Desemprego cai, mas renda média diminui e crescem trabalhadores informais

IBGE diz que 12,8 milhões de brasileiros seguem desempregados e 11,5 trabalhadores não têm carteira assinada

Diego Garcia
Rio de Janeiro

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12% no segundo trimestre de 2019, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (31). O período teve um aumento no número de profissionais com carteira de trabalho, mas trabalhadores informais também cresceram, enquanto sublocados ou por conta própria bateram recordes.

Isso explica porque o rendimento médio habitual da população também caiu: ficou em R$ 2.290, 1,3% a menos do que no trimestre anterior e sem variação significativa com o mesmo período do ano passado.

Pessoas observam ofertas de emprego na rua Barão de Itapetininga no centro de São Paulo. - Danielo Verpa/Folhapress

O número de trabalhadores sem carteira assinada atingiu 11,5 milhões, 3,4% (376 mil pessoas) a mais com relação a janeiro, fevereiro e março deste ano e 5,2% (565 mil pessoas) comparando com o segundo trimestre de 2018. No setor privado, foram 33,2 milhões de pessoas com carteira assinada, subindo 0,9% (294 mil pessoas) em comparação ao trimestre anterior, e 1,4% (450 mil pessoas) frente ao mesmo período do ano passado. 

Já a população disponível para trabalhar mais horas, chamada de subocupada, atingiu 7,4 milhões de pessoas, enquanto o número de trabalhadores por conta própria alcançou 24,1 milhões. São dois recordes na série iniciada em 2012.

"Cresceu a informalidade. Mas a gente já tem assistido essa informalidade crescer. Agora, pela primeira vez a carteira de trabalho também cresceu. A primeira alta em cinco anos, é importante, foi um aumento efetivamente expressivo", explicou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. 

Os números divulgados nesta quarta-feira (31) representam o recuo de 621 mil em busca de trabalho em comparação ao trimestre anterior, permanecendo estável em relação ao mesmo período de 2018. No total, são 12,8 milhões de pessoas desocupadas.

O percentual está abaixo dos 12,7% registrados nos três primeiros meses do ano. E é menor também do que os 12,4% registrados no mesmo trimestre de 2018.

"A carteira de trabalho subiu depois de muitos trimestres. É claro para todo mundo a importância da carteira assinada, foi o primeiro indício, em 2014, que estávamos entrando em um processo de crise econômica bastante forte, que em termos de números do mercado de trabalho perdura até hoje", explicou Azeredo.

O percentual de desemprego está abaixo dos 12,7% registrados nos três primeiros meses do ano. E é menor também do que os 12,4% registrados no mesmo trimestre de 2018.

"Tem um efeito sazonal nesse processo, sempre do primeiro para o segundo trimestre vai ter redução da desocupação. Mas o crescimento da população em idade de trabalhar foi de 1%, e a ocupada cresceu 2,6%, é um movimento inédito", disse Cimar Azeredo.

"Os pontos de destaque foram o aumento expressivo da população ocupada, suplantando o crescimento natural da população, o crescimento da carteira de trabalho, e a indústria também cresceu na comparação trimestral", analisou Azeredo. "É um movimento importante", acrescentou.

A população ocupada, por sua vez, ficou em 93,3 milhões e cresceu 1,6% em comparação a janeiro, fevereiro e março de 2019. São 1,479 milhão de pessoas a mais com alguma ocupação. No segundo trimestre do ano passado, o número também cresceu 2,6%, ou 2,401 milhão pessoas.

Já o número de trabalhadores domésticos cresceu 2,4% em relação ao trimestre anterior, ficando em 6,3 milhões de pessoas. O número de trabalhadores no setor público também aumentou, 2,6%, chegando a 11,7 milhões. Em ambas as estatísticas não houve aumento em relação ao mesmo período de 2018.

Entre abril e junho, a massa de rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos foi estimado em R$ 208,4 bilhões para o trimestre que representa os meses de abril a junho de 2019, uma estabilidade em relação aos três primeiros meses do ano, e alta de 2,4% comparando com o mesmo período de 2018, ou R$ 4,8 bilhões a mais.

O número de pessoas desalentadas em relação à população na força de trabalho foi de 4,4% e manteve o recorde da série, demonstrando estabilidade nas comparações com o primeiro trimestre de 2019 e o segundo trimestre do ano passado.

 
 
 
 
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