Descrição de chapéu Previdência

Ministro da Economia diz que Previdência deve ser aprovada na Câmara na próxima semana

Paulo Guedes afirmou que votação deve acontecer antes das férias dos deputados

Eduardo Cucolo
São Paulo

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta quinta-feira (4) que a aprovação do relatório da reforma da Previdência na comissão especial do Congresso que trata do tema abre espaço para o que o texto seja votado pelos deputados na próxima semana.

“Acho que a Câmara dos Deputados vai aprovar antes das férias. Eu confio no trabalho do Congresso brasileiro. Acho que na semana que vem teremos isso aprovado”, afirmou Guedes ao participar de evento da XP Investimentos em São Paulo.

O ministro disse ainda que o impacto da proposta original do governo, alterada na comissão especial, pode resultar em uma economia de R$ 3 trilhões em 20 anos.

Em uma referência à tentativa do presidente Jair Bolsonaro de negociar regras menos rígidas para policiais na esfera federal, Guedes afirmou que o mandatário perguntou “se não dava para ajudar esse aqui ou ali”, mas que o ministro disse que “a reforma agora está com o Congresso”.

O ministro afirmou confiar tanto nos congressistas quanto no presidente, mas disse que há um “problema de comunicação” entre as duas partes. Após o próprio ministro ter criticado os parlamentares em outros momentos, afirmou que a maioria quer ajudar o país, com exceção de “uma ou outra criatura do pântano paleolítica”.

Em relação às próximas reformas que o governo pretende apresentar ao Legislativo, o ministro afirmou que, no segundo semestre, irá enviar uma proposta de reforma tributária para a Câmara e o novo pacto federativo, que prevê desindexação de receitas e despesas de todos os entes, para o Senado.

Sobre a questão tributária, o governo tem mais de uma versão de projeto e irá avaliar qual será apresentada.

Segundo ele, a “moderada” já está pronta para ser enviada pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, e possui maior convergência com a proposta já aprovada em uma comissão especial no Legislativo. Mas o governo pode optar também pela versão “turbinada”, que permitiria mudanças maiores e mais rápidas no sistema tributário.

“Essa reforma dos impostos é iminente. Se eu disser para o Marcos Cintra, puxa a moderada, já está pronta, para fazer a convergência com a do [Bernard] Appy. Se disser, puxa a turbinada, vai mais rápido. Lá na frente, que vença a melhor”, afirmou.

Guedes também quer anunciar na próxima semana o programa de “choque de energia barata”, com objetivo de reduzir o preço do gás natural em até 40% nos próximos dois anos, a partir da quebra de monopólios da Petrobras e de empresas estaduais. O projeto, segundo o ministro, já tem o apoio formal do Rio de Janeiro e o interesse dos governos de São Paulo, Espírito Santo e Minas.

Ao comentar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, afirmou que o Brasil terá dois anos para simplificar, reduzir e eliminar os impostos, melhorar as contas públicas, com medidas como a redução da folha de pagamento, e cortar suas taxas de juros. “Vamos deixar de ser o paraíso dos rentistas. Vai trabalhar, vagabundo.”

Em outra rodada de debates no mesmo evento, a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, afirmou que a pautas das reformas estruturais não pode ser uma agenda apenas do Ministério da Economia, mas também de outras áreas do atual governo, como aconteceu no governo Michel Temer.

“Por um lado, vejo um ministro da Economia com perfil nitidamente reformista. Isso não basta. O governo tem de ser reformista. Desenhar proposta de reforma é desafiador, mas aprovar no Congresso é mais difícil. A decisão é da política, que vai refletir a sociedade.”

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