Itaú Unibanco projeta PIB positivo no 2º trimestre, mas não descarta queda no 3º

Economista-chefe do banco afirmou que não há sinais de aceleração da atividade no trimestre

Eduardo Cucolo
São Paulo

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, afirmou que a instituição mantém a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,5% no segundo trimestre, mas não descarta a possibilidade de queda da atividade no terceiro trimestre.

Ele disse que os dados do trimestre atual são preliminares e representam apenas 15% dos indicadores a serem divulgados, mas que não há sinais de aceleração da atividade.

“A gente vê indicadores mais fracos na ponta, muito a ver com a produção industrial e também no setor de serviços. Os números do trimestre não estão muito animadores. Com esses dados não dá para descartar número negativo no terceiro trimestre. Mas é muito preliminar”, afirmou Mesquita.

Agência do Itaú no Rio de Janeiro - Pilar Olivares/Reuters

Apesar da piora no cenário externo nas últimas semanas, a instituição não vê motivos neste momento para alterar suas projeções de crescimento para 2019 (0,8%) e 2020 (1,7%).

Mesquita afirmou que o atraso na reforma da Previdência fez com que o Brasil desperdiçasse dois bons anos de crescimento mundial, em 2017 e 2018, e que agora será necessário crescer em um ambiente global mais adverso, mas que ainda não pode ser classificado como recessivo. “Não acho que estamos numa crise internacional, embora haja o risco de isso acontecer.”

O banco calcula que a crise argentina pode tirar 0,2 ponto percentual do PIB brasileiro, mas que esse efeito é compensado pela injeção de recursos do FGTS já anunciada pelo governo. Já a desaceleração das economias dos EUA e da China teriam impacto muito maior sobre a atividade.

O economista avalia que o país tem condições de continuar a reduzir a taxa básica de juros, hoje em 6% ao ano, e projeta uma Selic de 5% ao ano até o final de 2020. E que o cenário também é de queda do desemprego no próximo ano, mas não o suficiente para pressionar a inflação. Com isso, o país teria espaço para flexibilizar a política monetária e reagir a uma crise externa.

Em seu cenário econômico, a instituição também considera a manutenção do dólar no patamar próximo de R$ 4,00 e afirma que alta recente é mais uma questão de força da moeda norte-americana do que de fraqueza do real.

“É praticamente o cenário internacional que está levando a esse processo. Passado esse mau humor, o real tende a apreciar ao final do ano para perto de R$ 3,80”, afirmou Mesquita, que projeta um câmbio de R$ 4,00 no final de 2020, sem grande impacto sobre a inflação.

A projeção da instituição para as contas públicas mostra que medidas adicionais à reforma da Previdência podem viabilizar uma redução da dívida bruta a partir de 2021 e a volta dos superávits em 2022, com cenário positivo até 2027.

Essas medidas adicionais poderiam ser a manutenção das políticas de reajuste zero para servidores e de correção do mínimo apenas pela inflação. A alternativa seria adotar medidas como aumento da contribuição previdenciária dos servidores e promover mudanças no abono salarial e no seguro-desemprego, para permitir o reajuste real do mínimo e algum aumento para o funcionalismo no período.

As projeções da instituição para o fiscal não consideram receitas não recorrentes, como privatizações. O cálculo leva em conta crescimento médio do PIB de 2,2%. 

Em relação à reforma tributária, o Itaú avalia que ela pode ser aprovada até o ano que vem, com melhora no ambiente de negócios, mas sem impacto no curto prazo sobre o crescimento do país. Mesquita afirma que há hoje uma “inflação de propostas” e que a existência de convergência entre elas é politicamente difícil. 

“A gente acha que vai ser uma reforma que, daqui a três ou quatro anos, temos de ter outra. Não vai ser uma reforma que vai resolver o problema por uma geração”, afirma.

Mesquita afirma que a instituição não tem preferência por uma proposta, mas que gostaria de ver um sistema tributário mais simples, com um IVA nacional, como na PEC 45, que tramita na Câmara.

A instituição vê como limitada a possibilidade de aprovação de um tributo sobre movimentações financeiras e que esse é um imposto com muitos problemas e, com uma alíquota alta, criaria um incentivo grande para desbancarização.

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