Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Brasil e Argentina adiam em 9 anos livre-comércio de autos

Países anunciam hoje novo acordo que prevê liberação do mercado em 2029

Raquel Landim
São Paulo

Às vésperas das eleições presidenciais no principal sócio do Mercosul, com provável vitória da oposição, os governos do Brasil e da Argentina assinam nesta sexta (9) um novo acordo automotivo. 

O documento prevê o livre-comércio de veículos e autopeças em 1º de julho de 2029 —nove anos a mais que a previsão do entendimento atual. Em compensação, não há condicionalidades para que o livre-comércio seja estabelecido. 

Pelos cálculos da equipe econômica, isso significa que o comércio de veículos entre Brasil e Argentina estará finalmente liberado cinco anos antes da implementação do acordo Mercosul-União Europeia.

Jair Bolsonaro e o presidente argentino Mauricio Macri durante visita a Casa Rosada, em Buenos Aires - Agustin Marcarian - 6.jun.2019/Reuters

Desde a criação do Mercosul, em 1990, o setor automotivo é um dos poucos que ficaram de fora do bloco e sempre teve um comércio administrado. A possibilidade de livre troca de carros e peças vem sendo postergada sucessivas vezes.

O anúncio será feito no Rio pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, e pelo secretário de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Brasil, Marcos Troyjo. 

O acordo também prevê um aumento gradativo do chamado “flex”, múltiplo que regula o comércio de veículos e peças entre os dois países. Hoje está em 1,5: para cada US$ 1,50 exportados do Brasil para a Argentina, os argentinos podem enviar US$ 1 aos brasileiros.

Com o novo entendimento, esse indicador sobe para 1,7 e avança gradativamente até 3,0 perto do fim da vigência do tratado. O novo acordo também prevê equalização das regras de origem (porcentual de peças nacionais nos carros) entre Brasil e Argentina ao acordo entre Mercosul e União Europeia até 2027.

Outra diferença entre o acordo atual e o que vai ser assinado é o tratamento para veículos híbridos e elétricos. Hoje não há tratamento diferenciado. Automóveis, ônibus e caminhões híbridos e elétricos serão beneficiados.

O novo acordo acordo automotivo entre Brasil e Argentina

  1. Livre-comércio

    Comércio de veículos e autopeças será liberado em 2029; acordo atual previa que liberação aconteceria em 2020

  2. ‘Flex’

    Múltiplo que regula o comércio de veículos e peças entre os dois países terá aumento gradativo. Hoje está em 1,5: para cada US$ 1,5 exportado do Brasil para a Argentina, os argentinos podem enviar US$ 1 aos brasileiros. Com o novo entendimento, esse indicador sobe para 1,7 e avança gradativamente até 3,0 perto do fim da vigência do tratado

  3. Híbridos e elétricos

    Automóveis, ônibus e caminhões híbridos e elétricos terão tratamento diferenciado

A Argentina assinará o novo acordo automotivo apesar da troca iminente de governo. O candidato da oposição peronista, Alberto Fernández, venceu as prévias das eleições e está muito perto de derrotar o presidente Mauricio Macri.

Para fontes próximas ao governo atual no país, a assinatura do acordo com o Brasil favorece a previsibilidade dos negócios e pode ajudar a Argentina a ganhar a confiança dos mercados, independentemente de quem vença o pleito, e a atrair investimentos. 

Por causa da turbulência provocada pela provável vitória da oposição, o governo argentino anunciou moratória de sua dívida e instituiu um controle cambial para brecar a saída de divisas. A medida afasta os investidores.

 
Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, para cada US$ 1,50 exportados do Brasil para a Argentina, os argentinos podem enviar US$ 1 aos brasileiros, e não o inverso. O texto foi corrigido.

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