados.

O principal impacto negativo veio do ramo dos transportes, que recuou 5% na comparação com igual período no ano anterior. Houve recuo no transporte de cargas, tanto rodoviário, quanto ferroviário, e no transporte aéreo.

Também houve queda serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,8%), explicado pelos decréscimos de receita vindos das empresas de soluções de pagamentos eletrônicos, de limpeza geral, de transporte de valores, de gestão de ativos intangíveis não financeiros e de vigilância e segurança privada.

Por outro lado, cresceram os serviços de informação e comunicação (2,1%), impulsionados, em grande medida, pelo aumento na receita de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação online, serviços prestados às famílias (3,6%) e outros serviços (1,2%).

Na comparação com abril de 2018, o turismo apresentou estabilidade, após assinalar oito taxas positivas seguidas.

Já no acumulado do ano, os serviços acumulam alta de 0,6%.

O resultado em 12 meses, de avanço de 0,4%, contra 0,6% registrado em março, revela uma redução no ritmo de crescimento observada desde fevereiro deste ano, informa o IBGE. O setor permanece em 11,9% abaixo do pico de série do PIB, que aconteceu em janeiro de 2014.

Expectativas para maio

Para maio, a expectativa dos empresários do setor de serviços continua em baixa, conforme mostra sondagem feita pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O Índice de Confiança de Serviços caiu 3,1 pontos em maio, para 89.

"Não é esperada uma recuperação para maio. O enfraquecimento da expectativa dos empresários de serviços voltou ao patamar próximo de setembro de 2018, o mês que antecipou as eleições", diz Lobo.

O gerente da pesquisa do IBGE diz que a o cenário ainda está muito enfraquecido, com demanda voltada para bens essenciais.

"O crescimento de hotéis está muito ligado aos preços mais baixos do segmento, o segmento de restaurantes permanece com dificuldade, as pessoas ainda estão optando por não comer fora de casa. Tem uma freada clara dos investimentos públicos, que não foi compensada por um aumento do investimento privado", afirma.

"As pesquisas de sondagem, sobretudo da FGV, davam conta de alguma expectativa de melhoria antes das eleições, mas essas expectativas não se confirmaram”.

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